Quem nunca olhou para o céu e se perguntou o que haveria além daquela imensidão de estrelas? Ontem me vi perplexo diante de uma constatação acerca da existência de vida inteligente em outros planetas. A revista Época divulgou o relatório do exército de 1997 sobre o caso do ET de Varginha. Como consta no documento, o caso mais famoso da presença alienígena no nosso país não passa de mais um mito da população. O que já era de se esperar. As inúmeras histórias sobre OVNIs e ETs no nosso planeta alimentam a fantasia de muitos curiosos e aumenta a pesquisa dos ufólogos em todo o mundo, em busca de captar algum sinal que prove a existência desses seres no nosso solo. Particularmente, não acredito que o planeta Terra já tenha sido visitado por extraterrestres e só não considero o fato uma perda de tempo, por acreditar na existência de vida inteligente em algum ponto fora da nossa galáxia.
Seria bastante difícil alguma espaçonave entrar na nossa atmosfera sem ser detectada pelos radares, satélites ou qualquer agência espacial. E haveria de ser uma espécie extremamente evoluída pra conseguir criar uma nave capaz de transportar tripulantes por tamanhas distâncias pelo universo. Um ufólogo da reportagem do ET de Varginha afirmou que não há nenhum registro científico até hoje que prove a existência de vida fora do nosso planeta. De certa forma, essa afirmação me pegou de súbito. Há tempos que tenho essa possibilidade como algo concreto em minha vida. E longe de acreditar nisso por influência do Superman. É algo simples, basta olhar para o céu e ver a sua imensidade de estrelas. Não dá pra pensar que temos o privilégio de viver no único planeta habitado dentre infinitas galáxias. É apenas uma questão evolutiva até o homem chegar em contato com civilizações de outros globos. A princípio achávamos que o sol girava em torno da Terra, depois o homem atravessou os oceanos e chegou à América, construiu um foguete e alcançou o espaço, a lua e hoje já lança sondas em Marte. Ainda nem conhecemos a nossa galáxia por completo. O próximo passo é só uma consequência.
O interessante quando se fala de vida extraterrestre é a associação que as pessoas fazem a seres bizarros, monstruosos, com superpoderes e que querem destruir o nosso planeta. E o mito chega ao cinema reafirmando ainda mais essas teorias. Em Sinais e ET o Extraterrestre, encontramos seres assustadores, esqueléticos, de olhos grandes, boca e nariz pequenos, e que em Sinais ainda têm medo de água. Em Independence Day e Guerra dos Mundos, os ETs são máquinas ou controlam máquinas superpoderosas que destroem o ser humano em fração de segundo. E por aí seguem vários outros filmes: A Invasão, MIB Homens de Preto, Alien, Tropas Estelares, O Dia em que a Terra Parou, Marte Ataca, Star Wars, Planeta dos Macacos. Em meio a tanta barbárie temos Kal-el de Kripton. Mas não vejo as civilizações extraterrestres com essa sede de matança, pelo contrário, penso que devem ter sociedades organizadas como a nossa, tecnologia similar ou mais ou menos avançada. Aliás, devem existir desde mundos pré-históricos a civilizações altamente industrializadas.
Imaginem por um momento se alguma agência espacial divulgasse ter encontrado vida inteligente fora da Terra. Seria um frenesi. Os olhos da população estariam voltados para o espaço mais do que nunca. A curiosidade em torno dos seres, de como faríamos o contato, a língua local, a amistosidade ou não deles e o receio de expor o nosso planeta ao desconhecido. A nossa missão seria com certeza de paz, de estabelecer contato e conhecer outras fronteiras do espaço. Podemos pensar que eles teriam a mesma reação, mas não poderíamos afirmar, afinal, é um outro mundo distante da nossa realidade. E nesse contato só poderíamos ter a certeza de um fato: o planeta mais evoluído iria querer impor a sua dominação, a menos que estivessem em níveis semelhantes. Contudo, seria tentador imaginar dois planetas vivendo em harmonia, compartilhando conhecimentos, tecnologias, recursos minerais e tendo até viagens e migrações de habitantes para cada planeta. Há também quem acredite que cada esfera do espaço e mesmo os planetas hostis da nossa galáxia sejam habitados por seres de natureza etérea, imperceptíveis aos nossos olhos. Mas aí já entraria no campo da espiritualidade e prefiro deixar os mistérios do universo aos limites do vôo da mente de cada um.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Perspectiva
E naquele dia fui ao banco. Fila cheia. Mais de cem na minha frente. Ausência de cadeiras vazias. Me acostei no chão ao lado da porta. Fiquei ali. De repente, algumas pernas começam a passar. Pernas gordas, pernas magras. Pernas curtas e compridas. Pernas apressadas, pernas lentas. Determinadas e confusas. Pernas em jeans, saias, bermudas, vestidos. Pernas em botas, sandálias, chinelos, sapatos, tênis. Pernas claras, pernas escuras. Silenciosas, barulhentas. Pernas lisas e peludas. Apenas pernas pra lá e pra cá. Um mundo de pernas. Uma infinidade de passos. Pernas que revelavam no caminhar o interior e o anseio de cada ser.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Bastidores do censo
O Censo 2010 acabou. Quem foi recenseado, foi. Quem não foi vai ter que se somar às estatísticas do IBGE. Me lembro de que quando criança devo ter presenciado alguma entrevista do censo em minha casa. Olhos curiosos ao que perguntavam. Achava bonitinho a gente ter que responder de que cor era, quantos cômodos havia na casa, se tinha geladeira, televisão, videocassete... De alguma forma sabia que estavam contando o país. Cresci ligado à geografia, aos atlas, vendo as estatísticas que o IBGE fornecia desde a vegetação ao turismo. Mas nunca havia eu mesmo respondido ao censo. E de uma maneira ou de outra, sempre simpatizei com o trabalho dos recenseadores. Achava interessante ir de casa em casa fazendo perguntas pessoais aos moradores. Então eis que o Censo 2010 não só me possibilitou responder sozinho ao IBGE, como fui a campo, ou melhor, aos domicílios particulares permanente ocupados entrevistar os moradores.
O compromisso que tomei comigo mesmo era de ser simpático, colher as informações corretamente, esclarecer os moradores e dar o melhor de mim para ajudar na construção de um novo retrato do país, que eu poderia ver no próximo atlas e saber que fui contribuinte com as informações daqueles dados. Bom, com esse pensamento teve início minha caminhada. Comecei me atrapalhando nas primeiras entrevistas, ficando receoso de verificar certos dados e constatando que lidar diretamente com as pessoas seria mais complicado do que o imaginado. A simpatia durou até a segunda esquina e o primeiro domicílio fechado. E havia horas que sentia vontade de dar uma sacudida no morador pra ver se o esclarecia. Descobri que a cor do brasileiro é o "moreno", moreno claro pra ser exato, como afirmou insistentemente uma senhora que não se encaixava nas cores que o IBGE sugeria. Alguns reclamavam das perguntas serem demais, outros de serem de menos. Questionavam a necessidade de certos quesitos: "saneamento básico? Tá muito ultrapassado", reclamou uma moradora.
Desculpas eram frequentes. Falta de tempo. "Volte outra hora". "O que é isso?". "E o que é IBGE?". "Isso serve pra quê?". Tentei ser prestativo e persuasivo o suficiente para não ter que voltar outro dia, nem perder a paciência. "Essa hora?". "Desculpe, mas durante o dia não tem ninguém em casa". Entrevistei por interfone, com morador na janela do primeiro andar, bati palmas, bati em portas até minhas falanges mudarem de cor, berrei em prédios fechados, apertei campainha pra toda uma infância de travessuras, deixei bilhetes embaixo de portas, peguei gente de toalha, de pijama, pelado, segurei bebê no colo, recebi cuspe de criança falando em cima de mim, entrei em ambientes sombrios, me confundiram com ladrão e fui recepcionado por muitos amiguinhos peludos. Fazendo justiça, muitos cães se mostraram bem mais evoluídos que seus donos no quesito recepção. Fiz até amizade com alguns que me avisavam se seus donos já estavam em casa. No meio disso tudo estava apenas um recenseador que precisava concluir seu setor.
Depois de algum tempo as perguntas saíam automaticamente. Eu acionava o piloto automático e seguia: "o domicílio é próprio? quantos banheiros existem? morava alguém no exterior...? 31 de julho de 2010?..." E por aí seguia. Peguei muitas famas no serviço de moto-táxi, já que em várias ocasiões quando tive que trabalhar à noite, dava pontos diferentes como referência. A princípio fui o evangélico devoto da Universal do Reino de Deus. Cada noite era morador de um edifício novo. Às vezes pedia que me pegassem em postos de gasolina ou em esquinas. Batendo ponto? Deviam pensar, tendo em vista o ambiente em volta ter sua fama própria. Vi um pouco a cara do país nas pessoas que me recebiam. Encontrei gente hospitaleira, simpática, dedicada em contribuir para as estatísticas e encontrei gente indelicada e arrogante que respondiam àquele pobre recenseador como a um favor. Diversos tipos passaram pelo meu caminho. Diversas situações. Me surpreendi uma noite quando descobri que a mulher alta que entrevistava, na verdade era um "menininho", como se definiu ao se referir ao seu nome masculino.
Aos poucos, na correria, na impaciência, na pressão do tempo, fui descobrindo que o trabalho dos recenseadores não era simplesmente entrar nas casas perguntando isso e aquilo. Consistia na verdade em um grande aparato que envolvia não só a minha disposição em perguntar, como a disposição dos moradores em contribuir. A falta de esclarecimento das pessoas em relação ao censo e ao IBGE foi bem maior do que pensei. Descobri um mundo que a mídia e a sociedade consideram extinto, mas na realidade ele ainda existe. Perguntar se as pessoas sabem ler... "Claro" era a resposta da maioria. Mas ainda existem analfabetos, mais do que deveria. E o saneamento básico falta em muitos lugares ainda.
Todavia, foi gratificante entrar assim mesmo na casa de muitos brasileiros, pessoas que nunca havia visto, sentir as energias de cada local, os sorrisos compartilhados, as caras fechadas, as ajudas, as lambidas. Descobri que existiam pessoas que almejavam também responder ao censo pela primeira vez, crianças curiosas me olhando mexer na maquininha, como eu olhava para o recenseador anotando no papel. Pouco antes de terminar meu último setor, me vi discutindo com o dono de um blog que postou algo falando mal do censo. Tomei as dores do IBGE. Acho que vesti a camisa e isso significa no mínimo, que se acredita naquilo que se faz, ou resumindo, um trabalho bem feito. Pois não acho que tomaria as dores do Sebrae quando estive lá, ou de uma empresa de comunicação. E de certa forma, ter feito um trabalho, onde a principal ferramenta era a entrevista, me trouxe de volta ao universo do jornalismo, e me fez avaliar minhas possíveis deficiências na área. E do censo levarei mais um aprendizado: tratar bem o recenseador que à minha casa for, no censo de 2020.
O compromisso que tomei comigo mesmo era de ser simpático, colher as informações corretamente, esclarecer os moradores e dar o melhor de mim para ajudar na construção de um novo retrato do país, que eu poderia ver no próximo atlas e saber que fui contribuinte com as informações daqueles dados. Bom, com esse pensamento teve início minha caminhada. Comecei me atrapalhando nas primeiras entrevistas, ficando receoso de verificar certos dados e constatando que lidar diretamente com as pessoas seria mais complicado do que o imaginado. A simpatia durou até a segunda esquina e o primeiro domicílio fechado. E havia horas que sentia vontade de dar uma sacudida no morador pra ver se o esclarecia. Descobri que a cor do brasileiro é o "moreno", moreno claro pra ser exato, como afirmou insistentemente uma senhora que não se encaixava nas cores que o IBGE sugeria. Alguns reclamavam das perguntas serem demais, outros de serem de menos. Questionavam a necessidade de certos quesitos: "saneamento básico? Tá muito ultrapassado", reclamou uma moradora.
Desculpas eram frequentes. Falta de tempo. "Volte outra hora". "O que é isso?". "E o que é IBGE?". "Isso serve pra quê?". Tentei ser prestativo e persuasivo o suficiente para não ter que voltar outro dia, nem perder a paciência. "Essa hora?". "Desculpe, mas durante o dia não tem ninguém em casa". Entrevistei por interfone, com morador na janela do primeiro andar, bati palmas, bati em portas até minhas falanges mudarem de cor, berrei em prédios fechados, apertei campainha pra toda uma infância de travessuras, deixei bilhetes embaixo de portas, peguei gente de toalha, de pijama, pelado, segurei bebê no colo, recebi cuspe de criança falando em cima de mim, entrei em ambientes sombrios, me confundiram com ladrão e fui recepcionado por muitos amiguinhos peludos. Fazendo justiça, muitos cães se mostraram bem mais evoluídos que seus donos no quesito recepção. Fiz até amizade com alguns que me avisavam se seus donos já estavam em casa. No meio disso tudo estava apenas um recenseador que precisava concluir seu setor.
Depois de algum tempo as perguntas saíam automaticamente. Eu acionava o piloto automático e seguia: "o domicílio é próprio? quantos banheiros existem? morava alguém no exterior...? 31 de julho de 2010?..." E por aí seguia. Peguei muitas famas no serviço de moto-táxi, já que em várias ocasiões quando tive que trabalhar à noite, dava pontos diferentes como referência. A princípio fui o evangélico devoto da Universal do Reino de Deus. Cada noite era morador de um edifício novo. Às vezes pedia que me pegassem em postos de gasolina ou em esquinas. Batendo ponto? Deviam pensar, tendo em vista o ambiente em volta ter sua fama própria. Vi um pouco a cara do país nas pessoas que me recebiam. Encontrei gente hospitaleira, simpática, dedicada em contribuir para as estatísticas e encontrei gente indelicada e arrogante que respondiam àquele pobre recenseador como a um favor. Diversos tipos passaram pelo meu caminho. Diversas situações. Me surpreendi uma noite quando descobri que a mulher alta que entrevistava, na verdade era um "menininho", como se definiu ao se referir ao seu nome masculino.
Aos poucos, na correria, na impaciência, na pressão do tempo, fui descobrindo que o trabalho dos recenseadores não era simplesmente entrar nas casas perguntando isso e aquilo. Consistia na verdade em um grande aparato que envolvia não só a minha disposição em perguntar, como a disposição dos moradores em contribuir. A falta de esclarecimento das pessoas em relação ao censo e ao IBGE foi bem maior do que pensei. Descobri um mundo que a mídia e a sociedade consideram extinto, mas na realidade ele ainda existe. Perguntar se as pessoas sabem ler... "Claro" era a resposta da maioria. Mas ainda existem analfabetos, mais do que deveria. E o saneamento básico falta em muitos lugares ainda.
Todavia, foi gratificante entrar assim mesmo na casa de muitos brasileiros, pessoas que nunca havia visto, sentir as energias de cada local, os sorrisos compartilhados, as caras fechadas, as ajudas, as lambidas. Descobri que existiam pessoas que almejavam também responder ao censo pela primeira vez, crianças curiosas me olhando mexer na maquininha, como eu olhava para o recenseador anotando no papel. Pouco antes de terminar meu último setor, me vi discutindo com o dono de um blog que postou algo falando mal do censo. Tomei as dores do IBGE. Acho que vesti a camisa e isso significa no mínimo, que se acredita naquilo que se faz, ou resumindo, um trabalho bem feito. Pois não acho que tomaria as dores do Sebrae quando estive lá, ou de uma empresa de comunicação. E de certa forma, ter feito um trabalho, onde a principal ferramenta era a entrevista, me trouxe de volta ao universo do jornalismo, e me fez avaliar minhas possíveis deficiências na área. E do censo levarei mais um aprendizado: tratar bem o recenseador que à minha casa for, no censo de 2020.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Nossa própria trilha
Vou explicar porque sempre coloco uma música para cada postagem que escrevo, embora alguns provedores nem executem o gadget. É simples! A música torna a postagem mais densa, mais leve, mais divertida. As canções têm esse poder. Elas são capazes de nos tirar do poço e de nos atolar também. Imaginem o que seria de 2001: Uma Odisseia no Espaço sem a sua trilha sonora? Dos seus 139 minutos, 99 estão embalados por suas melodias. E assim muitos outros filmes. É só pensar um pouco que a própria trilha sonora consegue nos portar até algum. Ghost, E o Vento Levou, O Fantasma da Ópera, Guerra nas Estrelas, Titanic. Como pensar em Indiana Jones sem lembrar de sua trilha? O mesmo com E.T. O Extra Terrestre, Jurassic Park, 007, Cantando na Chuva, Os Intocáveis. Os grandes clássicos do terror como Psicose, Sexta-feira 13 e Tubarão também guardam seus registros. O tema de Rocky Balboa virou sinônimo de boxe. E não há quem não viaje pelos céus na trilha do grande homem de aço.
A trilha sonora é um elemento de grande importância na construção de um filme, tornando-se em alguns casos até um personagem à parte. Aqueles sons que embalam a vida dos personagens são responsáveis por registrar na nossa memória a mensagem de cada filme. E acredito que um bom filme tem que obrigatoriamente ter uma majestosa trilha sonora, capaz de levarmos pra casa e continuarmos extasiados por ao menos algum tempo. Sou apaixonado por música. Só consigo lavar louça ouvindo algo. Sinto que ela torna o mundo mais divertido, mais colorido. Um beijo pode ser apenas um beijo, mas experimente soltar uma trilha romântica na hora, que antes do beijo, o olhar já será outro.
Outro dia caminhava sozinho pelo shopping. Estava naqueles dias de amargura, olhando pra cada um com vontade de esganar. Caminhava apressado pra lugar nenhum, mal olhava o rosto de alguém. Daí me sentei, peguei o celular, o fone de ouvido, liguei o mp3 e comecei a ouvir algumas canções. A agitação e a amargura foram se aquietando. Comecei a olhar as pessoas. Um casal conversando, uma menina mimada puxando a blusa da mãe. Já não parecia tão irritante. Olhei em volta como se a música fosse o mais importante e todos ao redor meros figurantes. O mundo ou a praça de alimentação já não era mais o mesmo. Comecei a caminhar, agora devagar, olhava as pessoas, sentia meus passos, conseguia sorrir da agitação das pessoas, da falta de tempo, eu tinha o tempo ali a meu favor. A vida transbordava aos meus olhos como o atlântico engolindo o Titanic. (Profundo, não?)
Bom seria se pudéssemos sempre estar embalados por alguma canção no nosso dia-a-dia. Nas filas dos bancos, no trânsito, nos supermercados, no corre-corre, nas brigas, nos medos, nas dúvidas, nas alegrias. Sempre ali com uma trilha sonora nos acenando sobre o que nos é importante na vida. Mas como ainda não temos um editor de áudio ao nosso dispor, vou abrindo meu mp3 e sentindo a vida pelas ruas e avenidas de vez em quando. Devo dizer que escrevi esse post embalado por Kenny G e alguns temas de filmes românticos, então se pareceu piegas demais a alguém, sugiro que o leia de novo escutando o mesmo. Afinal, temos o direito e por que não dizer o dever de ser piegas em alguns momentos. Nos permitimos ser críticos, céticos, egoístas, ambiciosos por tanto tempo, então relaxe alguns minutos e se entregue ao "melosismo". Sua vida vai voltar ao normal ao fim da canção.
A trilha sonora é um elemento de grande importância na construção de um filme, tornando-se em alguns casos até um personagem à parte. Aqueles sons que embalam a vida dos personagens são responsáveis por registrar na nossa memória a mensagem de cada filme. E acredito que um bom filme tem que obrigatoriamente ter uma majestosa trilha sonora, capaz de levarmos pra casa e continuarmos extasiados por ao menos algum tempo. Sou apaixonado por música. Só consigo lavar louça ouvindo algo. Sinto que ela torna o mundo mais divertido, mais colorido. Um beijo pode ser apenas um beijo, mas experimente soltar uma trilha romântica na hora, que antes do beijo, o olhar já será outro.
Outro dia caminhava sozinho pelo shopping. Estava naqueles dias de amargura, olhando pra cada um com vontade de esganar. Caminhava apressado pra lugar nenhum, mal olhava o rosto de alguém. Daí me sentei, peguei o celular, o fone de ouvido, liguei o mp3 e comecei a ouvir algumas canções. A agitação e a amargura foram se aquietando. Comecei a olhar as pessoas. Um casal conversando, uma menina mimada puxando a blusa da mãe. Já não parecia tão irritante. Olhei em volta como se a música fosse o mais importante e todos ao redor meros figurantes. O mundo ou a praça de alimentação já não era mais o mesmo. Comecei a caminhar, agora devagar, olhava as pessoas, sentia meus passos, conseguia sorrir da agitação das pessoas, da falta de tempo, eu tinha o tempo ali a meu favor. A vida transbordava aos meus olhos como o atlântico engolindo o Titanic. (Profundo, não?)
Bom seria se pudéssemos sempre estar embalados por alguma canção no nosso dia-a-dia. Nas filas dos bancos, no trânsito, nos supermercados, no corre-corre, nas brigas, nos medos, nas dúvidas, nas alegrias. Sempre ali com uma trilha sonora nos acenando sobre o que nos é importante na vida. Mas como ainda não temos um editor de áudio ao nosso dispor, vou abrindo meu mp3 e sentindo a vida pelas ruas e avenidas de vez em quando. Devo dizer que escrevi esse post embalado por Kenny G e alguns temas de filmes românticos, então se pareceu piegas demais a alguém, sugiro que o leia de novo escutando o mesmo. Afinal, temos o direito e por que não dizer o dever de ser piegas em alguns momentos. Nos permitimos ser críticos, céticos, egoístas, ambiciosos por tanto tempo, então relaxe alguns minutos e se entregue ao "melosismo". Sua vida vai voltar ao normal ao fim da canção.
domingo, 10 de outubro de 2010
Tempo
Tempo! Dizem que vivo perdendo tempo, que não sei o que é bom, que o tempo corre, que eu preciso do hoje. Talvez seja verdade. O que mais terei perdido desde que vi a luz na sala de parto até os 25 anos? Gosto de pensar que vivi experiências fora do comum, que não joguei bola, mas subi em palcos, que preferia "mirabolar" histórias sozinho com os cavaleiros do zodíaco a permitir a interferência de alguém nas minhas ideias, não joguei vídeo game, mas dei vida a vidros de perfume e laços de presentes desfiados. Criei filmes com os bonecos e reprisava de vez em quando. Fiz isso até os 13 ou 14 anos quando os troquei pelos roteiros. Já senti escrevendo, a mesma sensação de quando brincava. Já deixei de lado, como quem enjoa aquele brinquedo. Já voltei a subir no palco. Já reassisti os Cavaleiros do Zodíaco e não senti o mesmo de antes. É o tempo!
Demorei a sair da infância. Será que já saí? Cheguei tarde à adolescência e mais tarde ainda saí dela. O que eu fiz a esse tempo colado a mim como uma sombra? Sonhei, idealizei, imaginei, mas não me projetei. Quis ser, quero ser, mas ainda não sou e quando serei? Nunca estou pronto e quando penso que estarei, já estive. Fujo do mundo ou de mim? A quem temo? A quem escutar? Tempo perdido sonhando ao invés de agir. Chances perdidas me subestimando. Até onde sou capaz de ir? Ir pra onde? Buscar o tempo esquecido.
Ainda não fui a uma academia. Desde os 18 ela briga comigo: "precisa definir seus músculos", "massa muscular faz bem à saúde e embeleza o corpo". É, daqui a pouco não terei mais o que definir. O tempo! Muitas outras coisas tidas normais ainda não fiz. Nem sei quando farei. Gosto de me isolar. A solidão não me parece uma prisão ou me aprisione mais do que tudo. Eu quero, desejo, anseio, mas no fundo não sei se almejo. Quero e não quero. Preciso e descarto. Alguém pode viver assim? E o tempo avança. Logo, logo, de mim é que ninguém vai mais necessitar.
Sou um labirinto cheio de túneis que levam a nada. A cada tempo construo mais passagens e a saída verdadeira torna-se sempre inexpugnável. Tô nadando contra a maré do tempo. Talvez tenha iniciado esses corredores há séculos, em outros mundos e talvez a saída esteja anos luz daqui. Sendo assim, ainda tenho muito tempo. Se nada fiz, se nada sou em 25 anos, será que farei ou serei em mais 25? Minha mãe tinha 27 anos quando nasci, meu pai 55. Eu tinha 8, 10, 11, 14, 18, hoje 25. Me arrependo de algo? Do que não fiz? Do que deixei que me fizessem? Preciso caminhar e tirar a sombra das minhas costas. O tempo é uma ilusão. Se esqueço os anos e olho pra trás como um longo dia, ainda estou pela manhã ou já cheguei ao pôr do sol?
Demorei a sair da infância. Será que já saí? Cheguei tarde à adolescência e mais tarde ainda saí dela. O que eu fiz a esse tempo colado a mim como uma sombra? Sonhei, idealizei, imaginei, mas não me projetei. Quis ser, quero ser, mas ainda não sou e quando serei? Nunca estou pronto e quando penso que estarei, já estive. Fujo do mundo ou de mim? A quem temo? A quem escutar? Tempo perdido sonhando ao invés de agir. Chances perdidas me subestimando. Até onde sou capaz de ir? Ir pra onde? Buscar o tempo esquecido.
Ainda não fui a uma academia. Desde os 18 ela briga comigo: "precisa definir seus músculos", "massa muscular faz bem à saúde e embeleza o corpo". É, daqui a pouco não terei mais o que definir. O tempo! Muitas outras coisas tidas normais ainda não fiz. Nem sei quando farei. Gosto de me isolar. A solidão não me parece uma prisão ou me aprisione mais do que tudo. Eu quero, desejo, anseio, mas no fundo não sei se almejo. Quero e não quero. Preciso e descarto. Alguém pode viver assim? E o tempo avança. Logo, logo, de mim é que ninguém vai mais necessitar.
Sou um labirinto cheio de túneis que levam a nada. A cada tempo construo mais passagens e a saída verdadeira torna-se sempre inexpugnável. Tô nadando contra a maré do tempo. Talvez tenha iniciado esses corredores há séculos, em outros mundos e talvez a saída esteja anos luz daqui. Sendo assim, ainda tenho muito tempo. Se nada fiz, se nada sou em 25 anos, será que farei ou serei em mais 25? Minha mãe tinha 27 anos quando nasci, meu pai 55. Eu tinha 8, 10, 11, 14, 18, hoje 25. Me arrependo de algo? Do que não fiz? Do que deixei que me fizessem? Preciso caminhar e tirar a sombra das minhas costas. O tempo é uma ilusão. Se esqueço os anos e olho pra trás como um longo dia, ainda estou pela manhã ou já cheguei ao pôr do sol?
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