Mostrando postagens com marcador Sandy e Junior. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sandy e Junior. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

15 Melhores Episódios da 4ª Temporada de Sandy e Junior

A quarta temporada da série Sandy e Junior foi ao ar de 7 de abril a 29 de dezembro de 2002, totalizando 36 episódios. A mais curta de todas. É a única temporada que não é ambientada no CEMA, tendo como pano de fundo o Condomínio Mata Atlântica e o espaço cultural Detonação. Totalmente reformulada, desde a abertura, tema de abertura e conceito geral, a temporada não trouxe mais os personagens Clara, Mau, Dodô e Teca, nem o time de professores, ao mesmo tempo introduziu outro elenco jovem, moradores do condomínio. Com tramas adultas, focadas no dia a dia dos personagens e em conflitos de geração, a temporada se destaca como a mais madura da série. No meu ranking das temporadas, ela se encontra como a terceira melhor. Dentre seus 36 episódios, selecionei os 15 melhores.

15º. A Megera Contra Ataca

Dona Marlene, cada vez mais amarga, chama um fiscal para apreender o jipe de Boca, que não tem alvará, e o coloca na rua. Café defende Boca e ela o demite. Enquanto está de aviso prévio, Café acolhe Boca em sua moradia, mas Dona Marlene descobre e despeja Café por justa causa. Junior leva os dois para trabalharem no seu estúdio no Detonação. Durante uma visita ao estúdio, Gilberto Gil reconhece Café do cenário musical e questiona a ausência dele. Junior então produz um show de Café no Detonação, fazendo dele um sucesso novamente. Episódio muito bem desenvolvido, que marca o fim do trabalho de Café como porteiro do condomínio e a sua retomada da carreira musical. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

15 Melhores Episódios da 3ª Temporada de Sandy e Junior

A terceira temporada da série Sandy e Junior foi ao ar de 1 de abril a 23 de dezembro de 2001, com um total de 38 episódios. Nessa temporada a participação de Sandy foi reduzida na primeira metade devido às gravações da novela Estrela-Guia, que ela protagonizava. Com o romance de Sandy e Gustavo encerrado, a produção parece, a princípio, que ficou meio perdida com o destino amoroso deles, e acabou fazendo Gustavo voltar com Clara. Já Sandy ficou sem ninguém até a saída de Gustavo da série, quando Bruno entrou, mas antes ainda teve uma tentativa mal sucedida de fazê-la se envolver com Festa. É a temporada do vilão Alvinho. No meu ranking de temporadas da série, ela se encontra como a última colocada. Contudo, dentre seus 38 episódios, selecionei os 15 melhores.

15º. Um Certo Doutor Fantástico

Durante a semana de saúde do CEMA, o colégio recebe a visita do médico sanitarista Dr. Moura, que age estranhamente com todo mundo e diagnostica Sandy com um vírus contagioso, a colocando em quarentena. Depois Rebeca e Camilo também são isolados. Bebel desconfia do médico e descobre que ele não é o verdadeiro Dr. Moura, e sim um paciente de um hospital psiquiátrico que fugiu. Enredo batido, mas que consegue se sobressair pela maneira divertida com que o médico aborda as pessoas e convence todos no CEMA de que há mesmo uma epidemia no colégio.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

15 Melhores Episódios da 2ª Temporada de Sandy e Junior

A segunda temporada da série Sandy e Junior foi ao ar de 5 de março a 31 de dezembro de 2000, totalizando 43 episódios. A mais longa de todas. É a temporada da relação entre Sandy e Gustavo e da introdução do trailer de Basílio. Marca também a entrada das crianças Duda, Talita e depois Glorinha. E também ocorre a primeira troca no time de professores, saindo Carolina e Marcão e entrando Rebeca e Miguel. No meu ranking de temporadas da série, ela se encontra como a melhor temporada do programa. Dentre os seus 43 episódios, eu selecionei os 15 melhores dessa temporada.

15º. Na Medida do Sucesso

Ritinha decide lançar sua própria grife de roupas e a galera organiza um desfile, convidando duas das maiores críticas de moda do país. Irene e Valdete ficam responsáveis por tirar as medidas da galera e costurar as roupas. Porém, Duda e Talita trocam o papel com as medidas e as roupas ficam prontas bem na hora do desfile com as medidas todas erradas. Apesar do aperto, Ritinha consegue dar um jeito e o desfile é um sucesso. Um episódio simpático e divertido de acompanhar. O desfile da galera no final traz um charme a mais à produção.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

15 Melhores Episódios da 1ª Temporada de Sandy e Junior

A primeira temporada da série Sandy e Junior foi ao ar de 11 de abril a 26 de dezembro de 1999 com um total de 37 episódios. Curiosamente, um episódio a mais foi gravado, mas acabou não indo ao ar nesse ano, apenas sendo exibido durante a temporada de férias entre 2 de janeiro e 27 de fevereiro de 2000. No meu ranking de temporadas da série, ela se encontra como a segunda melhor temporada do programa. Dentre os seus 37 episódios, eu selecionei os 15 melhores, que enumero abaixo.

15º. Na Boca do Povo

Ritinha e Max dormem na sala da torre no CEMA para terminar um trabalho de geografia e começa a circular pelo colégio um boato de que eles passaram a noite juntos, que Ritinha está grávida de gêmeos, que eles vão casar, morar em Santo André e Max vai trabalhar como torneiro mecânico. A situação só se esclarece quando Elvira chama o pai de Ritinha à escola. É um episódio muito divertido de acompanhar à medida que a fofoca vai ganhando novos contornos ao passar por cada um.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

As melhores temporadas da série Sandy e Junior

O seriado Sandy e Junior foi um marco pra geração do fim dos anos 90 e início dos anos 2000. Ao longo de quatro temporadas, a galerinha mais ou menos passou por muitas aventuras, romances, intrigas, e acima de tudo, muita amizade. Do outro lado da tela fez a diversão das tardes de domingo de muita gente pelo Brasil afora. Durante os três primeiros anos teve como cenário o fictício colégio Centro Educacional Mário de Andrade (CEMA), que funcionava na verdade no Liceu Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora, em Campinas. Ali a galera e o time de professores viviam das mais simples às mais inusitadas experiências de um turma do ensino médio. Ao fim do terceiro ano e com a formatura, a série muda de cenário na quarta temporada e passa a ser ambientada no Condomínio Mata Atlântica, agora com o dia a dia dos moradores como pano de fundo para as histórias que aconteciam. Para analisar as melhores temporadas do seriado, não irei considerar os 20 episódios de férias, que passaram entre a primeira e a segunda temporadas, e entre a segunda e a terceira, já que eles eram, em sua maior parte, reprises dos episódios já exibidos, com poucas cenas inéditas. Assim, levarei em consideração apenas os episódios legítimos das quatro temporadas. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Ranking dos álbuns de Sandy e Junior

A tarefa de enumerar os álbuns de Sandy e Junior do pior ao melhor, a princípio, pode parecer simples, afinal eles começaram muito crianças e cada álbum novo conseguia superar o anterior em qualidade, caso não fosse, eles não conseguiriam ter chegado tão longe. Contudo, a partir de algum momento essa regra é quebrada e alguns discos mais recentes conseguem ser superados por outros mais antigos. É claro que essa é uma lista bastante subjetiva, vai ter quem discorde de algumas posições, vai ter quem não abra mão daquele disco preferido que nunca foi unanimidade entre os fãs. Enfim, como fã histórico dessa dupla, ex-cover, com décadas de histórias em comum, resolvi me arriscar e descrever sobre as qualidades e a sonoridade que mais me agradam, e claro, a memória afetiva que todos esses discos e essas músicas nos trazem. Analisarei os 16 álbuns (12 de estúdio e 4 ao vivo), não incluindo o último da turnê Nossa História, por se tratar mais de uma comemoração da carreira deles e não apresentar nenhuma canção inédita. Quer sentir? Vem comigo...!

16º. Aniversário do Tatu

Era de se esperar que este disco estaria na útima posição. O mais simples, ingênuo e cru da carreira deles. Tudo muito bobinho ainda. As canções com letras bastante infantis, falando da natureza, dos animais, de fazenda, impregnado de sertanejo, seguindo a posposta da época. Consigo destacar aqui as duas canções em estilo de lambada: "Charada" e "Lambamania". O ritmo que estava em alta no fim dos anos 80 e início dos anos 90 e fez muitos artistas gravarem ao menos uma canção no estilo. Essas duas músicas fogem um pouco do padrão sertanejo do disco e conseguem se destacar. Entre as canções sertanejas, uma se sobressai, "Casamento Natural", com participação de Xororó, é uma canção despretensiosa, mas gostosa de se ouvir, mesmo hoje, passados tantos anos. Os dois singles mais famosos do disco, "Aniversário do Tatu" e "Maria Chiquinha" não dizem muito mais hoje em dia, talvez agradem algum fã pela afetividade, mas seus méritos ficam só no passado.

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Os 10 melhores episódios da série Sandy e Junior

O seriado Sandy e Junior foi ao ar de 1999 a 2002 nas tardes de domingo da Rede Globo. Um grande sucesso de audiência que catapultou a carreira da dupla, que já era sucesso no país. Os álbuns recordistas de vendas, "As Quatro Estações" e "Quatro Estações O Show", além do prestigiado  "Sandy e Junior 2001" e do disco internacional, o auge da carreira deles aconteceu justamente na época em que o seriado esteve no ar. Não dá pra negar a importância que a série teve na trajetória deles e na memória afetiva de uma geração que acompanhou a dupla e os episódios dessa galerinha mais ou menos semanalmente. Pensando nisso, decidi criar um ranking com os 10 melhores episódios que a série nos proporcionou ao longo de suas quatro temporadas. Tarefa das mais difíceis, já que são 154 episódios inéditos e mais 20 episódios intercalando trechos inéditos com reprises, que passavam no período de férias, totalizando 174, e se contar o episódio piloto que foi ao ar em 1998, fecha os 175. Entre o CEMA (Centro Educacional Mário de Andrade) e o Condomínio Mata Atlântica, muitas aventuras, romances e emoções tomaram conta dos nossos corações. Uma lista que atenda a todos os fãs é quase impossível, por isso deixo aqui essa simples contribuição daqueles episódios que mais me marcaram e me divertiram. Vamos lá!

quarta-feira, 31 de julho de 2019

O fenômeno Sandy e Junior: há explicação?

Foto: Jairo Goldflus
O retorno da dupla Sandy e Junior, em turnê comemorativa de 30 anos de carreira, segue enlouquecendo o país exatamente como no auge de “As Quatro Estações”, 20 anos atrás. Ingressos esgotados em minutos, shows extras, desespero de quem ficou de fora. A gravadora Universal, detentora de toda obra fonográfica dos artistas, também não deixou a oportunidade passar, relançou alguns CDs avulsos, depois lançou um box contendo todos os 16 discos da carreira deles (embora a qualidade dessa nova tiragem deixe bastante a desejar), e agora está lançando três álbuns em vinil, formato em que a obra deles não era lançada desde 1995, com o disco “Você é D+!”.

Não há dúvida de que Sandy e Junior ainda é sinônimo de sucesso. Evidente que o hiato de 12 anos desde que a dupla se separou, em 2007, explica bem esse “boom” em 2019. Todos querem vê-los juntos novamente, os fãs nostálgicos e uma nova geração que não teve a chance de ir a um show deles. Caso a separação não tivesse ocorrido, não acredito que eles ainda estivessem fazendo todo esse barulho. Os últimos anos juntos já demonstravam uma desaceleração da sua popularidade. Contudo, isso não desvaloriza nem apaga um dos feitos mais raros da história da música brasileira. Sandy e Junior alcançaram sucesso ainda crianças, no primeiro disco, e foram mantendo e aumentando consideravelmente esse sucesso ao longo de mais de uma década. Como isso foi possível? E por que outras duplas e grupos infantis como Balão Mágico, Trem da Alegria, Luan e Vanessa e Mulekada não conseguiram também? Tenho minhas teorias de como pequenas decisões em determinados momentos foram significativas na carreira deles.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O espelho de alguém

Quando eu era mais novo, fã de Sandy e Junior, naturalmente, queria ser como Junior. Deixava o cabelo igual, usava roupas semelhantes, tentava reproduzir seu jeito de se portar, buscando me espelhar ao máximo, naquela figura que para mim era um ícone, um modelo a ser seguido. Mas mesmo com todos os esforços, era impossível me igualar por completo. O cabelo não tinha o mesmo caimento, o pescoço dele parecia ser mais comprido, o sorriso era mais espontâneo. Contudo, a diferença mais crucial estava nos ombros. Os meus sempre foram muito largos, ombros de nadador, como me diziam, mesmo sem praticar o esporte. Junior, por sua vez, tinha a espádua curta, descendo numa nítida inclinação a partir do pescoço. Aquilo era realmente uma diferença anatômica que eu não poderia corrigir. Incontáveis vezes sonhei ter seus ombros curtinhos para que as roupas ganhassem em mim o mesmo contorno que ganhavam nele. Mas nem tudo poderia ser perfeito.

Certa vez, durante uma entrevista no programa da Xuxa, Junior foi questionado por ela, sobre algum possível defeito que gostaria de corrigir em seu corpo. E inesperada foi a minha reação quando descobri que Junior desejava ter ombros mais largos. Era isso mesmo! Aquilo que para mim sempre foi um empecilho para me “igualar” a ele, era exatamente o que Junior gostaria de ter. Foi só aí que me dei conta da ideia absurda que estava alimentando. A perfeição que eu buscava não existe, porque nunca ninguém será unanimemente perfeito. A anatomia de Junior era a ideal aos meus olhos, porque era a que estava nele, a que fazia parte do ídolo que idolatrava. Mas não tinha me ligado ainda que ele também poderia ter seu próprio ícone a se espelhar. Comecei então a dar valor aos meus ombros, afinal, não eram os de Junior, mas eram os que ele desejaria ter, e sabe lá quem mais.

Esse episódio me voltou à mente essa semana durante uma reunião no centro espírita que frequento. Sempre ao chegar, recebemos um panfleto com algumas frases, geralmente extraídas do livro Vida Feliz, de Divaldo Pereira Franco, pelo espírito Joanna de Ângelis. E nesse dia, uma das frases dizia o seguinte: “mesmo que não saibas, és exemplo para alguém. Sempre existem pessoas que estão observando os teus atos, mesmo os equivocados, e se afinam com eles. Desse modo, és responsável, não só pelo que realizes, como também, pelo que as tuas ideias e atitudes inspirem a outros”. Nunca tinha me questionado ser exemplo para alguém. Eu que sempre busco o espelho do outro. Quem iria querer me ter como modelo para qualquer coisa? Nunca faço nada de interessante. Sou um tipo tão normal que beira a anormalidade. Só um desavisado poderia enxergar algo útil em mim. Mas... e se existe mesmo esse alguém? Se realmente estou servindo de base para outra pessoa traçar suas atitudes e comportamentos? Há um perigo então aqui.

São tantos rostos cruzando nosso caminho diariamente. Tantos passos apressados em ruas que nunca pisamos, pessoas que jamais tornaremos a rever. Será que durante uma travessia numa calçada, não estamos sendo observados e inspirando alguém a nos copiar? Um simples gesto, um bater de cabelo, o andar, um sorriso. Qualquer detalhe pode despertar o interesse do outro. Afinal, involuntariamente, somos a perfeição de alguém. Nossa vida pode realmente influenciar as decisões do próximo, e ainda atrair semelhantes das variadas esferas. Encosto, arrimo, obsessor, estão todos ligados a quem de alguma forma facilitou o acesso à pessoa. Quem sabe não temos o sorriso, a roupa, o cabelo ou o ombro perfeito para algum desencarnado? Já li um caso de um espírito que se ligou a uma atriz famosa para garantir que ela não deixasse de interpretar determinado papel. Provavelmente, ele estava mais envolvido com a vida da personagem do que com a da atriz.

E exatamente como Junior não fazia ideia da fixação que eu tinha em me assemelhar a ele, essa atriz não poderia imaginar os transtornos que sua personagem causara nesse fã. É correto então atribuir aos dois a responsabilidade dos atos cometidos pelos fãs? Tenho minhas dúvidas. Não havia uma intenção direta dos artistas para os fãs tomarem determinadas atitudes. Por outro lado, independente da intenção, foi através do contato indireto entre eles que os fãs agiram. Há sim, alguma responsabilidade, com certeza, em todos os nossos atos, mas não há como saber de onde pode surgir a próxima identificação, que tipo de pensamento ou atitude pode desencadear essa afinação. Mesmo os mais singelos comportamentos, podem despertar bizarras situações. É imprevisível! Por isso, o importante mesmo é saber que observamos e somos observados todos os dias, por quem menos imaginamos. E não podemos esquecer nunca, que enquanto buscamos um espelho no outro, também estamos sendo o espelho de alguém.

domingo, 20 de março de 2011

Centésimo desatino

Parecia ontem. Não! Já faz quase 4 anos. Essa seria mais uma simples postagem não fosse o detalhe que ela é a publicação número 100 do Celeiro. Noventa e nove ideias, opiniões, sonhos, recordações e momentos hilariantes da vida desse cara aqui estão espalhados nesse espaço. O ano era 2007, outubro. A intenção: criar um blog para escrever crônicas sobre o ponto de vista do meu dia-a-dia maluco no terceiro ano da faculdade de Comunicação Social. Primeiro devo agradecer ao talentoso fotógrafo, Tareb Edson, que por perda de contato não sei se enveredou para outra profissão, de modo que pra mim ficou a imagem do fotógrafo. Foi por descobrir o seu blog, as crônicas bem-humoradas e as reflexões que fazia que me inspirei a criar minha própria página. Tanto que até hoje ainda tenho o link dele, mesmo não havendo atualizações há cinco anos. Naquela época, dava para abrir uma página e se admirar com o que encontrava, hoje de cada dez perfis no Twitter, oito tem um link de um blog, parece que já vem no pacote.

Meu primeiro texto não poderia ser outro, foi sobre o processo que me levou ao estágio do Sebrae durante a Feira do Empreendedor. O primeiro comentário que recebi foi da minha amiga Kárem, em 9 de outubro, um dia depois de publicar a primeira história. Bem, extraindo um trecho do seu enorme a carinhoso comentário, ela escreveu: "É um cantinho bastante aconchegante e que promete muitas risadas e fortes emoções!!". Não sei se consegui corresponder a profecia, mas analisando alguns dos 318 comentários que constam no Celeiro até então, pude perceber que ao menos alguns sorrisos fui capaz de arrancar. Com o passar dos anos, o Celeiro foi se modificando, ganhando modernos layouts, novas aventuras em cada publicação e obtendo reconhecimento ao mesmo tempo em que seu dono se descobria, crescia e compartilhava com ele suas conquistas e frustrações.

Hoje, 20 de março de 2011, três anos, cinco meses e doze dias após a primeira postagem entrar no espaço cibernético e o nome Celeiro do Sam começar a ser difundido, eu chego ao meu centésimo texto. Poderia já ter escrito duzentos, quinhentos ou mil histórias, ou poderia estar na quarenta, na setenta. Não! Estou na cem! Só escrevo quando sinto necessidade de externar alguma inquietação ou relatar outras peripécias da vida desse jovem irrequieto aqui, embora essa necessidade tenha sido bem mais constante nos últimos tempos. Não por acaso, ou totalmente porventura, atinjo essa meta numa data curiosa. Ontem foi aniversário da minha avó. Um ser que sempre irradia luz à minha vida. Temos uma ligação tão intensa que aos que acreditam na reencarnação, há quem diga que esse moço aqui deveria ter vivido de perto toda a febre da beatlemania, pois eu poderia ter sido o filho mais novo da minha avó que morreu atropelado no auge de Ticket to Ride.

Curiosamente, na mesma data de hoje em 1969, John Lennon se casou com Yoko Ono no território britânico de Gibraltar. Aos olhos de "todo" beatlemaníaco, ela seria a grande vilã da separação da banda e por isso condenada a eterna expiação de seus pecados. Já não parto desse pressuposto. Quem conhece a história do quarteto a fundo, sabe que o fim dos Beatles seria inevitável com ou sem Yoko. Tudo bem, ela pode ter antecipado um pouquinho, mas foi o descomunal amor da vida de John Lennon. As loucuras que esse cara fazia com ela eram inimagináveis. A canção The Ballad of John and Yoko narra esses momentos dos dois, que mais pareciam uma brincadeira com o mundo. Não sei se isso é babaquice de fã, mas se meu ídolo está feliz, devo embarcar junto na felicidade dele. E a contrapartida se mostrou significativa com uma década de memoráveis composições em sua carreira solo.

Mas 20 de março também costuma ser o dia do equinócio de outono no hemisfério sul. E a partir de amanhã, na astrologia, o sol entra no signo de áries e o ano astrológico tem início. Áries tem como elemento o fogo e entre suas características, a coragem, o pioneirismo, o entusiasmo, e também a impaciência, a impulsividade e a raiva. Bem, e eu sou ariano. Então o sol entra na minha casa a partir de amanhã e todas as minhas manifestações estarão mais acentuadas, ou não, não domino a lógica da astrologia. Mas aprendi pesquisando que áries é regido por Marte, planeta que tem o poder da conquista e da busca pela realização pessoal. Uma dica para investir nesse território? Um ariano que cruzou meu caminho em dois momentos foi Junior Lima. Na infância e adolescência ao embalar minhas aventuras ao lado de sua irmã Sandy, quando ainda não era devassa, e ano passado ao ler um texto meu no Celeiro sobre o seriado da dupla e indicá-lo em seu Twitter. Meu blog ficou mais popular que o clipe de Stefhany Absoluta. Com a diferença que continuei a pé.

Quem quase nasce ariano também é o autor de novelas Manoel Carlos. Mais uma semana e ele herdaria todo o temperamento impulsivo dessa espécie. O que talvez interferisse na construção de suas Helenas e de suas narrativas cheias de sensibilidade e romantismo, palavra-chave no pisciano. Mas seguindo os acontecimentos de 20 de março que marcam a data da minha centésima postagem, em 1815 Napoleão entrou em Paris depois de escapar de seu exílio na ilha de Elba dando início ao Governo dos Cem Dias; Albert Einstein publicou sua teria geral da relatividade em 1916; os EUA iniciaram a invasão ao Iraque em 2003; e em 2006 o Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado na Estação da Luz em São Paulo. Tudo isso não tem nada a ver comigo, nem com o Celeiro, mas achei que se encaixaria no contexto de alguma forma. Afinal, aqui tem espaço suficiente para tantas proezas, que não estaria ainda nem próximo de encerrar o primeiro ato. Tenho bastante disposição para escrever e muitos delírios ainda na alma que precisam se transformar em palavras e ideias absurdas. Que maravilha um ser pensante e a loucura de se julgar normal em meio a lucidez da insanidade. E aí quem sabe o Celeiro seguirá uma outra profecia e será imenso do tamanho do amor que um dia alguém ousou sentir por mim.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Desencanando

Confesso que pensei muito sobre qual tema iria discursar dessa vez. Quem sabe o retorno da minha carteira de trabalho com o DRT de ator, ou a impressão do meu primeiro roteiro profissional, talvez o cd duplo dos Beatles que não resisti na promoção das Americanas. Mas, o dia realmente foi bem devasso comigo e não me deixou outra alternativa a não ser tecer algumas linhas sobre o polêmico comercial de Sandy como a nova musa da cerveja Devassa. O grande trunfo publicitário não está em fazer da cantora uma "sex symbol", mas na ousadia em levar uma garota com fama de "certinha" para estampar um produto com apelativo teor sensual. Claro, e o resultado não poderia ser outro. Foi o assunto mais comentado nas redes sociais do dia. Entre aplausos e tomates, todos fizeram questão de deixar sua opinião, surpresa, admiração ou incredulidade. E o objetivo maior já foi alcançado. Ninguém se ouviu falar tanto na cerveja Devassa como agora.

Realmente a novidade me pegou de supetão. Sandy loira e sendo garota propaganda de cerveja? Que loucura foi essa? Duvidei da capacidade dela em se submeter a esse tipo de trabalho, principalmente agora que recomeçou sua carreira num estilo mais intimista. Li algumas matérias antes, vi os primeiros comentários no Twitter, mas tudo me parecia meio sem sentido ainda. Só quando vi a propaganda pelo YouTube foi que entendi a jogada da empresa. Meu passado condena e por isso não deveria opinar, mas foi realmente brilhante. Quem acompanhou a carreira de Sandy ao lado de Junior não teve como não se surpreender. Admito, assisti ao vídeo umas dez vezes. Afinal, não é todo dia que podemos ver o lado descontraído de uma cantora como Sandy subir ao palco, mostrar sensualidade e jogar bebida para a plateia. Nessas horas é que pensamos quais outras facetas ela terá escondida e só Lucas Lima tem conhecimento.

Mas deixando o mítico e indo ao factual, o que vemos representado na propaganda é nada mais que uma cena cotidiana que pode e deve acontecer a cada um, ao menos uma vez na vida. Quem nunca tomou umas a mais e excedeu na comemoração em público? Eu mesmo, um eremita contemporâneo, despojado do álcool e das baladas noturnas, quase a versão masculina de Sandy, já banquei o ridículo dançando e cantando Deslizes de Fagner nas alturas em um bar. E o mais divertido, é que não há nada de errado nisso. Eu aprecio uma vida reclusa, me manter distante das farras que a maioria da galera da minha idade curte, o que não me impede ou me condena a permanecer eternamente assim. Há momentos que é necessário extravasar, se permitir ser ousado, libertino, insensato. Revelar o lado devasso mesmo que existe em cada um. Afinal, ninguém é um bloco de gesso imutável, que nunca tenha suas nuances.

A decisão de Sandy em participar dessa campanha publicitária revela que apesar de sempre ter tido uma postura bastante reservada, ela pode ser uma mulher como outra qualquer, que quebra a rotina, sai com os amigos, bebe um pouco no bar e pode abusar algumas vezes. Nada melhor do que usar do contraditório para chamar a atenção. Se tivessem colocado uma Claudia Leite, Danielle Winits ou Viviane Araújo que impacto teria no telespectador? O improvável é mais instigante. Ainda vi por aí quem postou uma entrevista anterior de Sandy comentando que não aprecia o sabor de cerveja por achar amargo. E daí se ela não bebe do produto que faz propaganda? Garanto que Xuxa não usa Monange. E ninguém caiu em cima de Zeca Pagodinho quando fez a propaganda da Nova Schin enquanto é um degustador assíduo da Brahma. O que falta é uma maior abertura e complacência das pessoas para burlar certos preconceitos e estereótipos que se criam na mídia em torno de alguém ou algum objeto. Se Sandy vai convencer de devassa ou não, a quem importa? O que a fabricante de bebidas quer é vender, e olha que até me deu uma vontade de abandonar meu tarja preta e experimentar essa cerveja, ou quem sabe misturar os dois, ficar "doidão" e sair aí pelo mundo bem devasso.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Vâmo pulá!

Vim aqui agradecer a todos os comentários da minha última postagem "A arte do coração", e claro, a Junior Lima que chegou até o Celeiro, só Deus sabe como, e ainda o indicou em seu Twitter. Preparava uma outra postagem quando coloquei para visualizar, e de repente o contador de estatísticas online saltou de 2 para 734. Achei que deveria ter alguma coisa errada. O contador tinha enlouquecido. Subiu pra 973 e alguns comentários começaram a surgir. Só podia ser vírus. Como poderia ser real que toda aquela gente estivesse no meu blog, quando nas estatísticas normais não passa de 3 online? Foi aí que descobri através de um dos comentários, que o Celeiro tinha sido indicado pelo próprio Junior no seu Twitter. Só mesmo uma indicação dele pra fazer chover tanta gente no meu blog. E inacreditavelmente o Celeiro marcou o record de 1606 pessoas online. Meus seguidores até aumentaram.

Confesso que foi um verdadeiro presente de natal que Junior me deu. Talvez merecido, depois de tantos anos de dedicação. Fiquei paralisado por alguns instantes, sem acreditar. Quando escrevi a postagem sobre o seriado Sandy e Junior não tinha a menor pretensão de que Sandy, Junior ou qualquer outro ator lesse. Na minha cabeça só minha mãe e mais uns três ou quatro amigos iriam ler, como de costume. Surpresa foi a minha quando percebi que milhares de pessoas estavam lendo e comentando suas impressões. Alguns anos atrás, eu teria feito qualquer coisa pra chegar perto de Sandy e Junior, ou mesmo lhes enviar uma linha de carta, só para saberem que existia. Mas eu era um pequeno grão de areia, como canta Sandy. E hoje, sem nenhum esforço, eu consegui chegar até Junior, a ponto dele se dar ao trabalho de fazer um comentário na sua página pessoal.

Fiquei maravilhado pelas mensagens que recebi de tantos fãs da dupla. Percebi que como eu, existem muitos pelo país, e até fora dele, que compartilham as mesmas sensações, pensam semelhante, colegas de chacotas por dividir um passado de dedicação tão intenso à dupla. Saber que consegui levar um pouquinho de felicidade, nostalgia ou mesmo a mais insignificante sensação a quem lia, foi gratificante. Li todos os comentários. Concordo com Giulianna quando disse que viver a realidade Sandy e Junior e ter seguido o seu padrão de comportamento, a sua inocência, a sua definição de família foi muito importante para nossa formação, ao passo que poderíamos ter vivido outra realidade e ter sim um motivo hoje de nos envergonhar. Minha amiga Kárem me lembrou hoje pelo msn, depois que eu dividi minha alegria com ela, do final da postagem "A arte do coração", quando falo que o nosso verdadeiro destino pode estar escondido no passado e que só precisamos ir lá buscá-lo. Vejam só o que aconteceu depois que eu fui ao meu passado e resgatei a minha paixão pelo seriado. Literalmente sinto uma sensação louca de pular.

P.S.: Acabei de descobrir que a atriz Fernanda Paes Leme também leu.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A arte do coração

Não é novidade pra ninguém que tenho um passado Imortal recheado de fantasias juvenis, Música e Paixão. Não é novidade também que já fui de Splish Splash a Dig Dig Joy e Vâmo Pulá com grande ímpeto. Cantei, vibrei, sonhei, desejei e vivi Dias e Noites de intensa dedicação. Sandy e Junior fizeram minha infância e adolescência mais divertida, acredito. Muitos me condenam hoje por isso. Como o cara gosta de Beatles e de Sandy e Junior? É muita discordância, não? Penso que cada fase de nossa vida é cercada de descobertas, de momentos únicos, e cada uma delas serve de alicerce para sermos o que somos hoje. Sandy e Junior contribuíram com uma fase de minha vida bem antes de While My Guitar Gently Weeps ou Strawberry Fields Forever. Foram importantes na construção de um garoto que queria subir no palco, escrever e interpretar. Hoje, ambos, Beatles e Sandy e Junior não existem mais. Não, como banda e dupla. Paul McCartney, Ringo Starr, Sandy Leah e Junior Lima seguem suas vidas separadamente. O sonho acabou, já dizia John Lennon. O que sobra são coletâneas de cds, dvds, canções e lembranças perdidas na nossa memória.

Talvez a grande diferença entre The Beatles e Sandy e Junior na minha vida seja o fato de que enquanto ainda vivo hoje os Beatles como um verdadeiro beatlemaníaco, Sandy e Junior só existem no meu passado. Não Dá Pra Não Pensar em toda relevância da dupla na minha caminhada, contudo, não teria mais o mesmo pique de 10 anos atrás. Já vinha perdendo o entusiasmo de outrora em seus últimos discos. Parece realmente que o Inesquecível fanatismo havia cedido lugar e cravado seu espaço nas páginas da memória Samuel. Mas vez por outra é bom recordar situações, estações, lendas... É sempre gratificante viajar nas nossas recordações e nos permitir viver a saudade. Nos faz bem. Foi isso que aconteceu quando o novo canal de assinatura da Globosat, Viva, anunciou o retorno do seriado Sandy e Junior, que esteve no ar de 1999 a 2003 nas tardes de domingo da Rede Globo.

Naquela época eu estava em pleno apogeu do meu fanatismo pela dupla. Ao longo dos quatro anos do programa, colecionei 20 fitas VHS gravando os episódios. Me Apaixonei pelas histórias, pelos personagens, pelo colégio CEMA, pela professora Elvira, pela cantineira Irene, Etc... E Tal. Tinha um carinho muito grande pela série, e ainda tenho. Outro dia tive a oportunidade de rever alguns episódios pelo YouTube - já que meu videocassete não funciona mais, as fitas estão se estragando e eu não tenho TV por assinatura - e foi maravilhoso rever as intrigas, as paixões, os objetivos e lutas da turminha do Centro Educacional Mário de Andrade. Era como se com Gustavo, Patty, Clara, Boca, eu voltasse a ser o mesmo Samuel de 14, 15 e 16 anos e tivesse os mesmos desejos de volta, querendo estudar numa escola como a deles ou até estudar com eles, participar de um episódio, escrever outro... Nossa! Quanta Ilusão!

De alguma maneira maluca, o seriado me conectava a um ideal de vida, seja estudando em um Liceu, tendo amigos unidos, atuando ou escrevendo. Gostava da sensação que os episódios me provocavam. Sensações que talvez nem os próprios atores compartilhassem. Me sentia um Super-Herói. Sei que Sandy e Junior hoje não mantêm o carinho pela série, que eu e tantos outros fãs mantemos. Foi apenas mais um trabalho, e Junior chegou a afirmar, em entrevista a Marília Gabriela, que sente vergonha em se ver no início da adolescência. Mas quem se importa? Só queríamos o conjunto de histórias com a maior dupla pop brasileira até então. Nomes como Mariana Ximenes, Paulo Vilhena, Fernanda Paes Leme, Marcos Mion e Daniele Suzuki foram revelados no programa. No Fundo do Coração eu gostaria de ter toda a série em dvd, e através dela, nadar novamente pelos meus sonhos, rever os conceitos, bagunçar meus planos, afinal, somos sensíveis às emoções e estamos sujeitos à mudança. Quem garante que o nosso verdadeiro destino não está perdido em algum momento do passado, e só precisamos ir lá resgatá-lo? É só estar aberto e entender os mecanismos que compõem A Arte do Coração.

domingo, 1 de agosto de 2010

Pés Cansados

Quando escutei pela primeira vez que Sandy e Junior iam finalmente se separar, minha primeira reação foi de descrença, afinal, durante 17 anos eles afirmaram convictamente que jamais cantariam separados. Muito bem, eis que o fato aconteceu. Não cheguei a soltar rojão, como muitos fizeram, mas tive as minhas manifestações de desapego, como não ir ao último show deles em Campina Grande. Eu nem precisava ir pra outra cidade pra assistir o show, como aconteceu em Natal, era só pegar um transporte coletivo e pronto. Até hoje me pergunto por que exatamente não fui àquele show. Se foi querendo provar pra mim mesmo que eles não significavam mais nada na minha vida ou se eu tinha sofrido uma overdose de "Vâmo Pulá!".

Pra um fã que tinha todos os cds, 20 fitas VHS do seriado da Globo e sabia decorado os passos das principais músicas, acho que eu estava mesmo querendo fugir desse passado para construir um novo futuro. Era um basta mesmo! Chega! Até hoje não comprei o último cd da dupla, ou seja, não completei a coleção. E não queria nem saber da carreira solo de Sandy. Se ela ia voltar como uma Shakira, Beyoncé ou Mariah Carey. Assunto Sandy e Junior encerrado da minha vida. Página virada.

É, mas ela conseguiu me pegar direitinho. De cabelo curto, músicas de autoria própria, sem se preocupar em agradar o público, Sandy me surpreendeu. A música de trabalho "Pés Cansados", parece que realmente simboliza o momento em que ela vive. Como ela diz, depois de tanto caminhar, ela volta tranquila, sem se preocupar com quem vai gostar dela ou não. É, ela realmente não precisa se preocupar com ninguém e nem em vender cd, já é rica. E por isso pode ousar tanto e ser ela mesma, independente de tudo. Já Junior, bom, foi co-produtor do cd junto com Lucas e compôs algumas músicas com eles, além de fazer vocal em uma faixa. Às vezes acho que se Sandy não tivesse tido a ideia de cantar sozinha, Junior ainda estaria com ela. Mas enfim, acho que ele não pensa em lançar um cd solo.

Acredito que aprendi algo interessante com o "manuscrito" de Sandy. Eu não preciso ser um fã desesperado de um artista só por gostar de suas músicas. É isso que acontece agora, não me considero o mesmo fã de anos atrás, só porque gostei das novas músicas de Sandy. Ando longe de virar aquele maníaco obsessor. É uma outra história, me parece até uma outra cantora. Acho que todos estamos cansados de tanto caminhar. É hora de fazer que nem Sandy, esquecer os planos, o futuro, as preocupações e sentir o momento.

domingo, 16 de dezembro de 2007

Nada É Por Acaso

Algumas pessoas desejam veemente esquecer e até apagar o passado, se fosse possível, com vergonha de algumas peripécias cometidas quando não se sabia ao certo o significado da palavra "noção". Mas por que fugir e negar o nosso passado que já nos trouxe tantas alegrias em outros invernos? Era uma tarde de fim de ano na escola onde estudava na cidade de São Miguel. Eu fazia a primeira série e me destacava entre os alunos mais calmos, tímidos e comportados da escola, daqueles de grandes elogios até para a diretora. E ali naquela tarde eu estaria a ponto de descobrir a fonte que alimentaria toda uma adolescência de sonhos e fantasias. A diretora estava organizando uma festa de fim de ano na escola e levando alunos para participar recitando, dançando e dublando. E no salão dois alunos meio tímidos imitavam uma dupla recém-descoberta. A diretora se esforçava para mostrar a menina como a cantora fazia. A música era "A Resposta da Maraquinha" e a dupla era Sandy & Junior.

A princípio a música me pareceu alheia. Já tinha escutado o sucesso anterior deles "Maria Chiquinha", mas como diz o ditado, "não tinha ligado o nome aos bois". E aos poucos como quase que um feitiço fui me interessando pela música e pela dupla. Em casa sempre enfatizava os alunos que estariam dublando na festa da escola. Meus amigos debochavam a dublagem e eu seguia a onda, mesmo sentindo uma certa afinidade e até um pouco de inveja. O garoto que dublava tinha o cabelo estilo Chitãozinho & Xororó, do tipo que sempre desejei ter. Me imaginei no lugar dele imitando Junior e assim fui me identificando com a música, com o estilo e com a dupla cada vez mais.

E não foi preciso pedir ou desejar me aproximar daquela dupla, uma força oculta os direcionavam a mim. Acreditando na idéia de que criança canta para criança e que cada uma deve ouvir músicas infantis, minha tia Auxiliadora resolveu gravar em uma fita várias músicas de Sandy & Junior dos dois lps e me deu de presente. Pronto! Agora o destino estava traçado. Com aquelas músicas nas mãos e nos ouvidos a dupla estaria mais perto de mim do que imaginei. Aqueles garotinhos que cantavam "A horta", "Lambamania" e "Pó pra tapar taio" agora acabavam de ganhar mais um fã pelo país afora.
Quem deu os próximos passos para firmar essa ligação foi minha mãe. Numa tarde de domingo enquanto brincava com meus amigos na área de casa, ouvi "Splish Splash", a nova música de Sandy & Junior no Domingão do Faustão. Como minha tia já havia me abastecido com outra fita dos novos sucessos, reconheci a música e corri para a televisão. Meus olhos se enchiam de um encanto que eu não sabia de onde vinha. Minha mãe envolvida e animada com a desenvoltura daquelas crianças e vendo minha concentração, lançou um desafio: "você tinha coragem de dublar eles numa festinha?". Eu olhei para ela, sorri e concordei com um sorriso acanhado e desafiador. Era o que bastava para me animar e me lançar ainda mais nesse mundo do show business, mesmo que só para a minha cidade.

Os shows

E pouco mais de um mês depois a área da minha casa se transformava no palco da primeira festa ou showzinho de dublagem da nossa rua. Vários vizinhos compareceram àquela inovadora apresentação. E entre as atrações Chitãozinho & Xororó (eu como Xororó), Leandro & Leonardo (eu como Leonardo), Trem da Alegria, uma peça onde eu era um dos protagonistas e claro Sandy & Junior cantando ou melhor dublando "Splish Splash". Foi o grande momento. A iniciativa foi um sucesso e ao término já se cogitava a data da próxima, agora bem mais estruturada e com figurino confeccionado. A diretora da escola foi chamada nessa segunda festinha. Mas teria sido melhor se não tivesse ido. O menino que ficou no som cortou o fim da música de Chitãozinho & Xororó e eu simplesmente dei um grito com ele lá do palco e saí "vexadinho" para reclamar nos bastidores. Bom, esse fato pode ficar esquecido, assim como a cara da diretora.

Os anos foram passando, eu fui crescendo e comigo Sandy & Junior e seus novos sucessos. Agora meu cabelo já era como o de Junior. E depois de quatro festinhas em casa fui chamado para me apresentar em uma escola. Lá, numa noite fria e com o auditório lotado fui Xororó e Junior. Mais uma vez mostrei meu semi-profissionalismo e ingenuidade infantil. Adriano, quem fazia Chitãozinho comigo, espantado com a multidão, acabou dublando até a minha parte da música e eu mais que depressa tentei baixar a mão dele, mostrando a todos que tínhamos errado. É, ainda bem que dessa vez a diretora da minha escola não estava presente.

O sucesso micaelense

Bom, depois dessa fase digamos que o 'sucesso' começou a surgir. Fui chamado a outras apresentações. A primeira foi em uma mini tentativa de produzir uma festinha como as nossas na garagem da casa de uma menina. Depois eu e Katiane, a Sandy by São Miguel, fomos chamados para o aniversário de uma outra escola, a mais respeitada da cidade. Agora era a época do grande hit "Com Você". Um mês depois lá estávamos nós de novo na mesma escola para o dia das mães. Foi uma festa bem organizada, cheia de brindes e com a participação de várias mães da cidade. Enquanto esperávamos a hora, nós corríamos pela escola e algumas pessoas diziam "esses são os que imitam Sandy e Junior". Nessa hora eu me sentia o próprio Junior. No palco "Criança Esperança" e "Com Você" fizeram a alegria das crianças, dos jovens e das senhoras.

Nas ruas as pessoas já me chamavam de Junior e perguntavam pela Sandy. Não preciso nem dizer que eu ficava todo fofo. Mais três festas ocorreram lá em casa e Sandy e Junior ficavam cada vez mais marcados em mim. Por fim passei a dublar apenas eles. Sandy e Junior passaram a ser referência a meu respeito, tudo o que era novidade vinham me avisar, me perguntavam se já havia comprado o novo cd e se já havia aprendido os novos passos. Mas como tudo tem um fim decidi que era hora de parar com as dublagens. Minha última apresentação foi aos catorze anos em outra escola da cidade. Os sucessos, "Beijo é bom" e "Em cada sonho", a do Titanic. Depois de oito anos dublando, gravando vídeos e decorando passos chegava ao fim minha "carreira" micaelense.

  • Os passos hoje
Os anos se passaram. O cabelo foi cortado e voltou a crescer de novo. Mas não abandonei os garotos que trouxeram tanta alegria à minha infância. Passei a ser um assíduo telespectador do seriado Sandy e Junior com vinte fitas de vídeo gravadas. Além de apresentações no Faustão, Xuxa, Vídeo Show, Criança Esperança, shows e tudo mais onde eles estivessem presentes lá estava eu também, de longe, registrando tudo. E onde eu pisasse todos ficavam conhecendo Samuel e Sandy e Junior. Era um trio. O pessoal do ensino médio em Pau dos Ferros, do cursinho em Natal. Enfim, aquela dupla que conheci num fim de tarde na escola lá pelos sete anos de idade, agora era o registro da minha história de vida adolescente. Até que o fanatismo foi abrindo espaço para outras ideais e aquele apego foi se tornando apenas saudade do passado. O único show deles que fui em dezembro de 2001 em Natal não foi exatamente o que esperava. Não tive a plena visão deles como desejava e voltei para casa frustrado.

Hoje assisti a última apresentação ao vivo deles juntos em um programa de tv e apesar de já não sentir o mesmo que sentia quando escutava "Power Rangers" ou "Inesquecível", todas as lembranças de uma época retornam com grande saudade. As músicas que fizeram não só a minha infância como também minha juventude, que embalaram paixões e segredos. Voltar ao meu passado e não falar de Sandy e Junior é como voltar ao Novo Testamento e não falar de Jesus. Por isso, embora afirme que meu envolvimento com a dupla hoje é apenas passado, eu não tenho a menor vergonha de admitir que já fui fã, já dublei e que os registros se encontram ainda espalhados em vários cantos da minha casa, basta conferir a coleção de cds, os posters no armário e as inúmeras revistas. Parece que a separação deles significa a ruptura completa do meu passado com o meu presente. A carreira de cada um agora é um outro caminho, do qual não sei se irei acompanhar. E mesmo que não me imagine seguindo o mesmo caminho hoje, se eu pudesse voltar no tempo e viver minha infância novamente, não me pergunte duas vezes, eu faria tudo de novo.