Quem inventou a competitividade? ... Algum primata invejoso que não conseguiu a caça maior? Desde os micróbios da origem da evolução de Darwin que existe a competição e a seleção dos mais hábeis. Me lembro dos livros de ciências da 7ª série e das girafas de pescoço mais curto. Para sobreviver numa região onde os alimentos estavam no topo das árvores, só usando uma vara, e assim as pescoçudas evoluíram e deixaram pra trás uns possíveis primos dos cavalos. A competição estimula a qualidade e a criatividade, mas pode ser muito cruel também hoje em dia, uma vez que só permanecendo os pescoçudos, a concorrência vai ficando cada dia pior. Gosto de pensar que nem sempre os escolhidos são os melhores, que uma boa leva fica pelo caminho. Quem garante que as girafas de pescoço mais curto não eram melhores? As coitadinhas só não tiveram muita sorte. E sorte também é fundamental durante uma competição.
Quem saiu na frente na corrida espacial durante a Guerra Fria? Os soviéticos quando lançaram em 1957 a indefesa Laika a bordo da Sputnik e Iuri Gagarin em 1961 para dar uma volta completa na órbita da Terra, ou os americanos com a chegada do homem à Lua em 1969? Referente à Laika, gosto de enfatizar que a cadelinha acabou morrendo seis horas após o lançamento, vítima do superaquecimento da nave e do estresse causado por não ter sido avisada que iria sozinha para o espaço. Ainda assim, tenho uma forte inclinação pelos russos, e particularmente acho a palavra cosmonauta mais expressiva e garbosa do que astronauta, apesar de crer que a NASA deve ter uma aparelhagem bem mais sofisticada, ou tudo não passa de merchandising? Ah, a publicidade! O que seria dela sem a competição?
Não sei se posso considerar a peleja da Rede Record contra a Globo como competição de fato, tendo em vista que a primeira não estabelece uma concorrência real, já que procura se igualar e não competir propriamente com a outra. Mas já posso considerar a mais nova corrida da teledramaturgia brasileira, e agora entre Globo e SBT. Quem iria pensar que a emissora de Sílvio seria a primeira a transmitir o primeiro beijo gay feminino da televisão brasileira. E depois de dada a largada, a disputa agora é em torno das primeiras carícias mais ousadas entre dois homens. O SBT já divulgou: em julho sairá o primeiro beijo gay masculino entre os atores Carlos Thiré e Lui Mendes também em Amor e Revolução. Bem, isso se Eduardo e Hugo não forem pra cama antes. Sim! Insensato Coração, a novela com mais homossexuais assumidos até então, desde o início criou polêmica sobre um suposto beijo entre alguns dos seus personagens, o que já até havia sido desmentido pelos autores, mas será que a concorrência anda incomodando e eles agora não querem que o SBT tenha o título da primeira emissora liberal do país?
Em um momento de intensas conquistas homossexuais, com o reconhecimento da adoção por casais gays e a aprovação da união estável pelo Supremo Tribunal de Justiça, parece realmente o momento mais favorável para mais essa virada. No entanto é cedo para considerar a quebra do tabu na televisão aberta, principalmente porque diferente do beijo entre as atrizes Gisele Tigre e Luciana Vendramini, o autor Tiago Santiago já informou que irá colocar um locutor anunciando o beijo gay. Se partir por esse caminho, a Globo tem chance de recuperar a disputa. Gilberto Braga e Ricardo Linhares divulgaram essa semana que os personagens de Rodrigo Andrade e Marcos Damigo terão cenas já escritas de beijo e sexo previstas para ir ao ar também em julho. Claro que se aprovado pela direção da Globo tudo deverá ser bastante sutil, mas a competição entre as emissoras no próximo mês será cabeçuda. E quem irá garantir a sobrevivência da espécie dessa vez? Ouso dizer que é preciso ter muito peito, ou melhor, pescoço para alcançar o galho mais alto e quebrar esse círculo de medos e convenções que assombra os bastidores da televisão brasileira.
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domingo, 12 de junho de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Onde habita a intimidade?
O que é mais íntimo numa relação? Um beijo na boca ou o ato sexual de fato? O que desperta mais prazeres e sensações pelo corpo? É possível alguém chegar ao orgasmo apenas com um beijo? Mas não seria um beijo qualquer. Seria 'aquele' beijo! Existe ainda a famosa "lenda" sobre os profissionais do sexo não beijarem seus clientes para evitar intimidade. Mas que tipo de intimidade estamos falando afinal? Quer relação mais íntima do que compartilhar o próprio corpo com outra pessoa? Bem, esse é o ponto de vista moral quando associamos intimidade às partes do corpo que não costumam ser vistas no dia-a-dia. Entretanto, se transferimos esse critério de aproximação para o lado afetivo de cada um, as relações íntimas vão depender do estágio de entrega emocional que uma pessoa consegue extrair do âmago da outra. Nesse caso um beijo poderia causar bem mais estrago do que uma bem sucedida cópula.
Na falta de sono numa dessas madrugadas, resolvi assistir um filme pela internet. Um garoto de programa e sua noite de aventuras em um prédio. "Strapped", amarrado em inglês, nos convida a conhecer a vida de um jovem à medida que ele adentra em uma noite de prazer e dinheiro em meio ao desconhecido e muitos pseudônimos. Não sabemos onde habita o verdadeiro ser que circula pelos corredores vazios à procura de grana. Mas aos poucos, entre um cliente e outro que arranja ao acaso, é possível ir penetrando no autêntico território desse personagem. O seu envolvimento é sempre sexual, como uma máquina preparada apenas para satisfazer o desejo do próximo, enquanto se mantém na maioria das vezes distante das emoções alheia. E uma vez feito, se veste e parte para outra.
O detalhe curioso acontece já no fim de sua maratona pelo prédio, quando seus olhos quase vencidos pelo sono e seu corpo cansado de praticar todas as modalidades de sexo com os clientes, o jovem se depara com um rapaz que lhe faz um único pedido em troca do valor que ele conseguiu durante toda a noite: um beijo na boca. Contrariado, ele até tenta argumentar que não beija em serviço, que o seu trabalho é sexual e não afetivo. É aí então que o outro elabora uma explanação genial. Olhando fundo nos olhos do garoto de programa, ele diz que não quer ser tocado nos seus órgãos sexuais, não é sexo que ele precisa no momento, ele quer ser tocado no coração, e quer que o outro esteja presente com ele no momento. Convencido mais pelo dinheiro do que pela argumentação, o rapaz aceita, a princípio receoso, mas termina por se entregar e depois de um intenso, longo e extasiante beijo, atinge o orgasmo sem nem ao menos tocar em seu pênis.
Há quem diga, "ah, é filme". Mas será que alguém já tentou? Estamos acostumados a associar prazer e orgasmo diretamente aos órgãos sexuais, mas muitos não se atentam para o fato que outras regiões do corpo humano podem produzir efeitos semelhantes de maior, menor ou igual intensidade. E as pessoas que sofrem danos na coluna vertebral e perdem a sensibilidade abaixo da cintura nunca terão mais prazer? O filme que a princípio parecia não dizer nada, me chamou a atenção pela minúcia e sensibilidade que tratou a relação de intimidade entre duas pessoas, além do sexo. Enquanto simplesmente realizava seu trabalho proporcionando deleite nos outros, o rapaz não se envolvia e não estava junto na relação. No momento que dividiu um beijo passou a sentir o outro e se deixou levar pelas sensações que aquela experiência mútua produzia.
Daí me questiono onde está o maior grau de intimidade numa relação a dois. Será que o corpo tem mais domínio que o sentimento nisso tudo? Existe um maior que o outro ou ambos se completam? Só a relação sexual torna duas pessoas mais íntimas do que aquelas que apenas se beijaram? Talvez seja mais fácil jogar com o corpo do que com a emoção. Não digo que o beijo possa proporcionar mais prazer que o sexo, com verdade e afeição um pode levar ao outro, ou não, mas que nessa ligação de intimidade, o segundo ganha na categoria de melhor fotografia, enquanto o primeiro leva a direção de arte.
Na falta de sono numa dessas madrugadas, resolvi assistir um filme pela internet. Um garoto de programa e sua noite de aventuras em um prédio. "Strapped", amarrado em inglês, nos convida a conhecer a vida de um jovem à medida que ele adentra em uma noite de prazer e dinheiro em meio ao desconhecido e muitos pseudônimos. Não sabemos onde habita o verdadeiro ser que circula pelos corredores vazios à procura de grana. Mas aos poucos, entre um cliente e outro que arranja ao acaso, é possível ir penetrando no autêntico território desse personagem. O seu envolvimento é sempre sexual, como uma máquina preparada apenas para satisfazer o desejo do próximo, enquanto se mantém na maioria das vezes distante das emoções alheia. E uma vez feito, se veste e parte para outra.
O detalhe curioso acontece já no fim de sua maratona pelo prédio, quando seus olhos quase vencidos pelo sono e seu corpo cansado de praticar todas as modalidades de sexo com os clientes, o jovem se depara com um rapaz que lhe faz um único pedido em troca do valor que ele conseguiu durante toda a noite: um beijo na boca. Contrariado, ele até tenta argumentar que não beija em serviço, que o seu trabalho é sexual e não afetivo. É aí então que o outro elabora uma explanação genial. Olhando fundo nos olhos do garoto de programa, ele diz que não quer ser tocado nos seus órgãos sexuais, não é sexo que ele precisa no momento, ele quer ser tocado no coração, e quer que o outro esteja presente com ele no momento. Convencido mais pelo dinheiro do que pela argumentação, o rapaz aceita, a princípio receoso, mas termina por se entregar e depois de um intenso, longo e extasiante beijo, atinge o orgasmo sem nem ao menos tocar em seu pênis.
Há quem diga, "ah, é filme". Mas será que alguém já tentou? Estamos acostumados a associar prazer e orgasmo diretamente aos órgãos sexuais, mas muitos não se atentam para o fato que outras regiões do corpo humano podem produzir efeitos semelhantes de maior, menor ou igual intensidade. E as pessoas que sofrem danos na coluna vertebral e perdem a sensibilidade abaixo da cintura nunca terão mais prazer? O filme que a princípio parecia não dizer nada, me chamou a atenção pela minúcia e sensibilidade que tratou a relação de intimidade entre duas pessoas, além do sexo. Enquanto simplesmente realizava seu trabalho proporcionando deleite nos outros, o rapaz não se envolvia e não estava junto na relação. No momento que dividiu um beijo passou a sentir o outro e se deixou levar pelas sensações que aquela experiência mútua produzia.
Daí me questiono onde está o maior grau de intimidade numa relação a dois. Será que o corpo tem mais domínio que o sentimento nisso tudo? Existe um maior que o outro ou ambos se completam? Só a relação sexual torna duas pessoas mais íntimas do que aquelas que apenas se beijaram? Talvez seja mais fácil jogar com o corpo do que com a emoção. Não digo que o beijo possa proporcionar mais prazer que o sexo, com verdade e afeição um pode levar ao outro, ou não, mas que nessa ligação de intimidade, o segundo ganha na categoria de melhor fotografia, enquanto o primeiro leva a direção de arte.
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