Legal você está aqui no Celeiro lendo esse texto, escutando a música de hoje, ou desligando esse som desagradável, rindo, refletindo ou ficando impaciente com o tamanho de cada parágrafo. Mas você só pode entrar no Celeiro, ler, escutar e sentir porque temos ao nosso favor, elementos como as mãos e os dedos que digitaram esse link, a visão que possibilitou a leitura, a audição que o fez escutar ou querer parar a música e a mente que libera as mais variadas sensações pelo corpo. Já parou pra pensar quanta coisa boa temos todos os dias ao nosso dispor e não nos damos conta?Curiosamente, pude redescobrir esses valores ao acompanhar três programas de televisão essa semana. Em meio ao tema barulhento do Profissão Repórter da última terça-feira, redescobri através do silêncio do agricultor Wilson Alves, o valor de cada batida, de cada voz, de cada som que é capturado todos os dias pelos nossos ouvidos. Devido uma intoxicação com agrotóxicos há 9 anos, Wilson perdeu totalmente a sua audição e passou a fazer leitura labial pra conseguir entender as pessoas. Depois de todo esse tempo de silêncio total, um implante coclear traz o som de volta a sua vida.
O momento em que a fonoaudióloga gera os primeiros ruídos através do equipamento, parece que Wilson renasce. Ele fica literalmente abestalhado por estar ouvindo novamente. E quando ele passa então a escutar sua própria voz é um êxtase que eu não pude deixar de transcrever suas palavras: “Eu tô ouvindo! Nossa! Eu tô ouvindo a minha voz”, e cai na gargalhada. Um passeio pela rua e cada barulho era uma alegria nova. O vento batendo nas árvores, a buzina de uma bicicleta, um carro de som anunciando promoções, o trânsito, o canto dos pássaros. E eu cá na minha sala, deitado, assistindo tv, desfruto, como inúmeras pessoas, esse dom todos os dias sem precisar de equipamento nenhum, e não percebemos quão significativo ele nos é. Nos irritamos tanto com o barulho do trânsito diário, da música alta, dos cachorros latindo à meia-noite, mas que fantástico escutarmos tudo isso. E que gritem mais, façam fuzuê. Quero ouvi-los mais e mais.
Coincidentemente ou não, o SBT Repórter desta quarta-feira trouxe uma viagem pelo cérebro humano, acompanhando neurologistas nas cirurgias pelos cérebros dos pacientes. O caso mais intrigante foi da menina Elenice de 8 anos que sofria de ataques constantes de epilepsia e no intuito de parar os ataques faria uma cirurgia de retirada do lado direito do cérebro. Foram 4 horas só para chegar ao cérebro da menina, depois de passar pelo couro cabeludo, perfurar o crânio, a membrana interna e finalmente atingir o cérebro. E o mais impressionante é imaginar que essa cirurgia era feita há 30 anos com o paciente acordado.
Mais uma região delicada e tão fundamental à nossa vida. Pensar que cada pontinho daquela massa é responsável por inúmeras funções do nosso corpo é espetacular. Refletimos, nos movemos, guardamos lembranças, nos emocionamos tudo graças a essa engrenagem superprotegida do nosso corpo. Tão fundamental como aquela que faz pulsar o nosso sangue. No quadro Transplante, O Dom da Vida do Fantástico de domingo, foi mostrado o instante exato em que um coração transplantado começa a bater num outro peito. É incrível a capacidade que o homem tem de fazer aquele órgão vital continuar vivo o suficiente para salvar outras vidas. E a precisão de cada ponto, saber que aquela artéria se juntando àquela veia e isso àquilo vai fazer tudo funcionar de novo. Fosse eu entraria em pânico. “Ai, meu Deus, onde isso entra agora!?”. Por isso não sou médico. Ainda bem! E ainda bem que eles existem e são capazes de fazer.
Cada um com a sua função! Assim como o nosso organismo nos quais cada órgão tem o seu papel para fazer funcionar o todo, na sociedade cada um faz a sua parte. O médico opera, melhora a qualidade de vida de diversas pessoas, o repórter vai lá, colhe a informação, repassa a nós e instiga garotos como eu a escrever sobre essa fascinante engenhoca da vida. Ah, e como é bom poder raciocinar, enxergar, ouvir, sentir, respirar e continuar tendo um coração bombeando o sangue nas nossas veias e tocando sempre sua canção favorita: tum tum, tum tum, tum tum...
