sábado, 29 de outubro de 2011

Fragmentos

TEATRO MUNICIPAL. INTERIOR. NOITE
UMA EXPOSIÇÃO DE PEÇAS ANTIGAS DE LINCOLN É A ATRAÇÃO DA NOITE. MUITOS CURIOSOS CIRCULAM. MATHEUS ENTRA UM POUCO SEM JEITO E OLHA A MOVIMENTAÇÃO. MOISÉS O VÊ E VAI ATÉ ELE.

MOISÉS – Matheus, que bom que aceitou o meu convite.
MATHEUS – Pois é. Não se tem muita alternativa num sábado à noite em Pouso Belo.
MOISÉS – Tenho certeza que vai adorar a exposição. Já viu a coleção de moedas do século XVIII?
MATHEUS – Ainda não.
MOISÉS – Ao fim daquele corredor. Cada galeria que passar vai se surpreender com o que irá encontrar. Veja! (APONTA) Aquela indumentária ali pertenceu ao Duque de Orléans, quando assumiu o trono da França depois da morte de Luís XIV. Meu pai fez questão de conseguir a peça original.
MATHEUS – Tem muita coisa cara aqui.
MOISÉS – Cara e ‘rara’! Se ainda conseguir respirar até o fim da exposição, eu te mostro a carta que Napoleão entregou a Edmond Dantes na ilha de Elba.
MATHEUS – Não é só um romance de Alexandre Dumas?
MOISÉS (SORRI) – É! Mas meu pai gosta de viver a fantasia.

MILA, MATT, BIA E OSCAR PASSAM SORRINDO E OLHANDO AS PEÇAS. MATHEUS OLHA SURPRESO E MOISÉS PERCEBE.

MATHEUS – Eu não sabia que eles estariam aqui.
MOISÉS (COM AR SORRIDENTE) – É! Eu os convidei. Desculpe, não sabia que ele viria também.
MATHEUS – Hã?... Não! Eu não me importo com a presença do Matt.
MOISÉS – Mesmo?
MATHEUS – A gente é amigo agora.
MOISÉS – Olha! Que novidade!

MILA VÊ MATHEUS, SORRI, MOSTRA A MATT E ELES SE APROXIMAM.

MILA – Matheus, eu não sabia que vinha. Tudo bom?
MATHEUS – Tudo! Oi, Matt!
MATT – E aí, Matheus? (OLHA PARA MOISÉS) Moisés!
MOISÉS – Olá, meu jovem! Curtindo a noite?
MATT – Muito. Seu pai tem uma bela coleção.
MOISÉS – Não diga isso a ele. (SORRI)
MILA – E então? Aonde você vai depois daqui?
MATHEUS – Provavelmente pegar a estrada e voltar pra casa.
MILA – Nós vamos jantar no Gibraltar. Eles têm um excelente cardápio de frutos do mar. O risoto de camarão é uma delícia. Você não quer vim com a gente?
MATHEUS (DESLOCADO) – Não! Eu preciso voltar. Mas obrigado pelo convite.
MILA – Ah, que pena!

BIA E OSCAR SEGUEM POR OUTRA GALERIA E BIA ACENA PARA ELES.

MATT – A Bia tá chamando.
MILA – É! A gente vai estar por aqui. Aparece antes de ir embora.
MATHEUS – Certo!
MILA – Até mais, Moisés.
MOISÉS – Fiquem à vontade.

MILA E MATT SAEM. MATHEUS OLHA SEM JEITO. MOISÉS PERCEBE E SORRI.

MOISÉS – O que foi, Matheus? Pensei que tinha dito que não se importava com a presença deles.
MATHEUS – Eu preciso tomar um ar. (SAI)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Fragmentos

COLÉGIO. INTERIOR. DIA. GABINETE DO DIRETOR. 
JULIO TRABALHA EM SEU COMPUTADOR À MESA. BATEM À PORTA.

JULIO – Entre!
ELISA (abre a porta) – Licença, diretor! Eu posso falar um minuto com o senhor?
JULIO (debochado) – Outro aluno? Se eu for parar meu dia pra atender aluno, eu não faço mais nada aqui hoje. Estou mais solicitado do que prefeito em dia de posse.
ELISA – É... É rápido! Eu só quero trocar umas idéias.
JULIO – “Trocar umas idéias”? Claro! Entra!

ELISA FECHA A PORTA E SENTA-SE DIANTE DELE.

ELISA (tensa) – Licença!
JULIO (encosta-se na poltrona e olha para ela) – Então?
ELISA – É sobre o jornal do colégio.
JULIO – Hum!
ELISA – Eu fui até lá e a sala estava fechada. Não tinha computador, mesa, nada.
JULIO (surpreso) – Você abriu a sala?
ELISA (confusa) – Abri!
JULIO (curioso) – Como?
ELISA – Ah, é que eu guardei uma cópia da chave da época em que eu trabalhei lá.
JULIO (debochado) – Ah, então você deve ser Elisa Medeiros.
ELISA (sorri) – Sim! Sou eu! O Afonso falou ao senhor sobre mim?
JULIO – Não, Elisa! Eu nem cheguei a conversar com o Afonso. Eu li o seu histórico do jornal.
ELISA (rindo) – Foi? E o senhor gostou?
JULIO – O que você pergunta se eu gostei? Eu acredito que eu tenho uma cópia do relatório aqui. (procura em algumas gavetas) Você mesma pode conferir. 

ELISA OLHA DESAPONTADA. JULIO ENCONTRA O RELATÓRIO E FOLHEIA.

JULIO – Aqui! Vejamos! Parece que você tinha um gosto singular por matérias bastante sensacionalistas, não é? Por três vezes as suas reportagens causaram um tumulto no colégio.
ELISA – Mas eu só expus a verdade!
JULIO – Algumas verdades devem permanecer enterradas. Você não concorda, Elisa? Bom, continuando o seu histórico, ele alega aqui abandono de posto perto do final do ano passado.
ELISA – Não! Eu não abandonei o jornal! Eu estava um pouco abalada com... (olha para ele) É...
JULIO (com um sorriso sarcástico) – O seu sensacionalismo, não é?
ELISA (o olha atônita) – Mas o Matheus ficou lá no meu lugar!
JULIO – Sei! O Matheus que diz aqui que também deixou o jornal várias vezes na mão. É lamentável!
ELISA (preocupada) – O que o senhor vai fazer?
JULIO – O jornal está fechado até que apareça um outro repórter interessado em assumir o cargo. Alguém que veja o jornal apenas como um meio de divulgar as atividades escolares e como veículo de responsabilidade social, não como central de fofocas e intrigas pelo colégio. Fui claro, senhorita Medeiros?

ELISA CONFIRMA SUBMISSA COM A CABEÇA, SE LEVANTA E VAI SAINDO.

JULIO – Elisa! (ela olha) A cópia da chave, por favor!

ELA ABRE A BOLSA, PEGA A CHAVE E ENTREGA A JULIO.

JULIO (sarcástico) – Obrigado! Pode ir!

ELA O OLHA INDIGNADA E SAI. ELE SUSPIRA E VOLTA AO COMPUTADOR.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Pragmatizando...!?

Por muito tempo fui perseguido pela palavra 'pragmático'. Esbarrava com ela sem nunca entender completamente o significado de alguém pragmático, mesmo consultando dicionários, fóruns yahoo e todo tipo de 'pédias'. Talvez porque eu nunca tenha sido uma pessoa pragmática. Minha vida foi alimentada de ideologias nada práticas. Uma amiga sempre me dizia que dava a solução e eu arranjava o problema. Eu gostava de acreditar em um ideal de felicidade e não abdicava de viver essa fantasia. Mas quem sonha demais em um mundo que valoriza a praticidade, parece estar sujeito a virar sonâmbulo na sociedade. Idealizar a vida é uma tarefa válida, é acreditar nas possibilidades de mudança do mundo, permitir ser romântico, cafona, piegas! Mas sonhar, sonhar... querer, querer não basta. Sem um pouco de agilidade parece que nada sai do abstrato e entra no concreto.

Fazendo uma análise das pessoas ao meu redor, depois que consegui desvendar o mistério por trás dessa palavra, descobri que sempre tive um exemplo clássico de alguém assim. A palavra que me seguia pelas esquinas estava dentro da minha própria família sintetizado na figura da minha tia Auxiliadora. Se alguém pode exemplificar o que é o pragmatismo é ela. Posso fazer um mau julgamento, mas tenho a impressão de que ela nunca se agarrou em nenhuma nuvem. Claro, ela até pode ter suas fantasias, mas nunca deixou que elas fossem a sua vida. Praticidade é com ela mesmo! Não me vem à mente nenhuma ocasião em que ela não tenha chegado a solução de algum problema com o qual se deparou. É a verdadeira desatadora dos nós, simplesmente porque onde vemos um grande obstáculo através da neblina das nossas ilusões, ela vê o prático, o ágil e o possível. 

Mas não é uma tarefa fácil abandonar as convicções adquiridas ao longo dos anos para se entregar à praticidade. Afinal, se os sonhos nos movem, como deixá-los de lado em nome de uma vida mais prática? Será que todas as pessoas idealistas virão a se tornar pragmáticas algum dia? Se é um caminho para tornar a vida mais fácil, perde-se um pouco o sentido do ser, já que uma saída prática quase nunca é a que idealizamos. E o que fazer? Frustrar-se com o mundo diante da impossibilidade das conquistas ou aceitar a solução paliativa sugerida? A vida nos força a ser pragmáticos. Diariamente situações nos obrigam a deixar de lado certos anseios e nos conformar com o que pode ser oferecido. O conformismo e o comodismo são outras armadilhas que nos distanciam ainda mais do ideal. Em um dia tenho total confiança em mim e quero desafiar o mundo, no dia seguinte o mundo parece um rival grande demais, e um buraquinho é o melhor local para se abrigar.

Provavelmente se tivesse sido uma pessoa pragmática, teria feito uma faculdade visando unicamente o mercado de trabalho e o dinheiro no bolso. O idealista, pois, cria o seu mundo ideal e segue pelos mais diversos caminhos para chegar nele, sem a garantia que um dia chegará, ao passo que o prático enxerga as garantias futuras e a estabilidade financeira e batalha por isso. Mas não sei se seria melhor ter uma vida prática, que a meu ver parece uma vida sem muito brilho ou felicidade alguma. É como se quem partisse para uma "faculdade prática" fosse desprovido de vocação e enxergasse no dinheiro o único caminho do sucesso. Então o que fazer hoje? Continuar insistindo nas possibilidades incertas daquilo que idealizo ou partir para algo útil, rápido e seguro, abandonando todo aquele universo imaginário? Às vezes, sonhar demais cansa, e um atalho pelo caminho surge quase como um oásis em um deserto tão infértil de realizações, infelizmente.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Fragmentos

COLÉGIO. INTERIOR. DIA.
ANDERSON PASSA APRESSADO PELOS CORREDORES COM LIVROS NAS MÃOS. CÍNTIA O VÊ E CORRE ATRÁS DELE.

CÍNTIA – Anderson! Anderson! (ACOMPANHA-O)

ANDERSON – Eu tô apressado, Cíntia. Tenho dois testes pra aplicar e ainda tenho que passar na secretaria.

CÍNTIA – Eu só queria saber por que você não me procurou mais.

ANDERSON – Eu ando com muito trabalho acumulado.

CÍNTIA – Custava dá um telefonema? Ontem eu passei horas tentando ligar pro seu celular, mas só dava caixa postal. E na sua casa a empregada podia ser mais discreta e não dizer “eu vou saber se ele está em casa” toda vez que eu ligava.

ANDERSON (PÁRA DE ANDAR E A OLHA) – Tudo bem. O que é que você quer, Cíntia?

CÍNTIA – Atenção! Carinho! Eu sou sua namorada, Anderson. Eu preciso disso! Ultimamente parece que você não me enxerga mais. Eu que fico te procurando, insistindo sempre com você pra gente sair, se divertir. Mas você parece que não percebe isso ou força a barra pra não perceber. Até nos esportes você vai e não me chama mais. Você está me deixando de lado aos poucos.

ANDERSON – É que eu tenho andado cheio de problemas e eu tenho estado um pouco confuso.

CÍNTIA – E por que não se abre comigo? Meu Deus, pra que a gente está namorando então, se um não serve pra escutar os problemas do outro? Eu tô aqui, Anderson! Poxa! Esse seu afastamento não tá sendo bom pra ninguém. Você sabe há quanto tempo nós não fazemos... ‘sexo’? (OLHA PARA OS LADOS)

ANDERSON (A OLHA) – Tá! Eu vou tentar não me distanciar tanto. Você quer sair hoje pra jantar?

CÍNTIA – É, pode ser um bom começo. 

ANDERSON – Então tá. A gente sai à noite. Agora eu tenho que ir. (SAI)

CÍNTIA – Anderson! (ELE OLHA) Meu beijo!

ANDERSON – Hã! 

ELE OLHA DE LADO, VOLTA, DÁ UM SELINHO NELA E SAI.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Próxima parada: fim do mundo!

É melhor aproveitar o dia de hoje o máximo possível, porque segundo o pregador evangélico americano Harold Camping, o fim do mundo tem data: é amanhã! Nossa! O que posso fazer ainda hoje que não fiz em toda a vida? Tenho tantos lugares que gostaria de conhecer, mas não dá pra viajar pra todos em um só dia, então acho que escolho o Everest, com certeza vai dá pra assistir o espetáculo do apocalipse de camarote. Não sei exatamente em que se baseia esse pregador para anunciar pela segunda vez no mesmo ano o fim dos tempos. Primeiro ele disse que o mundo acabaria às 20h do dia 21 de maio, mas eis que o sol renasce no dia 22. Uma intensa divulgação com direito a cartazes espalhados nas ruas pelos fiéis de Camping anunciavam o grande dia, mas como ele não veio, os seguidores ficaram se perguntando o que teria acontecido por ainda estarem vivos. A cena me recorda um episódio que assisti ainda criança da Família Dinossauro, quando Dino acreditava que o mundo ia acabar porque Bob tinha quebrado uma tradição milenar, e todos se reuniam na sala envoltos em lençóis esperando a hora final. A surpresa dos fiéis deve ter sido parecida com a da família dinossauro aos primeiros raios do alvorecer.

Um erro de cálculo! Foi o que anunciou Camping depois do mundo continuar existindo após sua previsão. O mais impressionante é que muita gente abandonou mesmo suas casas, desfez de bens, largou empregos e quando o juízo final não apareceu tiveram que assumir as consequências de seus atos. Teve até um funcionário aposentado que gastou mais de 140 mil dólares da sua poupança em publicidade para a profecia. Com o fim do mundo remarcado para 21 de outubro, Camping avaliou que não será necessário tanta divulgação como em maio. Por que será? Essa não é a primeira vez que somos comunicados de um suposto "dia do julgamento". Quem não se lembra das profecias de Nostradamus sobre o fim do mundo para 11 de agosto de 1999? Uma propagação em massa ganhou a mídia de todo o planeta. Olhos curiosos fixados para o céu daquela noite que nada visivelmente aconteceu. Mas há quem defenda um suposto eclipse no mês de julho daquele ano como algo referente à previsão de Nostradamus, justificando o erro de cálculo pela mudança de calendário Juliano para Gregoriano.

Mais recentemente temos as previsões maias sobre 2012, que já virou até temas de filmes, antecipando a catástrofe mundial que ainda nos aguarda. De acordo com o prenúncio, 2012 marcará o fim de um ciclo cósmico no planeta. O calendário maia termina de repente entre os dias 21 e 23 de dezembro de 2012 do nosso tempo. A causa física seria uma intensa chama radioativa, oriunda do centro da galáxia, que seria transmitida à Terra e a todo Sistema Solar. Violentos terremotos, erupções vulcânicas e furacões devastadores estariam entre alguns dos efeitos responsáveis pela destruição na nossa era. Fala-se também de inundações catastróficas e chuvas de fogo. Bem, se analisarmos os últimos anos podemos dizer que o fim dos tempos já chegou mesmo. Bomba atômica, tsunamis na Ásia, aviões contra prédios, efeito estufa, aquecimento global. Não é necessário esperar 2012 para constatar isso. Se os antigos previam o planeta em colapso para a nossa época, então eles não erraram os cálculos.

Mas e se o mundo for mesmo acabar amanhã? Alguém já fez seus planos para o último momento? Eu não consigo imaginar um local melhor para esperar o fim dos tempos do que  no Corcovado, aos pés do Cristo Redentor, ao lado da família e dos melhores amigos. Difícil seria não morrer antes de asfixia tamanha seria a quantidade de pessoas no local. Todavia, se os cálculos de Camping se confirmarem dessa vez, muita gente verá o juízo final da janela do trabalho, longe dos que amam e sem fazer as malas para a grande partida. Mas não é exatamente assim que as pessoas morrem mesmo? Quem é que está preparado quando a morte chega? Não existe aquela figura de manta preta e foice na mão que vem anunciar a hora de partir. Portanto, já que a morte não avisa quando irá dar às caras, é muito pouco provável que o mundo termine amanhã. Quando os primeiros raios do dia 22 surgirem no céu, não gostaria de ser um dos fiéis de Camping incrédulos por perceber que continuam vivos mais uma vez.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Fragmentos

COLÉGIO. INTERIOR. DIA. 
MATHEUS, ELISA E RYAN CAMINHAM CONVERSANDO PELOS CORREDORES.

MATHEUS – Crise de identidade?
ELISA – É sério! Acho que eu tô passando pela terrível fase da típica adolescente rebelde.
RYAN – Por que acha isso, Elisa?
ELISA – Ah, eu não consigo mais dá conta de nada. Não consegui terminar as atividades de classe, meu pai me deu bronca por chegar tarde em casa e eu não consigo nem chegar perto da sala do jornal.
RYAN – É, realmente essa não é a Elisa que a gente conhece.
MATHEUS – Já pensou que isso pode ser estresse? Você tem se dedicado muito às atividades escolares e tido pouco tempo pra se distrair. Talvez uma semana na praia pudesse tirar essa sua agitação.
ELISA – Ai, era tudo o que eu queria agora. Mas viajar para o litoral agora na reta final seria suicídio.
RYAN – Bom, você pode usar minissaia preta e entrar pra banda.

ELES PARAM DE ANDAR E OLHAM OS INTEGRANTES DA BANDA "DARK FREEDOM" DANDO AUTÓGRAFOS A ALGUMAS MENINAS MAIS ADIANTE.

ELISA – Num sei o que esses caras têm. Vestem preto, usam um monte de bijuterias pelo corpo e fazem o maior sucesso pelo colégio.
RYAN – O estilo deles é legal! E abriram agora mais uma vaga pra um novo integrante.
ELISA – Eles vivem abrindo vagas. Essa é bem a quinta só nesse ano.
RYAN – É a sétima! (Matheus e Elisa o olham) É que eu me candidatei nas duas últimas vezes, mas não consegui entrar.
MATHEUS – Você, Ryan, usando preto e cantando loucuras?
RYAN – Foi depois que a Marie foi embora. Eu me senti um pouco abandonado e achei que a banda podia me ajudar.
ELISA – É, mudariam com certeza o seu nome pra algum fenômeno da natureza.
RYAN – Eu não acho isso tão ruim. Eu podia me chamar Vulcão. (ri)
MATHEUS (ri) – Por que o último que entra nunca passa muito tempo na banda?
RYAN – Num sei. Vai ver não se adapta ao estilo. Me parece que o Meteoro não curtia muito a banda.
ELISA (repreendendo) – O Eric você quer dizer! Pois pra mim ele era fissurado na banda. O que será que aconteceu com ele?
RYAN – Parece que voltou pra capital.
ELISA – Curioso! A gente nunca fica sabendo o que acontece com os integrantes da banda após saírem. Parece que evaporam!
                  
OS CINCO INTEGRANTES DA BANDA SE APROXIMAM DELES. O LÍDER TORNADO OLHA PARA MATHEUS.

TORNADO – E aí, Matheus, tudo tranquilo? Num tá a fim de fazer parte da banda, não? Abriu uma vaga.
MATHEUS – Obrigado, mas não faz o meu estilo.
TORNADO (rindo) – Ah, saquei! O seu estilo seria mais "Caipiras Freedom", né? Mas quando quiser fugir da vidinha que leva, é só procurar a gente. Vamos tá por aí. Vamos nessa! (os integrantes saem)
ELISA – “Vidinha”? (sorri) É melhor eu voltar pro jornal.
RYAN – Não estava insuportável pisar lá?
ELISA – É, mas essa banda me instigou a escrever de novo. Ela é uma verdadeira oligarquia aqui dentro do colégio. Eu preciso fazer uma matéria!
MATHEUS – Que bom que ainda tem pessoas normais aqui nessa escola.

SAEM RINDO.