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sábado, 20 de outubro de 2007

Ventos de Experiência

É difícil fugir do passado quando este segue deixando uma trilha de saudade. Experiências vão e vêm. Mas sempre é gostoso relembrar momentos felizes. Quando eu passo pelo Parque do Povo sempre que venho da faculdade e vejo operários e máquinas pondo a baixo a estrutura do que foi a maior feira já realizada na cidade, é inevitável a lembrança dos dias que mergulhei em um universo de grandes possibilidades e descobri as oportunidades que a vida oferece a quem se arrisca em seu próprio negócio. E como eu fui parar na Feira do Empreendedor?

Tudo começou numa tarde de segunda-feira quando os bons ventos da vida sopravam para uma tenebrosa e esperada reunião no Sebrae. Era o início de um estágio de um mês para Saskia, Silmara, Clara, Edimílson e eu. Fomos apresentados a Erialdo Pereira, o grande jornalista do estado e detentor de uma sábia experiência. Também conhecemos os competentes Valter e Renata. Era nosso primeiro contato e o que fosse sair dali, a ansiedade e a expectativa nos olhares de cada um encobria qualquer apreensão ou insegurança. Finalmente soubemos nossa missão. O Sebrae estaria promovendo na cidade a Feira do Empreendedor e nossa missão era criar um boletim com casos de sucesso empreendedor de Campina e fazê-lo "girar" durante a feira. Uau! Que fantástico! Mas será que alguém sabe ao certo o significado da palavra "empreendedor"? Sabendo ou não entramos de cabeça nessa. Ou melhor, de imaginação.

Para nossa tarefa contamos com a orientação da professora Fátima Luna. E a saga em busca dos vencedores da cidade tomou fôlego no dia seguinte. Em uma mesa redonda uma chave da manga de Erialdo abriu a sessão. Foram muitas idéias, várias discussões, jogadas, “compra e venda” de pautas. E uma lista de 10 profissionais de sucesso da cidade se formou. Parte II: divisão das empresas, pauta, entrevista, texto. Eh, vamos à luta! Fiquei responsável por duas empresas. A escola de informática Infogenius e a agência de segurança eletrônica Insiel (os textos na íntegra estão nas postagens logo abaixo). Para minha sorte a empreendedora da Infogenius, Jeannine Figueiredo era um doce em pessoa e a entrevista transcorreu melhor que o esperado. Agora era hora de colocar a cabeça pra funcionar e criar um texto agradável da história de vida de sucesso da minha entrevistada. Logo as idéias se formaram e saiu a primeira versão do texto. Entretanto, como diz Erialdo, nosso primeiro texto nunca é o definitivo, sempre podemos aperfeiçoá-lo e melhorar. E assim refiz uma! Duas! Três vezes! E perdi as contas de quantas vezes o reli.

Alguns dias depois, com quase todos os textos prontos era hora de decidir o nome do “garoto” que levaria nossas histórias ao público. Mais uma vez em volta de uma mesa vários nomes surgiram. Ventos de sucesso; Atitude empreendedora; Empreendedorismo em pauta; Bons Fluidos. E ninguém poderia imaginar que o nome escolhido seria um tão simples e que resumia tudo que a feira representava. Foi assim que surgiu o Catavento. Com nome definido e textos acabados, era hora de partir para as fotos. Tareb foi o fotógrafo encarregado disso e saiu com Saskia, Silmara e Clara para fotografar os estabelecimentos. Para minha infelicidade, os donos da Infogenius estavam viajando e a tão fantasiada foto de Jeannine sentada no colo de Fábio entre os computadores só ficou na imaginação. Porém, a galera teve que escutar esse meu discurso até o último minuto da feira.

Ah, e a feira!! Ela chegou e foi embora mais rápido do que imaginei. Como dizia seu slogan “Bons Ventos para o seu Negócio”, os ventos sopraram rápido demais e levaram a feira para outros horizontes. Lá, no Parque do Povo, eu e Clara trabalhamos com a equipe de Kamille e Arthur para a TV Sebrae. Conhecemos o grande jornalista Amim e os repórteres Morib e Syusk. Aliás, ficávamos impressionados com a desenvoltura de Syusk durante as matérias. Nós simples estudantes imaginávamos quando seríamos capaz de tal profissionalismo. Ao mesmo tempo em que brincava, ela mostrava sua competência e responsabilidade. Enquanto isso, Silmara, Saskia e Edimílson corriam atrás de notícias para alimentar o site da feira. E cá entre nós, correr ali dentro era uma aventura a parte. Tantas empresas expondo, palestras, desfiles, comida. Nossa! Tinha de tudo ali dentro. Até prática de escotismo surgiu no Açude Novo. Tareb estava lá para não deixar de exercitar o clique do dedo e Saskia para viver a emoção da matéria. E emoção foi o que não faltou nesses quatro dias de feira.

É, mas a brisa passou. A correria se foi. Os colegas de trabalho voltaram a se espalhar. Mas novas amizades surgiram e continuaram. Por isso passar em frente ao Parque do Povo e olhar o fim de uma história é dolorido e prazeroso. Sentimos falta daqueles dias agitados e de todos que estiveram conosco. Embora também temos a certeza de ter feito algo útil, além da experiência profissional e de vida que adquirimos. Cada viga, lona e stand que se desmonta conta um detalhe daqueles dias. Histórias que só quem esteve lá pode contar. A última reunião com nossa equipe aconteceu há dois dias e o clima de despedida reinava sem cessar na sala. O bom de viver uma experiência é que sempre ficamos mais seguros e mais maduros de conhecimento. Sabemos onde podemos acertar e onde melhorar nas próximas oportunidades. Afinal, se hoje sabemos mais do que ontem, amanhã saberemos mais do que hoje e assim se constrói a história. Num é isso, Erialdo?


Unidos na Alegria e no Empreendedorismo

Festa, champagne, bolo e grinalda. Poderia ser a realização de mais uma festa de casamento, mas essa união na cidade de Patos tem um sabor especial. Os personagens desse evento são dois jovens que decidiram se unir tanto na vida conjugal como no mundo dos negócios. Era meados de 1994 quando a união entre Fábio e Jeannine Figueiredo, com apenas 21 e 18 anos, fez surgir a escola de informática Infogenius.

Jeannine trabalhava como recenseadora do IBGE e cursava Economia na Faculdades Integradas de Patos (FIP), mas teve que trancar a faculdade para se dedicar a esse novo investimento. Fábio, por outro lado, trabalhava na assistência técnica de uma concessionária em Patos. Em pouco mais de dois anos de namoro, eles tiveram a idéia de abrir um negócio juntos. Perceberam que havia uma grande necessidade de capacitar pessoas para trabalhar com a informática e resolveram investir no ramo. Sem grandes recursos, compraram alguns computadores, e entre enxovais e teclados conseguiram alugar um ponto em cima de uma loja de colchão.

De início eles contavam apenas com a participação de cinco professores e três secretárias. Uma das maiores dificuldades foi encontrar mão-de-obra qualificada. “Tivemos que fazer muito treinamento com professores em Recife e aproveitar alunos que já faziam curso superior, mas que não tinham experiência em sala de aula e os treinamos com profissionais pedagógicos”, comenta Jeannine.

Com idéias na cabeça e computadores na sala, só lhes faltavam os alunos. E estes não demoraram a chegar. Dois anos depois da inauguração, o número de alunos já superava a faixa dos mil. Havia a necessidade de aumentar a estrutura, os laboratórios e a biblioteca. Montaram então um laboratório temporário em outras cidades interioranas da Paraíba, como Solânea e Monteiro, e em Pernambuco, nas cidades de Pesqueira e Itambé. A partir do momento em que perceberam que a escola estava firmada no mercado começaram a expandir para cidades maiores.

Em setembro de 1998, Campina Grande recebeu sua sede da Infogenius que passou a ser a central, onde o casal também fixou moradia. Hoje além de Campina Grande, a Infogenius está presente em Patos, Guarabira, João Pessoa e Caicó. A capital paraibana comporta a maior unidade, que possui inclusive estacionamento próprio. São mais de 40 cursos nas áreas de informática de nível técnico e profissionalizante e de qualificação humana. E ao longo de quase 13 anos de mercado totalizam mais de 100 mil alunos formados.

Jeannine atribui o sucesso da Infogenius ao cuidado com o cliente e acredita que entre as maiores conquistas ao longo dos anos estão o reconhecimento dos cursos pelo MEC e a satisfação do público. “Hoje cerca de 80% dos alunos que chegam à nossa escola são oriundos de indicações de outros alunos e isso mostra que eles estão satisfeitos com o ensino”, enfatiza Jeannine.

No decorrer da trajetória, Fábio e Jeannine presenciaram muitas situações curiosas na escola: alunos ansiosos pelo primeiro contato com o computador; alunos que nunca souberam assinar o próprio nome, mas sabiam dominar o mouse. E em uma dessas situações eles conheceram um jovem deficiente visual que sonhava fazer um curso de informática. Isso os instigou a expandirem ainda mais as portas para todos os segmentos da sociedade. No segundo semestre de 2007, a Infogenius abre o primeiro curso para deficientes visuais do nordeste.

Com uma filha de nove anos e uma história contada através das teclas do computador, Fábio e Jeannine já conhecem a receita de uma vida de sucesso. Cúmplices no amor e nos negócios, eles provam que ousadia e autoconfiança ainda é o caminho que pode gerar bons frutos, é só estar aberto às novas possibilidades que a vida oferece.

"Compromisso é uma palavra que resume"

Filho de peixe, peixinho é. É assim que sempre se define a relação de semelhança entre pais e filhos, principalmente no tocante à carreira profissional. Mas um ousado empresário de Campina Grande resolveu quebrar esse famoso dito popular. Juan Pinheiro, de 30 anos, filho de advogado, enveredou-se pelo ramo da tecnologia eletrônica contra a vontade de seu pai e hoje é simplesmente o dono da Insiel Segurança Eletrônica, líder em inovações eletrônicas no estado da Paraíba e indicado pelo Guia do Usuário de Segurança com um top de reconhecimento nacional.

Juan Pinheiro concluiu seu curso de eletrônica e telecomunicações em 1995 e resolveu montar um negócio informal, sem foco ainda em segurança eletrônica. “No início era eu quem montava, empacotava e vendia os produtos, aí veio um assistente, dois e foi desenrolando. Não tenho vergonha de dizer que a gente começou mesmo como uma empresa fundo de quintal”, enfatiza Juan. A empresa funcionava a princípio dentro de um parque tecnológico como organização encubada, passou por um período de maturação e finalmente saiu do parque para virar empresa independente.

Essa mudança se deu em grande parte aos produtos desenvolvidos pela Insiel, como a central de alarme para residência, que na época ainda era muito escasso no mercado e hoje é um dos setores que mais crescem e aos clientes que começaram a surgir. Para Juan a falta de capital para investir e o próprio desconhecimento de organização de uma empresa foram as maiores dificuldades no início.

No entanto, da venda de um produto surgia a renda para a construção de outro. E assim a Insiel foi aos poucos conseguindo crescer e se destacar no mercado. Através de parcerias com outras organizações como a PB Tech e o Sebrae, a Insiel passou a se desenvolver e a se expandir com maior agilidade. Hoje ela atende em todo o nordeste e conta com filiais em João Pessoa, em Fortaleza no Ceará e em Salvador na Bahia, e ainda mais de 10 representantes, empregando cerca de 50 funcionários divididos nos departamentos de desenvolvimento, suporte técnico, financeiro, comercial, atendimento ao cliente, central 24 horas e atendimento online.

Recentemente, a Insiel desenvolveu um equipamento de rastreamento de pessoas que já está sendo utilizado nos presos do regime semi-aberto em Guarabira. “Com esse equipamento você pode saber se o preso está obedecendo as condições da liberdade dele de não sair do perímetro da cidade”, afirma Juan. A tornozeleira eletrônica, como ficou chamada, é uma versão de rastreamento específica para pessoas via satélite e possui uma bateria que não necessita de ligação externa. A referência da tornozeleira tornou-se padrão em outros tribunais de justiça e em outros estados, sendo a Insiel a única empresa com implantação prática desse equipamento no Brasil.

O empresário atribui o sucesso do negócio ao compromisso com o cliente. Pois ele garante que um freguês satisfeito é confiança garantida. “Nós não fazemos mídia, mas quem é cliente sabe dos nossos compromissos, e isso facilita muito a introdução de novos produtos no mercado”, avalia. Dentre as maiores conquistas, Juan destaca o espaço que foi alcançado pela Insiel ao longo dos anos. E uma prova disso é o prêmio Top de Reconhecimento do Guia do Usuário de Segurança do estado do Paraná que o avaliou em 1º lugar pelo desenvolvimento de um soft para a área de alarme entre várias empresas nacionais do ramo.

Por isso a Insiel não pára de inovar e agora já atende até o mercado odontológico, com a criação de uma microcamera em formato de escova que o dentista pode projetar a imagem da arcada dentária do paciente no computador. “Eu enxergo hoje como um novo começo em outro patamar, onde já temos a confiança dos clientes e a capacidade de expandir mais e mais”, conclui otimista o empresário.