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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Pragmatizando...!?

Por muito tempo fui perseguido pela palavra 'pragmático'. Esbarrava com ela sem nunca entender completamente o significado de alguém pragmático, mesmo consultando dicionários, fóruns yahoo e todo tipo de 'pédias'. Talvez porque eu nunca tenha sido uma pessoa pragmática. Minha vida foi alimentada de ideologias nada práticas. Uma amiga sempre me dizia que dava a solução e eu arranjava o problema. Eu gostava de acreditar em um ideal de felicidade e não abdicava de viver essa fantasia. Mas quem sonha demais em um mundo que valoriza a praticidade, parece estar sujeito a virar sonâmbulo na sociedade. Idealizar a vida é uma tarefa válida, é acreditar nas possibilidades de mudança do mundo, permitir ser romântico, cafona, piegas! Mas sonhar, sonhar... querer, querer não basta. Sem um pouco de agilidade parece que nada sai do abstrato e entra no concreto.

Fazendo uma análise das pessoas ao meu redor, depois que consegui desvendar o mistério por trás dessa palavra, descobri que sempre tive um exemplo clássico de alguém assim. A palavra que me seguia pelas esquinas estava dentro da minha própria família sintetizado na figura da minha tia Auxiliadora. Se alguém pode exemplificar o que é o pragmatismo é ela. Posso fazer um mau julgamento, mas tenho a impressão de que ela nunca se agarrou em nenhuma nuvem. Claro, ela até pode ter suas fantasias, mas nunca deixou que elas fossem a sua vida. Praticidade é com ela mesmo! Não me vem à mente nenhuma ocasião em que ela não tenha chegado a solução de algum problema com o qual se deparou. É a verdadeira desatadora dos nós, simplesmente porque onde vemos um grande obstáculo através da neblina das nossas ilusões, ela vê o prático, o ágil e o possível. 

Mas não é uma tarefa fácil abandonar as convicções adquiridas ao longo dos anos para se entregar à praticidade. Afinal, se os sonhos nos movem, como deixá-los de lado em nome de uma vida mais prática? Será que todas as pessoas idealistas virão a se tornar pragmáticas algum dia? Se é um caminho para tornar a vida mais fácil, perde-se um pouco o sentido do ser, já que uma saída prática quase nunca é a que idealizamos. E o que fazer? Frustrar-se com o mundo diante da impossibilidade das conquistas ou aceitar a solução paliativa sugerida? A vida nos força a ser pragmáticos. Diariamente situações nos obrigam a deixar de lado certos anseios e nos conformar com o que pode ser oferecido. O conformismo e o comodismo são outras armadilhas que nos distanciam ainda mais do ideal. Em um dia tenho total confiança em mim e quero desafiar o mundo, no dia seguinte o mundo parece um rival grande demais, e um buraquinho é o melhor local para se abrigar.

Provavelmente se tivesse sido uma pessoa pragmática, teria feito uma faculdade visando unicamente o mercado de trabalho e o dinheiro no bolso. O idealista, pois, cria o seu mundo ideal e segue pelos mais diversos caminhos para chegar nele, sem a garantia que um dia chegará, ao passo que o prático enxerga as garantias futuras e a estabilidade financeira e batalha por isso. Mas não sei se seria melhor ter uma vida prática, que a meu ver parece uma vida sem muito brilho ou felicidade alguma. É como se quem partisse para uma "faculdade prática" fosse desprovido de vocação e enxergasse no dinheiro o único caminho do sucesso. Então o que fazer hoje? Continuar insistindo nas possibilidades incertas daquilo que idealizo ou partir para algo útil, rápido e seguro, abandonando todo aquele universo imaginário? Às vezes, sonhar demais cansa, e um atalho pelo caminho surge quase como um oásis em um deserto tão infértil de realizações, infelizmente.

domingo, 20 de março de 2011

Centésimo desatino

Parecia ontem. Não! Já faz quase 4 anos. Essa seria mais uma simples postagem não fosse o detalhe que ela é a publicação número 100 do Celeiro. Noventa e nove ideias, opiniões, sonhos, recordações e momentos hilariantes da vida desse cara aqui estão espalhados nesse espaço. O ano era 2007, outubro. A intenção: criar um blog para escrever crônicas sobre o ponto de vista do meu dia-a-dia maluco no terceiro ano da faculdade de Comunicação Social. Primeiro devo agradecer ao talentoso fotógrafo, Tareb Edson, que por perda de contato não sei se enveredou para outra profissão, de modo que pra mim ficou a imagem do fotógrafo. Foi por descobrir o seu blog, as crônicas bem-humoradas e as reflexões que fazia que me inspirei a criar minha própria página. Tanto que até hoje ainda tenho o link dele, mesmo não havendo atualizações há cinco anos. Naquela época, dava para abrir uma página e se admirar com o que encontrava, hoje de cada dez perfis no Twitter, oito tem um link de um blog, parece que já vem no pacote.

Meu primeiro texto não poderia ser outro, foi sobre o processo que me levou ao estágio do Sebrae durante a Feira do Empreendedor. O primeiro comentário que recebi foi da minha amiga Kárem, em 9 de outubro, um dia depois de publicar a primeira história. Bem, extraindo um trecho do seu enorme a carinhoso comentário, ela escreveu: "É um cantinho bastante aconchegante e que promete muitas risadas e fortes emoções!!". Não sei se consegui corresponder a profecia, mas analisando alguns dos 318 comentários que constam no Celeiro até então, pude perceber que ao menos alguns sorrisos fui capaz de arrancar. Com o passar dos anos, o Celeiro foi se modificando, ganhando modernos layouts, novas aventuras em cada publicação e obtendo reconhecimento ao mesmo tempo em que seu dono se descobria, crescia e compartilhava com ele suas conquistas e frustrações.

Hoje, 20 de março de 2011, três anos, cinco meses e doze dias após a primeira postagem entrar no espaço cibernético e o nome Celeiro do Sam começar a ser difundido, eu chego ao meu centésimo texto. Poderia já ter escrito duzentos, quinhentos ou mil histórias, ou poderia estar na quarenta, na setenta. Não! Estou na cem! Só escrevo quando sinto necessidade de externar alguma inquietação ou relatar outras peripécias da vida desse jovem irrequieto aqui, embora essa necessidade tenha sido bem mais constante nos últimos tempos. Não por acaso, ou totalmente porventura, atinjo essa meta numa data curiosa. Ontem foi aniversário da minha avó. Um ser que sempre irradia luz à minha vida. Temos uma ligação tão intensa que aos que acreditam na reencarnação, há quem diga que esse moço aqui deveria ter vivido de perto toda a febre da beatlemania, pois eu poderia ter sido o filho mais novo da minha avó que morreu atropelado no auge de Ticket to Ride.

Curiosamente, na mesma data de hoje em 1969, John Lennon se casou com Yoko Ono no território britânico de Gibraltar. Aos olhos de "todo" beatlemaníaco, ela seria a grande vilã da separação da banda e por isso condenada a eterna expiação de seus pecados. Já não parto desse pressuposto. Quem conhece a história do quarteto a fundo, sabe que o fim dos Beatles seria inevitável com ou sem Yoko. Tudo bem, ela pode ter antecipado um pouquinho, mas foi o descomunal amor da vida de John Lennon. As loucuras que esse cara fazia com ela eram inimagináveis. A canção The Ballad of John and Yoko narra esses momentos dos dois, que mais pareciam uma brincadeira com o mundo. Não sei se isso é babaquice de fã, mas se meu ídolo está feliz, devo embarcar junto na felicidade dele. E a contrapartida se mostrou significativa com uma década de memoráveis composições em sua carreira solo.

Mas 20 de março também costuma ser o dia do equinócio de outono no hemisfério sul. E a partir de amanhã, na astrologia, o sol entra no signo de áries e o ano astrológico tem início. Áries tem como elemento o fogo e entre suas características, a coragem, o pioneirismo, o entusiasmo, e também a impaciência, a impulsividade e a raiva. Bem, e eu sou ariano. Então o sol entra na minha casa a partir de amanhã e todas as minhas manifestações estarão mais acentuadas, ou não, não domino a lógica da astrologia. Mas aprendi pesquisando que áries é regido por Marte, planeta que tem o poder da conquista e da busca pela realização pessoal. Uma dica para investir nesse território? Um ariano que cruzou meu caminho em dois momentos foi Junior Lima. Na infância e adolescência ao embalar minhas aventuras ao lado de sua irmã Sandy, quando ainda não era devassa, e ano passado ao ler um texto meu no Celeiro sobre o seriado da dupla e indicá-lo em seu Twitter. Meu blog ficou mais popular que o clipe de Stefhany Absoluta. Com a diferença que continuei a pé.

Quem quase nasce ariano também é o autor de novelas Manoel Carlos. Mais uma semana e ele herdaria todo o temperamento impulsivo dessa espécie. O que talvez interferisse na construção de suas Helenas e de suas narrativas cheias de sensibilidade e romantismo, palavra-chave no pisciano. Mas seguindo os acontecimentos de 20 de março que marcam a data da minha centésima postagem, em 1815 Napoleão entrou em Paris depois de escapar de seu exílio na ilha de Elba dando início ao Governo dos Cem Dias; Albert Einstein publicou sua teria geral da relatividade em 1916; os EUA iniciaram a invasão ao Iraque em 2003; e em 2006 o Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado na Estação da Luz em São Paulo. Tudo isso não tem nada a ver comigo, nem com o Celeiro, mas achei que se encaixaria no contexto de alguma forma. Afinal, aqui tem espaço suficiente para tantas proezas, que não estaria ainda nem próximo de encerrar o primeiro ato. Tenho bastante disposição para escrever e muitos delírios ainda na alma que precisam se transformar em palavras e ideias absurdas. Que maravilha um ser pensante e a loucura de se julgar normal em meio a lucidez da insanidade. E aí quem sabe o Celeiro seguirá uma outra profecia e será imenso do tamanho do amor que um dia alguém ousou sentir por mim.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O papel do papel

O papel em minhas mãos. Seis anos após colocar os pés pela primeira vez na reitoria da Universidade Estadual da Paraíba, senti que seria a última vez ali. O curso durou quatro anos, meu dilema com a monografia mais um e meio e eis que finalmente recebo em mãos aquele papel que vai me garantir ter concluído um curso superior. No papel a reitora me confere o título de bacharel em comunicação social e outorga-me o presente diploma, a fim de que eu possa gozar de todos os direitos e prerrogativas legais. Folha bonitinha, assinatura da reitora e da pró-reitora de graduação, um espaço para eu assinar meu nome (de caneta preta), como enfatizou a senhora responsável que me entregou o diploma, e ainda me advertiu que não se "emplastifica" diploma, caso eu quisesse passar na primeira xerox, emoldurar e pendurar na parede do meu apartamento como um troféu. E olha que diploma de jornalista já teve seus dias de mais valor.

Cheguei em casa, troquei de roupa, fiz um suco de polpa de pinha, tomei dois copos, entrei na internet e só aí me lembrei que tinha de retirar o diploma da mochila e guardar. Abri o envelope, que tinha se amassado um pouco dentro da mochila, retirei o diploma, coloquei-o sobre a cama e fiquei olhando aquele papel. Analisei cada detalhe. Não como um formando estupidificado, mas com uma mente que voa além daquela página e procura entender a lógica e a mágica presente nas entrelinhas daquela folha. No centro lá no alto, o brasão da República Federativa do Brasil, logo abaixo o nome da universidade e o nome "diploma" quase que desenhado à mão; meu nome, minha data de nascimento, meu RG, a cidade onde nasci e as palavras "bacharel" e "comunicação social" em maiúsculas e em negrito. Abaixo das assinaturas, o brasão do estado da Paraíba e o logo da UEPB. Ah, e atrás ainda havia uns selinhos garantindo que o curso era reconhecido pelo decreto federal 82673 e a assinatura do chefe do setor.

Honestamente, o que eu faço com isso? Onde coloco? Mando plastificar só de pirraça com a senhora? Guardo numa gaveta, num livro? Penduro no espelho do banheiro? Talvez continue dentro do envelope. O bom vai ser não ter amnésia de onde coloquei quando um dia o procurar. De fato, esse papel não passa de mais uma folha em meio a tanto papelada que cruza nossa vida. Não desmerecendo o curso e a profissão de ninguém. Mas o que esse papel atesta além de dizer que somos formados em tal curso e universidade "a" ou "b"? Nada. Podemos adquirir muitos na vida, fazer coleções de diploma. Se não desempenharmos bem a nossa função, o banheiro é um destino melhor para esses papéis. Não somos o diploma. Somos o que aprendemos e descobrimos ao longo da caminhada. No papel podemos ser o doutor em engenharia da biofísica nuclear, mas se na prática não correspondermos ao que está escrito, já era. Do mesmo modo, outros não necessitam de títulos para se destacar.

A grande questão que quero enfatizar é o amor e a dedicação de cada um com o ofício que foi tomado como seu. Se há verdade, se há paixão, com certeza será um profissional além da folha de papel. Caso contrário, passará a vida em busca de mais títulos que o tornem o que jamais será. Como escuto constantemente dos meus diretores de teatro, não basta interpretar, tem que acreditar. No meu caso, que nunca tentei nem interpretar um jornalista o que dirá acreditar ser um, a situação se complica um pouco. Se continuar seguindo a onda periculosa da imprensa na tentativa de ser o grande repórter, traçando mais títulos que um recordista olímpico no intuito de me fazer crer nessa verdade, não dará certo nunca. Porque não serei um bom jornalista nem aqui, nem na lua. Aliás, preferiria estar lá, explorando o universo, se tivesse estudado pra ser um astronauta, ou cosmonauta, quem preferir dar crédito aos russos. Gosto de escrever, não há dúvida. Mas como diria Leporelo, o "fiel" escudeiro de Don Juan, que com seu diminuto bom senso e seu parco entendimento ver as coisas melhor do que todos, sei que me falta a desenvoltura essencial para um bom jornalista, e percebo que o que escrevo está mais próximo de Rubem Braga e Manoel Carlos do que de Heraldo Pereira ou José Marques de Melo. Portanto, vou guardar meu diploma, na esperança de um dia poder fazer uso dele. Não com a habilitação em jornalismo, mas como bacharel em comunicação que me permite escrever rios sem fim de imaginação.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Menino reconhecido

Há pouco menos de um ano, eu não teria certeza se concluiria o meu curso de comunicação social. Longe da universidade desde 2008, estava empurrando a muralha da monografia com a barriga. A meta era sair das 10 páginas que fiz em um único feriado e que nunca foram revisadas por nenhum orientador. O tema entre espiritismo e telenovela me empolgava, mas não o suficiente para escrever mais umas 30 páginas. Um desafio maior ainda surgiu quando em março desse ano, Ana Célia e Kárem resolveram me chamar para integrar o time na produção de um videodocumentário. O objetivo era entregar o trabalho até o mês de julho a tempo de concluirmos o curso no meio do ano. Aceitei o desafio. Afinal filmar era bem melhor do que escrever páginas de um trabalho que já estava fadado ao fracasso antes mesmo de começar.

Um artista plástico autodidata da cidade de Sumé era o tema do nosso vídeo. Miguel Guilherme deixou uma incrível obra de toda sua história de pintor, escultor, músico, poeta e teatrólogo. Era sem dúvida nenhuma um grande artista. Mas com o tempo nas costas, só me preocupava em encontrar os entrevistados, filmar as obras, o seu museu, e correr de um lado ao outro, fotografando, produzindo ofícios e fazendo alguns contatos. Realmente foi um trabalho árduo, e eu tinha consciência que seria, se quiséssemos algo com o mínimo possível de qualidade, ou então seria muito fácil fazer qualquer coisa. Viajamos, lemos, nos aprofundamos a cada dia. Tentei brincar com o Premiere, mas ele não quis assunto comigo. Então parti para o Vegas. Noites de dor de cabeça e muito moto-táxi editando os 15 minutos do documentário.

Com o prazo esgotado, conseguimos apresentar o trabalho e garantimos não só a nota máxima, como a conclusão do curso superior. Aleluia! Mesmo não sendo a graduação dos sonhos, era gratificante saber que aqueles anos puxados à carroça deixariam algum mérito agora. Finalmente pude apreciar a obra de Miguel Guilherme sem me preocupar com tempo, câmera ou entrevistas. Agora simplesmente podia tomar consciência do grande gênio que a Paraíba possuiu. E Ana Célia foi mais adiante. Resolveu inscrever nosso vídeo no Fest Aruanda, o festival de cinema de João Pessoa. Inscrito no último dia, fiquei feliz em saber que ele havia sido selecionado. Só o fato de estar sendo exibido a pessoas de diversos estados já seria uma maneira de promover o acervo tão esquecido de Guilherme. Ganhar algum prêmio seria pedir até demais. Era só um vídeo de conclusão de curso. Todavia, o nosso videodocumentário Menino Artífice ganhou na categoria de melhor documentário paraibano e na votação do júri popular também. Posso pensar que fizemos um trabalho profissional o bastante para tal reconhecimento, mas acredito que dentre as falhas de iniciantes no universo audiovisual, o tema escolhido e sua relevância no cenário paraibano e nacional foi o grande destaque e o verdadeiro vencedor desse prêmio. Mais um reconhecimento pelo esforço e dedicação, Miguel.

domingo, 15 de agosto de 2010

Queimei a beca!!

Finalmente aconteceu a última solenidade da conclusão do meu curso, a "grande" colação de grau, que serviria de fato para a entrega do diploma de graduação, o que não é bem assim na minha universidade. Bom, como não poderia deixar de ser, o grande dia não passou em branco, na verdade passou bem passado até demais. Depois de minha colega de turma descer ao som das minhas colagens de música no baile de formatura, e o apresentador me chamar de Francisca Samuel, eu tinha que marcar esse outro dia de alguma forma. E eis que o marquei a ferro quente.

Um dia aparentemente normal até então. Fuçava na internet até umas 3h da tarde, quando resolvi que era hora de desamassar a beca da universidade que havia alugado a R$ 5,00. A cerimônia de colação era dali a 2 horas. Pego então a beca, ligo o ferro, procuro a graduação correta do tecido, que na minha cabeça era linho, afinal era uma beca, tinha que ser um tecido bom, e deixo esquentar enquanto volto ao computador. Alguns minutos depois, me lembro do ferro e corro pro quarto, pego o ferro, que a essa hora já estava mais do que na temperatura correta, e enfio na manga com tudo. Com tudo mesmo, porque quando o retirei, a manga veio junto, e o que sobrou foi um buraco em formato de triângulo na linda beca da universidade.

É, o estrago estava feito a pouco menos de 2 horas da colação. O que fazer? Ligar pra universidade e tentar pegar outra beca? Mas num sábado à tarde? Ainda tentei, mas ninguém atendeu. E olha que tentei vários números que encontrei no site. Nada! Bom, estava decidido a não ir mais, quando liguei para minha amiga Ana Célia, que iria colar grau também, contando a situação. Incentivado por ela, resolvi ir assim mesmo, afinal o que era um buraco em uma beca no meio de tanta gente vestida igual? Peguei linha e agulha e juntei as pontas do buraco, disfarçando a sujeirada. Nessas horas eu agradeço os vários dias que passei costurando as túnicas dos fantasmas para a peça de Pluft.

O local do evento estava lotado. Eu pensando que seria uma cerimônia simples com os aluninhos, me deparo com uma grã-finada se exibindo com suas becas sem buraco. Bom, tomei fôlego e fui. Fiquei meio que escondidinho, querendo fugir dali. Quanto à cerimônia se resumiu ao seguinte: um aglomerado de alunos vestidos de preto sentados num salão enorme com os padrinhos do lado, ouvindo o vice-reitor, os diretores dos centros acadêmicos tecerem elogios à universidade e um bocado de baboseiras. Me deu fome. Mas num dava nem pra sair e comprar uma pipoquinha porque todo mundo ia olhar pro meu buraco - no bom sentido. Depois de todo o blá blá blá, teve lá o juramento, que eu particularmente não estendi a mão e nem jurei nada. Pra quê? Já minto demais na minha vida.

Logo depois começou o tal ato da colação de cada centro. Um só aluno subia ao palco em nome de todos, enquanto os outros ficavam sentados esperando a varinha de condão invisível os coroar graduados. Ah!! Palmas, mais blá blá blá e confetes. Confesso que não senti nada de diferente depois. De repente, surge uma mulher no meio daquela tinta preta com uma lista e uma caneta na mão: "assine aí seu nome". Pronto? Me formei? Acabou a tal colação? E pra que diabos a gente tinha que estar vestido com essas becas, se nem fomos chamados um a um ao palco pra receber o diploma, como deveria ter sido? Se era só pra assinar uma lista de presença, eu deveria ter ido com minha roupa normal e deixado aquela beca queimada em casa, ou melhor, nem deveria ter alugado.

Bom, o desfecho dessa história se deu nos dias seguintes quando comprei um outro tecido lá, bem diferente do linho, e levei a uma costureira pra refazer a manga. Ah, e claro, quando se trata de universidade e fim de curso, tudo tem que complicar um pouquinho mais pra mim. Justamente o dia que escolhi pra ir à universidade devolver a beca, agora sem buraco, dou de cara com a intervenção do vigia me impedindo de entrar: era feriado na universidade naquele dia, sabe Deus de quê. Então só na semana seguinte consegui devolver a beca e dá entrada na papelada do diploma, que só tem prazo de ficar pronto em no mínimo três meses.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Discurso de Formatura

Prezados senhores, é comum ouvir de nossos pais e professores que quando mantemos um foco no nosso objetivo, temos muito mais chances de ser um profissional de sucesso. Acredito que seja verdade. Talvez por isso uma grave miopia me impediu de focar no jornalismo. Nunca sonhei ou idealizei essa cerimônia, como acredito que muitos aqui fizeram. Aliás, nem deveria estar aqui, já que devendo o Trabalho Acadêmico Orientado, não é esse o ano que me fará jornalista.

A primeira vez que olhei para mim diante de um espelho e pensei num misto de satisfação e insegurança “vou ser jornalista”, foi aos 19 anos, quando recebi o resultado de que havia passado no vestibular. Quatro anos depois olho novamente para o espelho e mal posso ver um caminho atrás das grandes montanhas do mercado de trabalho. O único consolo que tenho é saber que terei cela especial caso cometa um dia algum crime.

Durante esses quatro anos tive muito tempo para refletir se estava no caminho certo, se deveria ter optado por outra carreira e cheguei a muitas conclusões. Uma delas é que definitivamente correr atrás da notícia foi um dos grandes vacilos da minha vida. Não tenho o menor talento para a imprensa. Contudo, já que estava aqui, iria até o fim, até porque essa experiência me ajudou a descobrir o teatro, minha verdadeira paixão.

Acho que nada saiu como pensava ou imaginava o universo acadêmico. Não teve trote no primeiro dia de aula. Que universidade que se preza dispensa um bom trote com os calouros? Ao invés disso fomos recebidos com salgados e refrigerante. Já começamos mal acostumados. Primeira semana sem professor e alguns alunos já desistem do curso. Já pensou se todos tivessem feito o mesmo? Não estaríamos agora nesse salão com os nossos pais, amigos e usando trajes finos.

Nossa turma foi um grupo difícil de se definir. Aliás, definição era o que mais faltava, desde a cor da camiseta ao nome da placa. E os ânimos também foram bastante acirrados. A cada ano, novas descobertas, novos inimigos e novos amigos, graças a Deus. Disputas de poder, de inteligência, de superação. Temperamentos fortes e pessoas intransigentes. Ciúmes, inveja, cobiça. Acho que nesses quatro anos fomos leões e gazelas. Ninguém escapou! Perseguimos e fomos perseguidos. Abraçamos e nos apunhalaram. Apunhalamos e fomos abraçados. Não dava mais para saber quem sorria com o coração ou quem sorria com o fígado. Éramos estranhos e íntimos ao mesmo tempo. Não era maluco?

Porém, sobrevivemos e superamos todas as desavenças em busca de uma causa maior, o futuro. Amadurecemos! Aprendemos a viver com as diferenças. Grandes amigos conquistei, outros aprendi a respeitar, mas todos sairão com pelo menos ‘um’ que ficará pra sempre. Se isso fosse teatro, diria que vivemos da tragédia a comédia, mas não é teatro, é jornalismo, e assim nada mais vivemos do que manchetes de jornais.

Ah, não posso esquecer dos mestres, os nossos grandes formadores. Alguns merecem agradecimentos especiais. Tão especiais, que se eu citasse seus nomes aqui, talvez pudesse até ser processado. Porque aprendemos na universidade que jornalista tem que saber a verdade, mas nem sempre pode revelá-la, senão alguém tapa nossa boca. Aqui é igualmente. Mas cada um sabe na consciência os que merecem realmente o nosso respeito e aqueles que só se preocupavam com seu salário no fim do mês, e às vezes nem isso, porque não apareciam. Quantas cadeiras inúteis! Não pelo conteúdo, mas por quem estava à frente.

Agora estamos aqui quatro anos após o primeiro encontro prestes a sermos lançados na vida. Os ensinamentos ficaram, as conquistas acadêmicas iremos levar para o currículo, uma bagagem cultural nos torna mais dignos do que pretendemos exercer, embora um mundo de inseguranças e incertezas ainda nos rodeie. Estou certo de que todos buscarão o seu melhor para mostrar na prática aquilo que aprenderam na academia. Afinal a academia da vida é mais dura de vencer. E mesmo aqueles que trilharem outros rumos levarão sempre alguma lição desses anos. Enfim, está tudo só começando. Muita estrada a percorrer e um mundo de possibilidades ainda por vir.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A Nova Postagem

Quando criei o blog do celeiro imaginei um espaço onde eu pudesse expor todas as minhas idéias sem nenhuma objeção. Levantar pautas cotidianas, flashes que passassem sobre a minha mente e me inspirassem em mais uma postagem. A princípio acreditei que elaborar e organizar essas idéias seria algo fácil e de grande prazer. Os comentários que recebia me dava novo fôlego para continuar escrevendo sem parar. Contudo não contei com as circunstâncias do cansaço e da falta de tempo. O blog passou a ficar congelado em algumas postagens por mais tempo do que eu imaginava ou quisesse.

As pautas que criei se aglomeravam na caderneta e eu tentava em vão lutar contra a correnteza. Quando planejava escrever algo, outra coisa acontecia e me fazia adiar aquela postagem. Agora finalmente havia me decidido retornar ao ofício, porém descobri que nem tudo eu posso falar no Celeiro. Sempre acreditei que nossa vida é feita de etapas, fases ou até numa linguagem mais roteirística, temporadas. E a cada fim dessa jornada nos deparamos com o medo da nova e a saudade da antiga. É uma fase de transição e mudanças, porém feliz, onde a confraternização reina e pede mais que carona.

Sempre fui bastante reservado quanto à demonstração pública dos meus sentimentos. A manter uma fria e distância satisfação na frente dos outros e a pular e a gritar sozinho no quarto. Talvez tenha levado mais que a sério o ditado “alegria de pobre dura pouco” e se durasse muito pouco mesmo a decepção seria mais fácil se eu não tivesse manifestado nenhum sentimento. É uma fuga da desilusão, do sofrimento. E tomando como partida o “pouco” do ditado popular, eu acabei me convencendo que minha vida seria melhor se eu a dividisse por curtas fases.

E assim comecei a enxergar meus dias e meus anos. Foi a fase da infância, do ensino fundamental no CEDOC lá em São Miguel, do ensino médio no Educandário em Pau dos Ferros, a fase de Natal e até agora a fase da faculdade. Dentro de cada fase dessa eu encontrava outra maneira de dividi-las em etapas menores. O 1º e o 2º ano do ensino médio, 1º e o 2º ano em Natal, cada ano da universidade. E o simples fato do início de um novo ano que eu tomo como o começo de uma nova temporada. Cada fase tinha que ser curta o suficiente para deixar saudade até dos piores momentos. Baseado também em um outro dito popular “tudo o que é bom dura pouco”. Assim, não tornaria a vida monótona e deixaria uma trilha de saudade pelo caminho.

E foi assim que cheguei ao fim de mais uma fase na minha vida. O programa "A Voz da Comunidade" que fazia ao lado de outros amigos em duas difusoras na cidade chegou ao fim essa semana. Ele seria a nova pauta para o Celeiro, mas diferente do fim das novelas brasileiras que sempre buscam a felicidade dos personagens, ele tomou gancho nos finais das temporadas de Smallville dos Estados Unidos, que sempre terminam com grandes desastres como tornados, chuva de meteoro, acidentes e até um suposto fim do mundo. Descobri que as catástrofes que se abalaram sobre essa minha última fase me impediriam de escrever sobre todas as experiências que vivi ao longo dela. Ela fugiu do meu controle e as manifestações públicas de sentimento saltaram com grande ímpeto. Porque se por um lado os bons sentimentos conseguem ficar guardados comigo, por outro, os maus me fazem explodir diante de qualquer um.

A paciência que algumas vezes consegue reinar no meu peito e na minha cabeça, se transforma em um misto de animosidade e fúria diante da injustiça e do desgaste mental. É o vômito de todos os sapos engolidos ao longo do percurso. Gostaria de ter feito um belo texto de despedida de uma grande e importante etapa da vida universitária, mas o único que posso fazer é lamentar o inesperado e analisar como um simples fato pode mudar os rumos de toda uma história. É entender que nunca encerramos algo sem antes nos certificarmos que ele já não existe mais. Que até o último segundo tudo pode mudar. E como uma temporada de Smallville, espero que novos acontecimentos se desenrolem na próxima temporada, consigam resolver esses impasses e reservem novas e surpreendentes emoções, porque a vida não pára e as temporadas continuarão até quando todos os fãs já as tiverem abandonado e a audiência não se sustentar mais no canal.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O PDF do PageMaker

Às vezes quando conseguimos ser bom em alguma coisa queremos que os quatro ventos do hemisfério tomem conhecimento, muito embora esses quatro ventos sejam apenas alguns poucos amigos e conhecidos. A primeira vez que bati os olhos no programa de diagramação de periódicos PageMaker eu não imaginava que conseguiria adquirir tanta afinidade com ele. Tenho que confessar que achei o programa legal e prático, mas jamais pensei em me tornar um fã, por assim dizer, do programa. E esse meu fanatismo foi resultado de elogios de trabalhos produzidos e confiança dos amigos e acima de tudo a minha, pois se eu não acreditasse em mim não conseguiria mesmo diagramar uma única página.

Aos poucos os resultados do meu trabalho começaram a se expandir pela faculdade e ganhei ao lado de outra colega Fernanda a oportunidade de diagramar um jornal comunitário idealizado pelo professor de Técnica de Entrevista e Reportagem. O Olhar Comunitário foi o reconhecimento da nossa capacidade como diagramadores, não que os outros alunos da turma fossem incapazes de tal fato, mas que dentre 22 nomes na sala de aula os nossos foram os citados.

É, isso mexe com o ego de qualquer um, mas talvez um 'expert' em PageMaker ficasse na sua e não resolvesse divulgar sua satisfação em uma comunidade virtual no maior site de relacionamentos da internet, o orkut. Dois dias depois do ponto final na diagramação do jornal comunitário surge a comunidade Só Dá "Eu" No PageMaker. Convencido, prepotente e egocêntrico foram algumas definições que ouvi de amigos na faculdade. Mas, pensei eu, existem tantas comunidades fúteis e sem conteúdo na internet que não haveria mal algum em alimentar essa demasiada altivez. Engano! Mal sabia eu onde acabara de me enfiar.

Já dizia meu avô, "aprenda de tudo um pouco na vida para usar do que precisar", mas eu esqueci de anotar que era preciso saber uma quantidade suficiente para poder usar. E algumas semanas depois de circulação da comunidade na internet, recebo um recado de uma garota chamada Lilian. Ela dizia estar com dificuldade em converter um arquivo de PageMaker para PDF e pedia minha ajuda encarecidamente, já que eu me dizia ser tão bom. Pronto!! Agora ajude a menina e mostre que você é capaz. !?%*$# Ai! Ai! Como se faz isso mesmo? Será que um especialista esqueceria algo tão simples assim? Lembro vagamente de ter convertido uma vez. Desculpas! Desculpas! Acho que é porque deve ter outro programa para isso. É, o Acrobat. Ih!! Adianta não, viu? Devia ter escutado o conselho do pessoal da faculdade. Bom, hora de estender a bandeira branca.

Me rendi e pedi ajuda a Kárem pelo bate-papo virtual. Piadinhas à parte. Eu merecia. Onde foi parar toda aquela presunção que de repente o deixou incapaz de resolver um simples probleminha? Pobre Lilian, não imaginava que o superdotado aqui ainda era um mero aprendiz e que seu problema era apenas um reflexo de uma pseudodominação que eu exercia sobre o programa. Tentativas aqui, tentativas ali. Kárem e eu ficamos numa investigação noite afora para tentar solucionar o aparente problema de Lilian, que na verdade era nosso também. Nada! Caramba! Como se modifica isso? Finalmente achei uma frecha no próprio tópico de ajuda do programa. Aliás, encontrei várias dicas de se converter, mas não conseguia nenhuma tentativa. Bom, minha parte eu tinha feito e quem tinha que converter o programa urgentemente era Lilian e não a gente. Enviei todas as dicas que encontrei para os recados dela no orkut. Deram três recados completos. Missão cumprida. Ou quase.

Toda a dificuldade que encontrei para solucionar esse problema mexeu com minha segurança e me fez analisar até onde sou mesmo "bom" na diagramação. A vida é cheia de novidades e vive nos surpreendendo. Talvez por isso tenha me dado essa rabanada para eu colocar a cabeça no lugar e entender que ninguém é melhor do que ninguém, no mínimo se destaca em algo e só. Na manhã seguinte recebi outro recado de Lilian agradecendo minha atenção e informando que havia conseguido a tão "difícil" conversão do arquivo para PDF. Bom, se foi com minha ajuda eu não sei, mas agora eu serei bem mais cauteloso quando lidar com assuntos que ainda não domino por completo. A comunidade continua lá, mas a responsabilidade da idéia que criei aumentou. E muito.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A cabeça na lua - Primeiro estágio

É comum ouvir de amigos, namorada e até de conhecidos que vivo no mundo da lua, não sei se isso tem a ver com meu jeito de ser ou se algumas vezes pareço mesmo um astronauta em órbita espacial. Bom, o que sei é que essa minha habilidade move freqüentemente a minha vida e me leva para horizontes jamais conhecidos. Era mais um dia de aula na universidade e tudo parecia seguir sua rotina corriqueira, acordei às 6h30, peguei o ônibus depois de uma espera infeliz e cheguei atrasado como sempre na faculdade. Lá, encontrei minha trupe e fiquei sabendo da inscrição para um estágio no jornal A União, acho que nem dei muita importância. Kárem, uma das minhas fiéis escudeiras disse que iria fazer o teste, Léa e Izabel disseram que também fariam, logo um contingente de alunos estavam dispostos a fazer, pensei então: "-ah, é importante, acho que vou fazer também, tenho que me esforçar pra ser um menino culto, e nessa altura da faculdade sem estágio o que vier é lucro". Então peguei a canetinha e me inscrevi junto dos meus amigos, com a cabeça mais em Antares do que na atitude que estava tomando.

Eis que o bendito dia chega e pra variar nem estava me dando conta que era o dia. Queria assistir aula de PageMaker quando de supetão a minha escudeira kárem me avisa do teste, Kárem, sempre ela. Entrei na sala e a primeira coisa que me veio à cabeça foi a torta de frango da lanchonete Sulavit no centro da cidade. Olhava em volta e via um bando de gaviões loucos para abocanhar o primeiro e único lugar do estágio, enquanto o pobre de mim não conseguia parar de pensar no meu estômago. Bom, pra embrulhar ainda mais o intestino, a prova era a produção de uma matéria sobre o preço do álcool. Ihh, álcool e frango, nem o suco de maracuya do Sulavit perdia. Bom, mas vamos lá!! Tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá!! Ufa! Tá tá tá tá!!! Uma hora e meia depois o filho nasce. Até que ficou legalzinho, talvez não digno de um primeiro lugar, mas na batalha.

Acho que o maior medo não foi fazer o teste e sim a dúvida: "serei capaz de exercer a função no jornal?". Sei que já estou no terceiro ano de jornalismo, mas as dúvidas e incertezas sobre o caminho e todo o processo de uma carreira de sucesso parecem aumentar ainda mais. A falta de um exercício prático dentro do campus e até mesmo de um jornal que circule entre nós é bastante angustiante, embora isso seja em parte culpa de nós alunos que não tomamos uma atitude e deixamos as coisas ao descaso. Bom, mas voltemos ao meu teste da União que vida política não combina comigo.

Pois é, o resultado saiu alguns dias depois. E como eu esperava não fui o escolhido, mas faltou pouco. Tudo bem, fica pra próxima. E que próxima!? Eu não esperava que ela fosse tão rápida assim. Mais uma vez assistindo aula do adorado PageMaker, a portadora de boas notícias, a professora Cássia entra e avisa que cinco alunos que fizeram o teste para o jornal A União foram reaproveitados para um outro estágio no Sebrae, ou seja, reciclaram os alunos numa nova seleção já que não teriam tempo de fazer outra. E adivinha quem estava no meio desses selecionados?! O cara de bobo aqui olhando para a meia da professora. "-Hã?" "-Eita, caiu a ficha? É você mesmo, cara, você foi escolhido" "Caramba, será que eu sei pra onde tô indo?"
Poderia não saber, mas em meio a tantas dúvidas eu tinha uma certeza, meu texto tinha ficado legal, então o que quer que eu fosse fazer, só faria o que estava ao meu alcance e afinal era hora de testar esse lado jornalístico escondido aqui dentro.

E assim fui eu para o meu primeiro estágio. E pensar que tudo isso começou quando fui levado pelos meus amigos a fazer um teste movido mais por um sentimento de culpa e inativez do que por vontade própria. É... eu e minha cabeça no mundo da lua. Mas aí eu me pergunto, se ela tivesse na Terra, em Júpiter ou em Saturno teria mudado alguma coisa? Talvez o preço do álcool e da gasolina do texto disparassem e enfrentasse turbulência no cinturão de asteróides. Mas isso não vem ao caso. Ah... e quanto ao estágio, isso já é capítulo de uma outra história.