A quarta temporada da série Sandy e Junior foi ao ar de 7 de abril a 29 de dezembro de 2002, totalizando 36 episódios. A mais curta de todas. É a única temporada que não é ambientada no CEMA, tendo como pano de fundo o Condomínio Mata Atlântica e o espaço cultural Detonação. Totalmente reformulada, desde a abertura, tema de abertura e conceito geral, a temporada não trouxe mais os personagens Clara, Mau, Dodô e Teca, nem o time de professores, ao mesmo tempo introduziu outro elenco jovem, moradores do condomínio. Com tramas adultas, focadas no dia a dia dos personagens e em conflitos de geração, a temporada se destaca como a mais madura da série. No meu ranking das temporadas, ela se encontra como a terceira melhor. Dentre seus 36 episódios, selecionei os 15 melhores.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
15 Melhores Episódios da 4ª Temporada de Sandy e Junior
terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
15 Melhores Episódios da 3ª Temporada de Sandy e Junior
A terceira temporada da série Sandy e Junior foi ao ar de 1 de abril a 23 de dezembro de 2001, com um total de 38 episódios. Nessa temporada a participação de Sandy foi reduzida na primeira metade devido às gravações da novela Estrela-Guia, que ela protagonizava. Com o romance de Sandy e Gustavo encerrado, a produção parece, a princípio, que ficou meio perdida com o destino amoroso deles, e acabou fazendo Gustavo voltar com Clara. Já Sandy ficou sem ninguém até a saída de Gustavo da série, quando Bruno entrou, mas antes ainda teve uma tentativa mal sucedida de fazê-la se envolver com Festa. É a temporada do vilão Alvinho. No meu ranking de temporadas da série, ela se encontra como a última colocada. Contudo, dentre seus 38 episódios, selecionei os 15 melhores.
15º. Um Certo Doutor Fantástico
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025
15 Melhores Episódios da 2ª Temporada de Sandy e Junior
A segunda temporada da série Sandy e Junior foi ao ar de 5 de março a 31 de dezembro de 2000, totalizando 43 episódios. A mais longa de todas. É a temporada da relação entre Sandy e Gustavo e da introdução do trailer de Basílio. Marca também a entrada das crianças Duda, Talita e depois Glorinha. E também ocorre a primeira troca no time de professores, saindo Carolina e Marcão e entrando Rebeca e Miguel. No meu ranking de temporadas da série, ela se encontra como a melhor temporada do programa. Dentre os seus 43 episódios, eu selecionei os 15 melhores dessa temporada.
15º. Na Medida do Sucesso
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
15 Melhores Episódios da 1ª Temporada de Sandy e Junior
A primeira temporada da série Sandy e Junior foi ao ar de 11 de abril a 26 de dezembro de 1999 com um total de 37 episódios. Curiosamente, um episódio a mais foi gravado, mas acabou não indo ao ar nesse ano, apenas sendo exibido durante a temporada de férias entre 2 de janeiro e 27 de fevereiro de 2000. No meu ranking de temporadas da série, ela se encontra como a segunda melhor temporada do programa. Dentre os seus 37 episódios, eu selecionei os 15 melhores, que enumero abaixo.
15º. Na Boca do Povo
quinta-feira, 14 de novembro de 2024
As melhores temporadas da série Sandy e Junior
terça-feira, 8 de outubro de 2024
Os 10 melhores episódios da série Sandy e Junior
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Pra reinar de novo
domingo, 28 de dezembro de 2014
Entre as molas
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Ainda há espaço pra Maneco?
sábado, 1 de fevereiro de 2014
O que fica de Amor à Vida
terça-feira, 13 de setembro de 2011
A noite volta a ter lua cheia
domingo, 12 de junho de 2011
Garantindo o seu posto
Quem saiu na frente na corrida espacial durante a Guerra Fria? Os soviéticos quando lançaram em 1957 a indefesa Laika a bordo da Sputnik e Iuri Gagarin em 1961 para dar uma volta completa na órbita da Terra, ou os americanos com a chegada do homem à Lua em 1969? Referente à Laika, gosto de enfatizar que a cadelinha acabou morrendo seis horas após o lançamento, vítima do superaquecimento da nave e do estresse causado por não ter sido avisada que iria sozinha para o espaço. Ainda assim, tenho uma forte inclinação pelos russos, e particularmente acho a palavra cosmonauta mais expressiva e garbosa do que astronauta, apesar de crer que a NASA deve ter uma aparelhagem bem mais sofisticada, ou tudo não passa de merchandising? Ah, a publicidade! O que seria dela sem a competição?
Não sei se posso considerar a peleja da Rede Record contra a Globo como competição de fato, tendo em vista que a primeira não estabelece uma concorrência real, já que procura se igualar e não competir propriamente com a outra. Mas já posso considerar a mais nova corrida da teledramaturgia brasileira, e agora entre Globo e SBT. Quem iria pensar que a emissora de Sílvio seria a primeira a transmitir o primeiro beijo gay feminino da televisão brasileira. E depois de dada a largada, a disputa agora é em torno das primeiras carícias mais ousadas entre dois homens. O SBT já divulgou: em julho sairá o primeiro beijo gay masculino entre os atores Carlos Thiré e Lui Mendes também em Amor e Revolução. Bem, isso se Eduardo e Hugo não forem pra cama antes. Sim! Insensato Coração, a novela com mais homossexuais assumidos até então, desde o início criou polêmica sobre um suposto beijo entre alguns dos seus personagens, o que já até havia sido desmentido pelos autores, mas será que a concorrência anda incomodando e eles agora não querem que o SBT tenha o título da primeira emissora liberal do país?
Em um momento de intensas conquistas homossexuais, com o reconhecimento da adoção por casais gays e a aprovação da união estável pelo Supremo Tribunal de Justiça, parece realmente o momento mais favorável para mais essa virada. No entanto é cedo para considerar a quebra do tabu na televisão aberta, principalmente porque diferente do beijo entre as atrizes Gisele Tigre e Luciana Vendramini, o autor Tiago Santiago já informou que irá colocar um locutor anunciando o beijo gay. Se partir por esse caminho, a Globo tem chance de recuperar a disputa. Gilberto Braga e Ricardo Linhares divulgaram essa semana que os personagens de Rodrigo Andrade e Marcos Damigo terão cenas já escritas de beijo e sexo previstas para ir ao ar também em julho. Claro que se aprovado pela direção da Globo tudo deverá ser bastante sutil, mas a competição entre as emissoras no próximo mês será cabeçuda. E quem irá garantir a sobrevivência da espécie dessa vez? Ouso dizer que é preciso ter muito peito, ou melhor, pescoço para alcançar o galho mais alto e quebrar esse círculo de medos e convenções que assombra os bastidores da televisão brasileira.
terça-feira, 12 de abril de 2011
A safra da vez
O que fez de Roque Santeiro, Vale Tudo, Pantanal e Xica da Silva grandes destaques da teledramaturgia nacional? Ouso dizer que a inovação. E até por que não? A ousadia. A primeira foi censurada em plena ditadura pela sua crítica bem-humorada ao fanatismo religioso e implicitamente ao regime militar em vigor na época. Já a trama de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères não teve medo de mostrar uma filha capaz de passar a perna na própria mãe em nome da sua ambição. Sem dúvida alguma, os mitos e segredos do mato e as paisagens exuberantes, totalmente opostas ao mundo urbano e agitado dos folhetins vigentes até o momento, fizeram de Pantanal a maior audiência de uma telenovela não produzida pela Rede Globo desde que o império de Roberto Marinho se consagrou. E o "atrevimento" de uma escrava que queria ser rainha nas Minas Gerais do século XVIII, com toda pompa, capaz de escandalizar a sociedade hipócrita da época com suas mais inusitadas peripécias, conquistou o país e marcou o nome de Taís Araújo como a primeira protagonista negra da história da televisão brasileira.
Partindo do pressuposto da inovação, seria errado pensar que toda obra que vai contra a maré tem mais chance de obter um grande êxito. É só lembrar fiascos recentes como o faroeste retratado na Bang Bang de Mário Prata e o grande reality show de Bosco Brasil em Tempos Modernos. Mas aí encontramos no caminho a clássica Que Rei Sou Eu?, que transportou os telespectadores para o período da Revolução Francesa, e com humor, bruxaria e combate conseguiu registrar sua passagem com bastante esplendor; e ainda a república das bananas na década de 50 com a irreverente e por momentos surrealista Kubanacan de Carlos Lombardi, que apesar de uma boa audiência, foi para muitos um projeto fracassado. Dá para perceber por aí que não basta querer inovar, é preciso saber como. Não à toa Glória Perez é a novelista que mais se destaca nesse quesito, trazendo sempre à discussão temas polêmicos e culturas desconhecidas do grande público, como o universo cigano e o islamismo. Em algumas tentativas acerta como Barriga de Aluguel e O Clone, e em outras como Explode Coração e América fica a dever.
Inevitavelmente, assim como na moda, as telenovelas também sobrevivem de ciclos, que vez por outra retornam. Provavelmente muitas tramas alcançaram o sucesso por virar a página no momento preciso. Se Pantanal quebrou o círculo de novelas urbanas e implantou na Globo o cenário rural com Renascer e O Rei do Gado, esse mesmo esquema saturou em Terra Nostra. Assim como as novelas de época se mostraram um ótimo filão para o horário das seis em O Cravo e a Rosa, e já chegou sem gás a Desejo Proibido. E ainda a temática espírita implantada em Alma Gêmea, que trouxe a segunda reprise de A Viagem, o remake de O Profeta, e a pincelada de Elizabeth Jhin pelo tema com Escrito nas Estrelas.
O que parece acontecer hoje com autores como Walcyr Carrasco, Aguinaldo Silva e Gilberto Braga é que eles estão há algum tempo em um território que ainda não se definiu qual é. As histórias não envolvem, não empolgam e quando pensamos que algo interessante está por vir, somos novamente decepcionados com a ausência total de originalidade. Não vou nem me estender ao ibope cada dia mais baixo, porque vejo isso como um processo natural, principalmente com o aumento de acesso aos canais pagos. Mas se vivenciamos uma fase improdutiva da telenovela, talvez tenha chegado a hora de virar a página mais uma vez. A estreia de Cordel Encantado ontem me surpreendeu e parece sinalizar essa mudança. Uma história como há muito tempo não se via na televisão. Baseada na literatura de cordel e com uma trama bem costurada já no primeiro capítulo, reis e cangaceiros se cruzam e prometem no mínimo prender os telespectadores por mais alguns capítulos. Só espero que seus personagens não se percam no decorrer da trama e que sua chegada abra novamente os caminhos para uma safra de produções originais e instigantes, que ainda é possível vivenciar na teledramaturgia de hoje.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Eis o prêmio da tua caridade
Não sou contra a vitória de Maria. Até torci por ela. Só me senti um pouco traído por descobrir só agora, e pelo próprio site da emissora, o passado devasso da felizarda. A notícia correu o país antes, eu que infortunadamente por buscar notícias do programa apenas no site da Globo não associei granizo ao orvalho. Ah, ela não era tão boba assim. Será que teria torcido por ela com essa informação em mãos? Agora passado o espanto, creio que sim. Entendi porque MauMau, que virou Luís Maurício depois ninguém sabe porquê, se afastou da menina quando retornou à casa. Não atiro nenhuma pedra em quem expõe sua figura na internet, disputa sua beleza em concursos e se exibe em cliques eróticos, o próprio site da emissora faz o mesmo com cada brother eliminado na página do Paparazzo. Só que a autenticidade da participante foi apenas até a esquina, já que as atitudes de determinados comportamentos não revelavam de fato a todos quem era aquela jovem. Mas desde quando o programa se dedica em evidenciar os verdadeiros perfis dos participantes? O mais importante é criar personagens e jogar traços caricatos para apontar o lado mais vil e apelativo do ser humano em rede nacional.
Algo semelhante ao que se encontra no texto Dr. Fausto da Silva, do dramaturgo paraibano Paulo Pontes, um grande nome da televisão brasileira, precursor da série A Grande Família e do premiado espetáculo Gota d'Água em parceria com Chico Buarque. Em Dr. Fausto da Silva somos apresentados aos bastidores de um programa de TV e a toda escória que habita os corredores de uma emissora, capaz de vender a própria alma pela audiência. Fausto da Silva seria uma espécie de Luiz Datena, Ratinho, Márcia Goldschmidt, Roberto Cabrini e por que não, Pedro Bial? Já que seu discurso incitante na véspera da final do BBB noticiando que um novo milionário sairia do programa no dia seguinte, lembra muito o discurso apelativo do Dr. Fausto anunciando que dentro de instantes deceparia uma parte de si diante dos telespectadores. O texto foi escrito em 1972, embora não pareça diferir muito dos dias atuais.
O fundamental em programas como Brasil Urgente, Casos de Família, Programa do Ratinho ou Big Brother Brasil é explorar o lado mais miserável do ser humano e poder tripudiar em cima de sua própria desgraça. A vitória de Maria não mostra que o público está mudando e abandonando certos preconceitos. O prêmio acabou indo a outra "ingênua", já que o verbo "mariar" foi o figurino que melhor lhe caiu bem desde sua chegada e se revelou de bastante interesse à produção. E só ficou mesmo na casa quem o Brasil queria ver e não causava repulsa. A explicação para Ariadna ser a primeira eliminada? Como se questionou Bial, "quem é o burro agora?". Não sei porque senti a necessidade de procurar um espelho na hora, dá um retoque no cabelo talvez, como Rodrigão. Bom, a tese de doutorado sobre o porquê de apenas homens ganharem o BBB - com duas exceções - acaba de perder fundamento, ou talvez ganhe outro a mais. O público gosta do barraco, mas quer a vitória do bonzinho, ao mesmo tempo em que também quer se ver, com suas fraquezas, medos, falta de escrúpulos e pudor. E Maria reunia a ingenuidade do bom moço e o atrevimento velado de cada um. E com sua caridade aos anseios dos telespectadores, faturou a bolada dessa inusitada edição. Dica pro próximo aspirante a vencedor.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Palpite
Ainda era um guri de 6 anos quando acompanhei pela primeira vez, uma novela de Manoel Carlos, Felicidade. Quatro anos depois, assistia História de Amor. Mas quero frisar aqui um marco em sua carreira de novelista, que me fez aos 12 anos me render por completo ao seu trabalho. "Do que você seria capaz por amor?" Esse era o teaser que ia ao ar com os atores da novela respondendo o que fariam por amor, antes mesmo das primeiras chamadas de Por Amor ir ao ar. Era uma história densa, profunda, mas que Maneco soube jogar com sutileza e poesia, tocando fundo na sensibilidade humana. Que mãe não sacrificaria sua felicidade em nome da felicidade do filho? Como julgar a atitude de Helena? Egoísta? Fraca? Superprotetora? Talvez todos esses adjetivos. Mas humana. Fica claro desde o início da trama que Helena criou errado sua filha Maria Eduarda, a tornando frágil, insegura, mimada e orgulhosa. E nem a cumplicidade de amigas que conservaram durante a vida conseguiu mudar esse fato. Gabriela Duarte conseguiu criar uma personagem tão autêntica que por anos ficou estigmatizada como a enjoada de Por Amor e gerou revolta em muitos telespectadores que criaram um site exigindo que ela morresse na trama.
Se por um lado tínhamos o conflito de Helena e sua filha, por outro tínhamos Suzana Vieira dando vida a uma de suas mais bem sucedidas personagens, Branca Letícia. Uma mulher amargurada no casamento, mãe de três filhos, mas que só dedicava amor a um, e ainda mantinha uma paixão escancarada pelo viúvo Atílio, Antônio Fagundes. A novela ganhava força com outros núcleos pesados como a família de Laura Trajano, a ex-namorada do filho mais velho de Branca, Marcelo, apaixonada até o fim da trama por ele, e que infernizava o casamento de Maria Eduarda. O núcleo de Orestes, o ex-marido alcoólatra de Helena, que buscava na sua filha de 6 anos do segundo casamento a força para se livrar do vício. E claro, o romance mais repleto de química da teledramaturgia brasileira até então: Milena e Nando. Carolina Ferraz esbanjou sensualidade, delicadeza e irreverência na sua personagem, e Eduardo Moscovis se encaixou direitinho entre a leveza e a objetividade de Milena. Sem falar que a trilha sonora dos dois, tanto Palpite de Vanessa Rangel, como Só Você de Fábio Jr, foram um dos maiores sucessos do ano. Assim como com a canção Per Amore de Zizi Possi marcou a trama e entrou na memória afetiva de cada telespectador.
Foi realmente uma trama memorável. E hoje, quase 13 anos após sua exibição, e coincidentemente no mesmo período em que era reexibida pelo canal Viva, eu consegui conhecer o local onde foi gravada sua última cena no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Helena, Atílio, Maria Eduarda, Marcelo e Marcelinho caminham em harmonia enquanto redescobrem o verdadeiro valor da vida, ou aprendem a amar, como Atílio enfatiza para Helena quando ela confessa que trocou as crianças na maternidade: "você não sabe amar... mas pode aprender". Bom, eu tenho um palpite, a teledramaturgia brasileira não será jamais a mesma depois que Manoel Carlos deixar definitivamente de assinar suas novelas. Sorte do ator que pôde um dia ter feito parte do elenco de alguma obra de Maneco. Meu amigo Júlio diz que eu sou rasgado demais quando teço elogios a Manoel Carlos, mas desculpa, Júlio, quando alguém consegue transmitir princípios de integridade familiar, numa verdadeira crônica do cotidiano, com suas harmonias e dissonâncias, usando sensibilidade e acima de tudo humanidade, eu não posso falar menos. É só aguardar ansioso sua próxima trama e lamentar ser a última.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Maktub - estava escrito
É indiscutível a repercussão da novela de Glória Perez, sem dúvida alguma seu melhor momento na televisão brasileira. Mas o que fez dessa telenovela, um grande êxito no mercado nacional e mundial? Com certeza a clonagem humana foi o carro-chefe da trama, porém, a autora soube jogar esse tema com uma perspicácia e sensibilidade impecáveis. Seria muito fácil pegar a ideia de se criar um clone e elaborar uma novela em cima disso. O tema em si já é instigante. Mas 'como' ele é desenvolvido é onde se esconde todo o segredo da trama. Levar um tabu como a clonagem humana para o universo islâmico foi uma grande jogada da autora. Criar o motivo inicial para se produzir o clone em torno da história de irmãos gêmeos foi outro grande insight. E por fim, implantar o embrião clonado de um branco em uma personagem negra, amarrou a novela que seu destino não seria outro senão o sucesso.
Com uma teia de acontecimentos formada em volta de seu tema central, só seria preciso um romance a Romeu e Julieta para apimentar ainda mais a história. Lucas e Jade conseguiram criar uma história de amor tão forte que deixou os mocinhos de Terra Nostra a ver navios. Era um romance puro, ingênuo, mas avassalador e invencível ao tempo. O Clone, entre tantos assuntos, tratou da posição do ser humano diante de suas escolhas na vida. Uma das mais belas cenas mostra esse conflito, quando Lucas se olha no espelho de sua casa, deprimido com o rumo de sua vida, clamando uma chance de refazer o passado, e então seu clone Leo entra, vinte anos mais jovem, e Lucas o vê através do espelho. Seria sua chance de refazer o passado? Se vê duas décadas mais jovem e visualizar os inúmeros destinos que sua vida poderia ter tomado, faria qualquer um tentar um recomeço.
E não há como falar em O Clone sem mencionar sua magnífica trilha sonora composta por Marcus Viana, o mesmo responsável pela trilha de Pantanal, dez anos antes. A música tema de Murilo Benício e Giovanna Antonelli ganhou até versão internacional na voz de Michael Bolton. Na abertura, a banda Sagrado Coração da Terra, criada pelo próprio Viana, brincava com o poder da criação do homem ao lado de um dos trabalhos mais bem elaborados de Hans Donner. Destaque também de Lenini, com o tema de Juca de Oliveira e seu cientista Albieri, o homem que ousou brilhantemente ter o mundo em suas mãos e acordou mortal. Clonagem humana, islamismo, fé, amor, perda, desencontros, sonhos. Por todos esses motivos e muito mais é que O Clone merece ser vista a partir do dia 10, porque antes de ser uma novela sobre o avanço da tecnologia, O Clone é uma novela humana, que trata do paradigma tecnológico com o olhar e a alma de um ser humano.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
A arte do coração
Talvez a grande diferença entre The Beatles e Sandy e Junior na minha vida seja o fato de que enquanto ainda vivo hoje os Beatles como um verdadeiro beatlemaníaco, Sandy e Junior só existem no meu passado. Não Dá Pra Não Pensar em toda relevância da dupla na minha caminhada, contudo, não teria mais o mesmo pique de 10 anos atrás. Já vinha perdendo o entusiasmo de outrora em seus últimos discos. Parece realmente que o Inesquecível fanatismo havia cedido lugar e cravado seu espaço nas páginas da memória Samuel. Mas vez por outra é bom recordar situações, estações, lendas... É sempre gratificante viajar nas nossas recordações e nos permitir viver a saudade. Nos faz bem. Foi isso que aconteceu quando o novo canal de assinatura da Globosat, Viva, anunciou o retorno do seriado Sandy e Junior, que esteve no ar de 1999 a 2003 nas tardes de domingo da Rede Globo.
Naquela época eu estava em pleno apogeu do meu fanatismo pela dupla. Ao longo dos quatro anos do programa, colecionei 20 fitas VHS gravando os episódios. Me Apaixonei pelas histórias, pelos personagens, pelo colégio CEMA, pela professora Elvira, pela cantineira Irene, Etc... E Tal. Tinha um carinho muito grande pela série, e ainda tenho. Outro dia tive a oportunidade de rever alguns episódios pelo YouTube - já que meu videocassete não funciona mais, as fitas estão se estragando e eu não tenho TV por assinatura - e foi maravilhoso rever as intrigas, as paixões, os objetivos e lutas da turminha do Centro Educacional Mário de Andrade. Era como se com Gustavo, Patty, Clara, Boca, eu voltasse a ser o mesmo Samuel de 14, 15 e 16 anos e tivesse os mesmos desejos de volta, querendo estudar numa escola como a deles ou até estudar com eles, participar de um episódio, escrever outro... Nossa! Quanta Ilusão!
De alguma maneira maluca, o seriado me conectava a um ideal de vida, seja estudando em um Liceu, tendo amigos unidos, atuando ou escrevendo. Gostava da sensação que os episódios me provocavam. Sensações que talvez nem os próprios atores compartilhassem. Me sentia um Super-Herói. Sei que Sandy e Junior hoje não mantêm o carinho pela série, que eu e tantos outros fãs mantemos. Foi apenas mais um trabalho, e Junior chegou a afirmar, em entrevista a Marília Gabriela, que sente vergonha em se ver no início da adolescência. Mas quem se importa? Só queríamos o conjunto de histórias com a maior dupla pop brasileira até então. Nomes como Mariana Ximenes, Paulo Vilhena, Fernanda Paes Leme, Marcos Mion e Daniele Suzuki foram revelados no programa. No Fundo do Coração eu gostaria de ter toda a série em dvd, e através dela, nadar novamente pelos meus sonhos, rever os conceitos, bagunçar meus planos, afinal, somos sensíveis às emoções e estamos sujeitos à mudança. Quem garante que o nosso verdadeiro destino não está perdido em algum momento do passado, e só precisamos ir lá resgatá-lo? É só estar aberto e entender os mecanismos que compõem A Arte do Coração.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A Globo e os seus sete pecados - Parte 3
Um fato que não se pode questionar, é que o grande determinante de um programa permanecer no ar em um canal de TV é a sua audiência. E contra ela, nenhuma desculpinha enlatada pode resolver o problema. Pois bem! Com pouco mais de dois meses no ar, Sete Pecados é a pior audiência do horário desde 2000. E agora não sou eu quem está dizendo, mas os telespectadores. Segundo o blog do jornalista Daniel Castro, a emissora está cortando quase 60% das cenas originais do folhetim. Ou seja, correndo contra o tempo pra tirar do ar o que nem deveria ter entrado. E olhe que não foi por falta de aviso. No capítulo 43 da reprise já estavam sendo exibidas cenas do 108, resultando o equivalente a dois capítulos e meio da trama por dia. E nesse ritmo, ela se despede da programação em 7 de janeiro, com apenas 85 capítulos, e entrando para o time das novelas reprisadas mais picotadas da emissora.
Algum maluco de um jornal online vinculado a Globo, divulgou uma notinha anunciando que Sete Pecados bateu recorde de audiência no dia 02 de novembro. Bem, vamos averiguar o fato. O record a que faziam referência era 16 pontos na programação, o que até parece muito, levando em conta que a trama não sai dos 11 pontos desde que reestreou. Contudo, se analisarmos as telenovelas exibidas anteriormente, esse número não parece tão expressivo. Sinhá Moça já registrava esse índice diariamente quando foi reprisada, Mulheres Apaixonadas se mantinha nos 17, Alma Gêmea nos 19 e Senhora do Destino nos 21. Talvez por ser um feriado em que exaltamos os mortos, nada mais justo do que a audiência subir nesse dia. E nem deu tempo de se acostumar, o pastelão voltou aos seus 11 pontos rapidinho no dia seguinte.
A maior preocupação da Globo quanto à reprise é a sua influência no Vídeo Show (outro ser vegetativo da emissora) e na Sessão da Tarde, que acabam sofrendo com o desempenho da audiência da novela, que apesar de baixa, ainda se mantém na liderança (por falta de opção pior). Quem sabe em janeiro eles não lançam Beleza Pura, Eterna Magia, Bang Bang ou Pé na Jaca, e mudam o nome do programa também pra Vale a Pena Manipular de Novo. Afinal, essa é uma arte que a emissora domina como ninguém. E nem preciso dizer que estou de alma revigorada com o fiasco da trama. E deixo uma dica: da próxima vez, eles devem estudar melhor o conteúdo do meu e-mail se quiserem se manter na frente da Globo 2.
domingo, 5 de setembro de 2010
A Globo e os seus sete pecados - Parte 2
Insatisfeito em apenas comentar no Celeiro o meu desapontamento com a nova reprise do Vale a Pena Ver de Novo da Globo, Sete Pecados, escrevi um e-mail para a emissora, mesmo sabendo que não iria influenciar em nada a decisão deles e que pouca diferença fará a indignação de um quase paraibano com a sua programação. Contudo, surpreendentemente recebi a resposta ainda na mesma tarde. Eis abaixo a resposta da Rede Globo à minha crítica: Há muitos fatores envolvidos na escolha de uma novela para ser reprisada no Vale a Pena Ver de Novo. Alguns são artísticos - há obras que ficam datadas, por exemplo - e outros tecnológicos, que apresentam um impacto na qualidade visual da obra. Além disso, novelas com temas leves, histórias alegres, divertidas, românticas e com generosas pitadas de aventura têm maiores chances de serem escolhidas.
Geralmente, as novelas das seis e das sete se enquadram nessa categoria. Quando a Rede Globo encontra novelas mais antigas, que atendem aos critérios citados, procura dar preferência a estas.
Lembramos, ainda, que as novelas exibidas no Vale a Pena Ver de Novo são de censura livre ou sofrem edição para que se adequem ao horário.
Respeitamos sua opinião e crítica. Suas considerações serão levadas ao conhecimento da direção de programação da Rede Globo.
Cordialmente, Rede Globo.
sábado, 4 de setembro de 2010
A Globo e os seus sete pecados


















