Mostrando postagens com marcador Roteiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Roteiro. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Bem antes do útero

E naquela tarde, Pablo cruza com Marcelo na entrada do Pavilhão da Reencarnação.

– Oi! Você por aqui... Vai reencarnar também? – pergunta Pablo.

– Não. Vim só pegar alguns dados do planejamento do meu primo – responde Marcelo.

– Ah, tá. Tenho te visto pouco aqui. O que anda fazendo? Ainda ajuda na produção do setor de alimentos?

– Só meio expediente. Sou concursando agora.

– Como?

– Estudo pra concurso público. Minha turma tem mais de cem alunos. Não viu os outdoors? É aquele Aprovação Master com os professores que chegaram da Colônia Bom Jesus do Sucesso.

– Não, eu nem sabia que havia concurso aqui no astral.

– Não. Não há.

– Então...

– É que pretendo prestar concurso pra analista da Receita Federal em 2035 no Brasil. Os professores conseguiram ter acesso à maior parte dos conteúdos que provavelmente irão cair nessa época e nos passaram.

– Nossa! Mas tá um pouco adiantada essa sua preparação, não? E se você resolver seguir outra profissão quando encarnar?

– Não, não tá não. Minha futura tia se preparou com duas encarnações de antecedência pra analista do senado. Dom Pedro Segundo ainda governava o Brasil e ela já estudava aqui numa turma intensiva pra esse cargo. E eu já planejei tudo. Com os conhecimentos que já obtive aqui, provavelmente eu consigo terminar o ensino médio com 14 ou 15 anos. Faço faculdade de economia ou administração - porque não tenho muita afinidade com direito -, paralelamente a um bom curso preparatório, e em seguida presto o concurso. Se eu tiver sorte, passo no primeiro.

– Com toda essa preparação, é impossível não passar.

– Não é garantido. Só na minha sala tem uns quarenta que querem o mesmo cargo que eu. E a tendência é a concorrência ficar cada vez maior. Mas eu tô me preparando, se não for no primeiro, tento o segundo, o terceiro... E você? O que pretende ser dessa vez?

– Ah... bom... Eu tô me planejando pra fazer filosofia, que é uma ciência que tenho interesse.

– Eu não aconselho o setor privado. Ele é até bom pra quem tem determinação, mas os resultados são a longo prazo, você só começa a ganhar bem lá pelos quarenta, e ainda assim pode ir pra rua a qualquer hora. No serviço público além da estabilidade, você tem a chance de ganhar bem antes dos vinte e cinco. A geração que anda reencarnando agora tá toda focada nos concursos. Se eu fosse você investia também. Bom, deixe eu ir. Minha aula começa em uma hora. Sucesso pra você.

Marcelo sai. Pablo pensa um pouco e o chama.

– Marcelo! Se eu entrar na sua turma agora, será que eu ainda tenho chance de conseguir técnico administrativo nessa encarnação?

domingo, 20 de novembro de 2011

Fragmentos

ACAMPAMENTO. EXTERIOR. DIA.
ELISA SE AFASTA UM POUCO DAS BARRACAS E CAMINHA ENTRE ALGUMAS ÁRVORES. ELA APROVEITA A LUZ DO SOL PARA TIRAR ALGUMAS FOTOGRAFIAS. SÓCRATES SE APROXIMA E A OBSERVA.

SÓCRATES (SORRINDO) – O paraíso fotografando o paraíso.

ELISA (RI E O OLHA) – Que cantada ridícula! Olha, com essa eu posso até dizer que você ganhou o troféu das piores cantadas dos últimos seis meses.

SÓCRATES – Pelo menos eu ganhei alguma coisa. (SORRI) Ah, colabora, gatinha! Eu não sei improvisar.

ELISA – Jura? Achei que Sócrates Mello soubesse mais do que afogar os companheiros no rio.

SÓCRATES – Olha, eu sei que você ficou com uma má impressão a meu respeito, mas eu gostaria de mudar isso.

ELISA – Sei! Deixa ver se eu adivinho. Pra mudar você me propõe um beijo e meia hora de sarro atrás de alguma árvore. Ah, pega outra, Sócrates!

SÓCRATES – Não, gatinha! Não é nada disso. Eu tô a fim mesmo de você. Ainda não percebeu? Eu tô amarradão!

ELISA – Diz isso pra todas as garotas?

SÓCRATES – Você é difícil, hein?

ELISA – Eu? Imagina! É que você realmente não faz o meu estilo.

SÓCRATES – E qual seria o seu estilo?

ELISA – Vai por mim. Não iria querer saber.

SÓCRATES SORRI. ANA CHEGA E OLHA DESCONFIADA.

ANA – Sócrates! O que faz aí? Vão começar a trilha. Vem!

ELISA (SORRINDO) – Vai com ela. Garanto que ela tem bem mais chance de te dar o que você procura.

SÓCRATES – Eu ainda volto.

ELISA – Acha que estarei aqui?

SÓCRATES SORRI E SE APROXIMA DE ANA. ELISA OBSERVA.

ANA (ENCIUMADA) – O que ela queria com você?

SÓCRATES  Nada! Ela só me pediu umas dicas de fotografia.

ANA – E desde quando você entende disso? Eu já te falei que eu não quero você de gracinha com aquela César Tralli de saias. (BATE DE LEVE NO OMBRO DELE)

SÓCRATES – Para! Não bate!

ELISA SORRI E VOLTA A FOTOGRAFAR.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Fragmentos

CASA DE MOISÉS. INTERIOR. DIA. 
MOISÉS SENTADO NO SOFÁ DO ESCRITÓRIO ESCUTA IMPACIENTE O DISCURSO DE LINCOLN EM VOLTA DELE.

LINCOLN – Então você me enganou todo esse tempo? Como você teve coragem, Moisés?
MOISÉS – O senhor me presenteou as cavernas.
LINCOLN – Sim, mas eu não sabia da existência de pedras de diamante lá dentro. E você tinha a obrigação de me contar isso!
MOISÉS – Pra quê? Pra ficar com os diamantes pro senhor? Além do mais a porção das nossas terras é limitada e está quase se esgotando. A maior reserva está na propriedade dos Torres.
LINCOLN – Por isso a amizade com o Matheus. Eu sabia! Você não constrói amizades sem um interesse por trás. É bom tomar cuidado, Moisés! Desse jeito você vai acabar sozinho. Sem amigos, sem ninguém.
MOISÉS (levanta-se) – Olha quem fala! Quando foi que o senhor teve a casa cheia de amigos sem nenhum interesse financeiro, hein? Eu cresci ouvindo os seus discursos hedonistas, o seu ceticismo vulgar e a sua má-fé na bondade alheia.
LINCOLN – Ora, Moisés, não venha jogar a sua falta de sorte nos negócios em cima de mim. Você sim, é o único responsável por tudo que está lhe acontecendo. Se tivesse feito um trabalho mais bem elaborado, seu amigo Matheus não teria descoberto nunca o seu esquema. A culpa é toda sua!
MOISÉS (irônico) – É, acho que deve ser minha mesmo. O senhor não me ensinou o suficiente, né?
LINCOLN – Por que continua a procurar um culpado quando na verdade basta se olhar no espelho?
MOISÉS – Tem razão! Não posso ficar aqui lamentando o ocorrido. (vai saindo)
LINCOLN – Aonde vai?
MOISÉS – Vou lutar pelo meu ouro antes que aqueles esganados caiam em cima.
LINCOLN – Que seu ouro! Aquele diamante não lhe pertence!

MOISÉS SAI.

domingo, 13 de novembro de 2011

Fragmentos

COLÉGIO. INTERIOR. DIA. SALA DOS PROFESSORES.
APENAS ANDERSON E CÍNTIA SE ENCONTRAM DISCUTINDO ENQUANTO GORETE TERMINA DE RETIRAR AS XÍCARAS DA MESA.

ANDERSON – Por que você não me contou?

CÍNTIA – Contar o quê? Eu fui pega de surpresa tanto quanto você. 

GORETE OBSERVA DE RABO-DE-OLHO.

ANDERSON – Ele disse que estavam juntos. Que decidiram isso em comum acordo.

CÍNTIA (SE EXALTA) – Não! Não é verdade! Ele tomou essa decisão sozinho!
     
GORETE DERRUBA UMA XÍCARA SEM QUERER E ANDERSON A OLHA. ELA FICA INIBIDA, PEGA AS BANDEJAS E SAI DA SALA. ELE SE VOLTA PARA CÍNTIA.

ANDERSON – Você quer me dizer que nunca conversaram sobre isso?

CÍNTIA – Não!... Quer dizer, outro dia ele me falou a respeito disso, mas era apenas uma hipótese. Havia um “se”, e eu não concordei em nada com ele.

ANDERSON – Pra cima de mim, Cíntia? Eu já te vi várias vezes conversando sabe lá o quê com o Julio pelos cantos do colégio.

CÍNTIA – Ele que sempre me procura pra conversar asneiras.

ANDERSON – Uma dessas asneiras acabou a levando para o cargo de vice-diretora do colégio.

CÍNTIA – Olha, quer saber? Eu nem sei se vou assumir esse cargo.

ANDERSON – Por que não? Só falta agora dizer que não está feliz. Você sempre almejou esse posto, Cíntia. Por favor, não humilhe a minha inteligência!

CÍNTIA – É, eu sempre quis chegar aí sim, mas não dessa forma.

ANDERSON – Que forma? Não foram os seus méritos que a levaram a isso? Ou será que tem algo mais que eu não tô sabendo?

CÍNTIA – Não tem nada, Anderson! Nada! Eu te amo e prefiro você a assumir qualquer cargo com desconfianças e mentiras. Por favor, (PÕE AS MÃOS NO ROSTO DELE) não duvida da minha lealdade! Não percebe que é isso que o Julio quer? Que briguemos!

ANDERSON – Eu preciso pensar, Cíntia!

ELE SAI DA SALA.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Fragmentos

CASA DE RYAN. INTERIOR. DIA. 
ELISA CAMINHA PELO CORREDOR.

ELISA – Ryan! Ryan, eu tô entrando! Olha, é meio constrangedor vim aqui depois do que aconteceu, mas eu não sou mulher de fugir. Como você nunca vai à minha casa, eu achei que queria algo importante. Então eu... ô Ryan!

ELA ENTRA NO QUARTO DELE E NÃO O VÊ. ESCUTA BARULHO DE CHUVEIRO VINDO DO BANHEIRO DO QUARTO.

ELISA (sorri) – Ah!! Tomando banho? Eu sempre duvidei da justiça, mas num é que às vezes ela acontece.

ELA CAMINHA ATÉ O BANHEIRO, ABRE A PORTA E VÊ UMA SOMBRA ATRÁS DA CORTINA.

ELISA – É, é isso aí. (sorri)

ELA PUXA A CORTINA E ENCONTRA OUTRO RAPAZ TOMANDO BANHO. OS DOIS GRITAM.

ELISA – Ahh!!
CHARLES – Ahh!!

ELISA SAI CORRENDO E ENCONTRA RYAN ENTRANDO NO QUARTO.

RYAN (surpreso) – Elisa! O que você tá fazendo aqui?
ELISA – O que ‘você’ tá fazendo aqui fora? Quem é ele?
RYAN – Ele quem?

CHARLES SAI DO BANHEIRO ENROLADO NA TOALHA.

RYAN – Charles!?
CHARLES – Ryan, quando disse que eu podia usar o seu banheiro eu pensei que teria privacidade.
RYAN (confuso) – Bom... e você tem.
CHARLES – Tinha! Até a sua namoradinha invadir o box.
ELISA (envergonhada) – Oh!
RYAN – Elisa!?
CHARLES – Bom, na verdade eu acho que ela estava procurando você. Sabe, eu também curto esses relacionamentos modernos, mas será que ela não podia esperar você tomar banho pra te agarrar?
ELISA – Oh, oh, oh, espera aí.
RYAN – Ela não é minha namorada.
CHARLES – Não? (ri) Então ela tem uma quedinha muito forte por homem nu.
ELISA – Ei, vamos com calma. Olha só, eu não sei quem você é e você não sabe quem eu sou. Portanto, vamos limitar as nossas conversas e deixar de intimidade.
CHARLES (risonho) – Concordo!
ELISA (tensa) – Ótimo!
RYAN – Elisa, o que veio fazer aqui?
ELISA – Bom, apesar de você ter ido lá em casa e invadido a minha privacidade sem o meu consentimento, eu pensei que você queria algo importante.
RYAN – Bom, sim, é que eu queria usar o seu computador, o meu foi pro conserto.
ELISA – Era só isso? Então já vi que perdi meu tempo e o seu também. Meu computador tá com vírus.
RYAN – O quê!
ELISA – Eu já falei com o Afonso, mas acho que ele não tá querendo descolar a verba. Lamento!
RYAN – É, já vi que vou ter que limpar a despensa de novo.
CHARLES – Eu posso dá uma olhada no seu computador.
ELISA (irônica) – Foi comigo?
CHARLES – Eu passei seis anos em São Paulo dedicado à informática. Os pcs são minha vida! Acho que consigo remover um simples viruzinho. (sorri debochado)
ELISA (irônica) – Uau!
RYAN – Por que nunca me contou isso, Charles? Você podia ter consertado meu laptop.
CHARLES – Você nunca me perguntou, Ryan.
ELISA – É, tô impressionada.
CHARLES (risonho) – Eu sei, é que eu tenho outras qualidades além da beleza.
ELISA (risonha) – E da modéstia, claro!
CHARLES – Olha, eu sei que começamos com o pé esquerdo, mas eu acho que ainda poderíamos nos dar superbem. Você não acha?

ELISA OLHA PARA RYAN E PARA CHARLES.

CHARLES (estende a mão) – Charles Moutinho. Primo do Ryan.
ELISA (aperta a mão de Charles) – Elisa Medeiros!

sábado, 29 de outubro de 2011

Fragmentos

TEATRO MUNICIPAL. INTERIOR. NOITE
UMA EXPOSIÇÃO DE PEÇAS ANTIGAS DE LINCOLN É A ATRAÇÃO DA NOITE. MUITOS CURIOSOS CIRCULAM. MATHEUS ENTRA UM POUCO SEM JEITO E OLHA A MOVIMENTAÇÃO. MOISÉS O VÊ E VAI ATÉ ELE.

MOISÉS – Matheus, que bom que aceitou o meu convite.
MATHEUS – Pois é. Não se tem muita alternativa num sábado à noite em Pouso Belo.
MOISÉS – Tenho certeza que vai adorar a exposição. Já viu a coleção de moedas do século XVIII?
MATHEUS – Ainda não.
MOISÉS – Ao fim daquele corredor. Cada galeria que passar vai se surpreender com o que irá encontrar. Veja! (APONTA) Aquela indumentária ali pertenceu ao Duque de Orléans, quando assumiu o trono da França depois da morte de Luís XIV. Meu pai fez questão de conseguir a peça original.
MATHEUS – Tem muita coisa cara aqui.
MOISÉS – Cara e ‘rara’! Se ainda conseguir respirar até o fim da exposição, eu te mostro a carta que Napoleão entregou a Edmond Dantes na ilha de Elba.
MATHEUS – Não é só um romance de Alexandre Dumas?
MOISÉS (SORRI) – É! Mas meu pai gosta de viver a fantasia.

MILA, MATT, BIA E OSCAR PASSAM SORRINDO E OLHANDO AS PEÇAS. MATHEUS OLHA SURPRESO E MOISÉS PERCEBE.

MATHEUS – Eu não sabia que eles estariam aqui.
MOISÉS (COM AR SORRIDENTE) – É! Eu os convidei. Desculpe, não sabia que ele viria também.
MATHEUS – Hã?... Não! Eu não me importo com a presença do Matt.
MOISÉS – Mesmo?
MATHEUS – A gente é amigo agora.
MOISÉS – Olha! Que novidade!

MILA VÊ MATHEUS, SORRI, MOSTRA A MATT E ELES SE APROXIMAM.

MILA – Matheus, eu não sabia que vinha. Tudo bom?
MATHEUS – Tudo! Oi, Matt!
MATT – E aí, Matheus? (OLHA PARA MOISÉS) Moisés!
MOISÉS – Olá, meu jovem! Curtindo a noite?
MATT – Muito. Seu pai tem uma bela coleção.
MOISÉS – Não diga isso a ele. (SORRI)
MILA – E então? Aonde você vai depois daqui?
MATHEUS – Provavelmente pegar a estrada e voltar pra casa.
MILA – Nós vamos jantar no Gibraltar. Eles têm um excelente cardápio de frutos do mar. O risoto de camarão é uma delícia. Você não quer vim com a gente?
MATHEUS (DESLOCADO) – Não! Eu preciso voltar. Mas obrigado pelo convite.
MILA – Ah, que pena!

BIA E OSCAR SEGUEM POR OUTRA GALERIA E BIA ACENA PARA ELES.

MATT – A Bia tá chamando.
MILA – É! A gente vai estar por aqui. Aparece antes de ir embora.
MATHEUS – Certo!
MILA – Até mais, Moisés.
MOISÉS – Fiquem à vontade.

MILA E MATT SAEM. MATHEUS OLHA SEM JEITO. MOISÉS PERCEBE E SORRI.

MOISÉS – O que foi, Matheus? Pensei que tinha dito que não se importava com a presença deles.
MATHEUS – Eu preciso tomar um ar. (SAI)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Fragmentos

COLÉGIO. INTERIOR. DIA. GABINETE DO DIRETOR. 
JULIO TRABALHA EM SEU COMPUTADOR À MESA. BATEM À PORTA.

JULIO – Entre!
ELISA (abre a porta) – Licença, diretor! Eu posso falar um minuto com o senhor?
JULIO (debochado) – Outro aluno? Se eu for parar meu dia pra atender aluno, eu não faço mais nada aqui hoje. Estou mais solicitado do que prefeito em dia de posse.
ELISA – É... É rápido! Eu só quero trocar umas idéias.
JULIO – “Trocar umas idéias”? Claro! Entra!

ELISA FECHA A PORTA E SENTA-SE DIANTE DELE.

ELISA (tensa) – Licença!
JULIO (encosta-se na poltrona e olha para ela) – Então?
ELISA – É sobre o jornal do colégio.
JULIO – Hum!
ELISA – Eu fui até lá e a sala estava fechada. Não tinha computador, mesa, nada.
JULIO (surpreso) – Você abriu a sala?
ELISA (confusa) – Abri!
JULIO (curioso) – Como?
ELISA – Ah, é que eu guardei uma cópia da chave da época em que eu trabalhei lá.
JULIO (debochado) – Ah, então você deve ser Elisa Medeiros.
ELISA (sorri) – Sim! Sou eu! O Afonso falou ao senhor sobre mim?
JULIO – Não, Elisa! Eu nem cheguei a conversar com o Afonso. Eu li o seu histórico do jornal.
ELISA (rindo) – Foi? E o senhor gostou?
JULIO – O que você pergunta se eu gostei? Eu acredito que eu tenho uma cópia do relatório aqui. (procura em algumas gavetas) Você mesma pode conferir. 

ELISA OLHA DESAPONTADA. JULIO ENCONTRA O RELATÓRIO E FOLHEIA.

JULIO – Aqui! Vejamos! Parece que você tinha um gosto singular por matérias bastante sensacionalistas, não é? Por três vezes as suas reportagens causaram um tumulto no colégio.
ELISA – Mas eu só expus a verdade!
JULIO – Algumas verdades devem permanecer enterradas. Você não concorda, Elisa? Bom, continuando o seu histórico, ele alega aqui abandono de posto perto do final do ano passado.
ELISA – Não! Eu não abandonei o jornal! Eu estava um pouco abalada com... (olha para ele) É...
JULIO (com um sorriso sarcástico) – O seu sensacionalismo, não é?
ELISA (o olha atônita) – Mas o Matheus ficou lá no meu lugar!
JULIO – Sei! O Matheus que diz aqui que também deixou o jornal várias vezes na mão. É lamentável!
ELISA (preocupada) – O que o senhor vai fazer?
JULIO – O jornal está fechado até que apareça um outro repórter interessado em assumir o cargo. Alguém que veja o jornal apenas como um meio de divulgar as atividades escolares e como veículo de responsabilidade social, não como central de fofocas e intrigas pelo colégio. Fui claro, senhorita Medeiros?

ELISA CONFIRMA SUBMISSA COM A CABEÇA, SE LEVANTA E VAI SAINDO.

JULIO – Elisa! (ela olha) A cópia da chave, por favor!

ELA ABRE A BOLSA, PEGA A CHAVE E ENTREGA A JULIO.

JULIO (sarcástico) – Obrigado! Pode ir!

ELA O OLHA INDIGNADA E SAI. ELE SUSPIRA E VOLTA AO COMPUTADOR.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Fragmentos

COLÉGIO. INTERIOR. DIA.
ANDERSON PASSA APRESSADO PELOS CORREDORES COM LIVROS NAS MÃOS. CÍNTIA O VÊ E CORRE ATRÁS DELE.

CÍNTIA – Anderson! Anderson! (ACOMPANHA-O)

ANDERSON – Eu tô apressado, Cíntia. Tenho dois testes pra aplicar e ainda tenho que passar na secretaria.

CÍNTIA – Eu só queria saber por que você não me procurou mais.

ANDERSON – Eu ando com muito trabalho acumulado.

CÍNTIA – Custava dá um telefonema? Ontem eu passei horas tentando ligar pro seu celular, mas só dava caixa postal. E na sua casa a empregada podia ser mais discreta e não dizer “eu vou saber se ele está em casa” toda vez que eu ligava.

ANDERSON (PÁRA DE ANDAR E A OLHA) – Tudo bem. O que é que você quer, Cíntia?

CÍNTIA – Atenção! Carinho! Eu sou sua namorada, Anderson. Eu preciso disso! Ultimamente parece que você não me enxerga mais. Eu que fico te procurando, insistindo sempre com você pra gente sair, se divertir. Mas você parece que não percebe isso ou força a barra pra não perceber. Até nos esportes você vai e não me chama mais. Você está me deixando de lado aos poucos.

ANDERSON – É que eu tenho andado cheio de problemas e eu tenho estado um pouco confuso.

CÍNTIA – E por que não se abre comigo? Meu Deus, pra que a gente está namorando então, se um não serve pra escutar os problemas do outro? Eu tô aqui, Anderson! Poxa! Esse seu afastamento não tá sendo bom pra ninguém. Você sabe há quanto tempo nós não fazemos... ‘sexo’? (OLHA PARA OS LADOS)

ANDERSON (A OLHA) – Tá! Eu vou tentar não me distanciar tanto. Você quer sair hoje pra jantar?

CÍNTIA – É, pode ser um bom começo. 

ANDERSON – Então tá. A gente sai à noite. Agora eu tenho que ir. (SAI)

CÍNTIA – Anderson! (ELE OLHA) Meu beijo!

ANDERSON – Hã! 

ELE OLHA DE LADO, VOLTA, DÁ UM SELINHO NELA E SAI.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Fragmentos

COLÉGIO. INTERIOR. DIA. 
MATHEUS, ELISA E RYAN CAMINHAM CONVERSANDO PELOS CORREDORES.

MATHEUS – Crise de identidade?
ELISA – É sério! Acho que eu tô passando pela terrível fase da típica adolescente rebelde.
RYAN – Por que acha isso, Elisa?
ELISA – Ah, eu não consigo mais dá conta de nada. Não consegui terminar as atividades de classe, meu pai me deu bronca por chegar tarde em casa e eu não consigo nem chegar perto da sala do jornal.
RYAN – É, realmente essa não é a Elisa que a gente conhece.
MATHEUS – Já pensou que isso pode ser estresse? Você tem se dedicado muito às atividades escolares e tido pouco tempo pra se distrair. Talvez uma semana na praia pudesse tirar essa sua agitação.
ELISA – Ai, era tudo o que eu queria agora. Mas viajar para o litoral agora na reta final seria suicídio.
RYAN – Bom, você pode usar minissaia preta e entrar pra banda.

ELES PARAM DE ANDAR E OLHAM OS INTEGRANTES DA BANDA "DARK FREEDOM" DANDO AUTÓGRAFOS A ALGUMAS MENINAS MAIS ADIANTE.

ELISA – Num sei o que esses caras têm. Vestem preto, usam um monte de bijuterias pelo corpo e fazem o maior sucesso pelo colégio.
RYAN – O estilo deles é legal! E abriram agora mais uma vaga pra um novo integrante.
ELISA – Eles vivem abrindo vagas. Essa é bem a quinta só nesse ano.
RYAN – É a sétima! (Matheus e Elisa o olham) É que eu me candidatei nas duas últimas vezes, mas não consegui entrar.
MATHEUS – Você, Ryan, usando preto e cantando loucuras?
RYAN – Foi depois que a Marie foi embora. Eu me senti um pouco abandonado e achei que a banda podia me ajudar.
ELISA – É, mudariam com certeza o seu nome pra algum fenômeno da natureza.
RYAN – Eu não acho isso tão ruim. Eu podia me chamar Vulcão. (ri)
MATHEUS (ri) – Por que o último que entra nunca passa muito tempo na banda?
RYAN – Num sei. Vai ver não se adapta ao estilo. Me parece que o Meteoro não curtia muito a banda.
ELISA (repreendendo) – O Eric você quer dizer! Pois pra mim ele era fissurado na banda. O que será que aconteceu com ele?
RYAN – Parece que voltou pra capital.
ELISA – Curioso! A gente nunca fica sabendo o que acontece com os integrantes da banda após saírem. Parece que evaporam!
                  
OS CINCO INTEGRANTES DA BANDA SE APROXIMAM DELES. O LÍDER TORNADO OLHA PARA MATHEUS.

TORNADO – E aí, Matheus, tudo tranquilo? Num tá a fim de fazer parte da banda, não? Abriu uma vaga.
MATHEUS – Obrigado, mas não faz o meu estilo.
TORNADO (rindo) – Ah, saquei! O seu estilo seria mais "Caipiras Freedom", né? Mas quando quiser fugir da vidinha que leva, é só procurar a gente. Vamos tá por aí. Vamos nessa! (os integrantes saem)
ELISA – “Vidinha”? (sorri) É melhor eu voltar pro jornal.
RYAN – Não estava insuportável pisar lá?
ELISA – É, mas essa banda me instigou a escrever de novo. Ela é uma verdadeira oligarquia aqui dentro do colégio. Eu preciso fazer uma matéria!
MATHEUS – Que bom que ainda tem pessoas normais aqui nessa escola.

SAEM RINDO.