É difícil fugir do passado quando este segue deixando uma trilha de saudade. Experiências vão e vêm. Mas sempre é gostoso relembrar momentos felizes. Quando eu passo pelo Parque do Povo sempre que venho da faculdade e vejo operários e máquinas pondo a baixo a estrutura do que foi a maior feira já realizada na cidade, é inevitável a lembrança dos dias que mergulhei em um universo de grandes possibilidades e descobri as oportunidades que a vida oferece a quem se arrisca em seu próprio negócio. E como eu fui parar na Feira do Empreendedor?Tudo começou numa tarde de segunda-feira quando os bons ventos da vida sopravam para uma tenebrosa e esperada reunião no Sebrae. Era o início de um estágio de um mês para Saskia, Silmara, Clara, Edimílson e eu. Fomos apresentados a Erialdo Pereira, o grande jornalista do estado e detentor de uma sábia experiência. Também conhecemos os competentes Valter e Renata. Era nosso primeiro contato e o que fosse sair dali, a ansiedade e a expectativa nos olhares de cada um encobria qualquer apreensão ou insegurança. Finalmente soubemos nossa missão. O Sebrae estaria promovendo na cidade a Feira do Empreendedor e nossa missão era criar um boletim com casos de sucesso empreendedor de Campina e fazê-lo "girar" durante a feira. Uau! Que fantástico! Mas será que alguém sabe ao certo o significado da palavra "empreendedor"? Sabendo ou não entramos de cabeça nessa. Ou melhor, de imaginação.
Para nossa tarefa contamos com a orientação da professora Fátima Luna. E a saga em busca dos vencedores da cidade tomou fôlego no dia seguinte. Em uma mesa redonda uma chave da manga de Erialdo abriu a sessão. Foram muitas idéias, várias discussões, jogadas, “compra e venda” de pautas. E uma lista de 10 profissionais de sucesso da cidade se formou. Parte II: divisão das empresas, pauta, entrevista, texto. Eh, vamos à luta! Fiquei responsável por duas empresas. A escola de informática Infogenius e a agência de segurança eletrônica Insiel (os textos na íntegra estão nas postagens logo abaixo). Para minha sorte a empreendedora da Infogenius, Jeannine Figueiredo era um doce em pessoa e a entrevista transcorreu melhor que o esperado. Agora era hora de colocar a cabeça pra funcionar e criar um texto agradável da história de vida de sucesso da minha entrevistada. Logo as idéias se formaram e saiu a primeira versão do texto. Entretanto, como diz Erialdo, nosso primeiro texto nunca é o definitivo, sempre podemos aperfeiçoá-lo e melhorar. E assim refiz uma! Duas! Três vezes! E perdi as contas de quantas vezes o reli.
Alguns dias depois, com quase todos os textos prontos era hora de decidir o nome do “garoto” que levaria nossas histórias ao público. Mais uma vez em volta de uma mesa vários nomes surgiram. Ventos de sucesso; Atitude empreendedora; Empreendedorismo em pauta; Bons Fluidos. E ninguém poderia imaginar que o nome escolhido seria um tão simples e que resumia tudo que a feira representava. Foi assim que surgiu o Catavento. Com nome definido e textos acabados, era hora de partir para as fotos. Tareb foi o fotógrafo encarregado disso e saiu com Saskia, Silmara e Clara para fotografar os estabelecimentos. Para minha infelicidade, os donos da Infogenius estavam viajando e a tão fantasiada foto de Jeannine sentada no colo de Fábio entre os computadores só ficou na imaginação. Porém, a galera teve que escutar esse meu discurso até o último minuto da feira.
Ah, e a feira!! Ela chegou e foi embora mais rápido do que imaginei. Como dizia seu slogan “Bons Ventos para o seu Negócio”, os ventos sopraram rápido demais e levaram a feira para outros horizontes. Lá, no Parque do Povo, eu e Clara trabalhamos com a equipe de Kamille e Arthur para a TV Sebrae. Conhecemos o grande jornalista Amim e os repórteres Morib e Syusk. Aliás, ficávamos impressionados com a desenvoltura de Syusk durante as matérias. Nós simples estudantes imaginávamos quando seríamos capaz de tal profissionalismo. Ao mesmo tempo em que brincava, ela mostrava sua competência e responsabilidade. Enquanto isso, Silmara, Saskia e Edimílson corriam atrás de notícias para alimentar o site da feira. E cá entre nós, correr ali dentro era uma aventura a parte. Tantas empresas expondo, palestras, desfiles, comida. Nossa! Tinha de tudo ali dentro. Até prática de escotismo surgiu no Açude Novo. Tareb estava lá para não deixar de exercitar o clique do dedo e Saskia para viver a emoção da matéria. E emoção foi o que não faltou nesses quatro dias de feira.
É, mas a brisa passou. A correria se foi. Os colegas de trabalho voltaram a se espalhar. Mas novas amizades surgiram e continuaram. Por isso passar em frente ao Parque do Povo e olhar o fim de uma história é dolorido e prazeroso. Sentimos falta daqueles dias agitados e de todos que estiveram conosco. Embora também temos a certeza de ter feito algo útil, além da experiência profissional e de vida que adquirimos. Cada viga, lona e stand que se desmonta conta um detalhe daqueles dias. Histórias que só quem esteve lá pode contar. A última reunião com nossa equipe aconteceu há dois dias e o clima de despedida reinava sem cessar na sala. O bom de viver uma experiência é que sempre ficamos mais seguros e mais maduros de conhecimento. Sabemos onde podemos acertar e onde melhorar nas próximas oportunidades. Afinal, se hoje sabemos mais do que ontem, amanhã saberemos mais do que hoje e assim se constrói a história. Num é isso, Erialdo?



