Último dia do ano. Hora de virar a página de mais uma etapa em nossas vidas. O que 2010 tinha a nos mostrar, nos ensinar, já nos foi revelado. Agora vamos ao encontro de novas descobertas, novas chances, oportunidades, sonhos e realizações, espero. A cada ano os dias correm mais depressa, os meses passam e quando menos percebemos, uma década se passou. Parece ontem que entramos no século XXI e já finalizamos seus primeiros 10 anos. Nunca fui chegado em retrospectiva, principalmente do ano que acabamos de encerrar. Afinal, o que acabou de acontecer todos sabemos e rever tudo no fim de ano, quando devemos estar nos refazendo para seguir adiante, soa meio nostálgico. Mas parei outro dia para ler uma matéria sobre a retrospectiva da década. Aquilo que me parecia tão próximo, num momento me refletiu léguas de distância. 2001 é uma realidade completamente avessa ao que vivo no momento. Pode não parecer e até não transparecer em alguns pontos, mas o garoto de 16 anos que conheci em 2001 já não existe mais. Aos poucos, ele ganha confiança, determinação, anseios verdadeiros e certezas absolutas na vida.
Uma década quando eu era criança lembravam séculos. Se hoje parecem mais curtas, não sei explicar, porém, são suficientes para amadurecer o fruto mais verde de uma árvore. De um garoto cheio de fantasias, medos e certezas infundadas, mergulhei por cidades, construí sonhos, cai em rios de dúvidas, inseguranças, perdas, mas encontrei cachoeiras de amigos e dedicação. Vislumbrei horizontes de felicidade, liberdades embaçadas pela neblina, chuvas de inspiração e córregos de realidade. Se já não sou o garoto que ousou produzir filmes, sonhou em escrever novelas, sorriu e chorou sozinho em apartamentos, desistiu de sonhos, encontrou outros e voltou aos primeiros, sou o resultado de toda essa procura e descobertas. Sou a sequência das pegadas, mais forte, confiante e convicto de um futuro próximo ao que chamamos felicidade.
Se ainda não entrei pelos caminhos que meu coração conhece de antemão, já descobri a entrada e posso visualizar meus passos por lá. Hoje tenho a convicção do que é importante a cada um de nós. E essa certeza me faz crer que ninguém tem o poder de determinar o caminho que se deve seguir, por mais íngreme, desconhecido ou obscuro que soe. Apenas cada um pode saber aquilo que aquece o coração e preenche o nosso ser, seja no campo profissional, nas relações de amizade ou no amor. Por isso, desejo que nesse ano que se inicia, todos encontrem seu verdadeiro eu, e não permitam que ninguém os obrigue a perder, esconder ou fugir do que o seu coração vibra. Só assim, cada qual escutando a sua voz interior é que encontraremos a felicidade de verdade e teremos a chance de olhar o próximo com mais ternura, compaixão e afeto, sentimentos que nos levam a vivenciar realmente a paz e a alegria tão desejados a cada ano. Um 2011 verdadeiramente vivo no coração de cada um.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Maktub - estava escrito
Simples, complexa, objetiva, intensa. Ainda se ouvia o murmuro da ovelha Dolly quando eu soube que a Globo ia lançar uma novela chamada O Clone. Só pelo título já seria no mínimo curioso, e ainda por ser uma novela das 8, na qual o realismo e o drama estão mais presentes, não havendo espaço para transformar um tema legal em chacotas do horário das sete ou na superficialidade das seis. Era o retorno de Glória Perez ao horário nobre, afastada desde Explode Coração em 1996. Hoje, quase dez anos após a estreia de O Clone, a Rede Globo finalmente decidiu reprisá-la no Vale a Pena Ver de Novo em grande estilo, com direito a chamadas na programação de ano novo do canal. Depois de rodar o mundo, ganhar inúmeros prêmios nacionais e internacionais, o estrondoso sucesso de Glória Perez põe fim no intenso círculo vicioso de novelinhas chinfrinhas que culminou no fiasco de Sete Pecados. Parece realmente que voltamos aos tempos em que se valia a pena mesmo rever um folhetim de verdade, com narrativas e personagens fortes que fizeram história. Só espero que essa fase renda alguns véus a mais.
É indiscutível a repercussão da novela de Glória Perez, sem dúvida alguma seu melhor momento na televisão brasileira. Mas o que fez dessa telenovela, um grande êxito no mercado nacional e mundial? Com certeza a clonagem humana foi o carro-chefe da trama, porém, a autora soube jogar esse tema com uma perspicácia e sensibilidade impecáveis. Seria muito fácil pegar a ideia de se criar um clone e elaborar uma novela em cima disso. O tema em si já é instigante. Mas 'como' ele é desenvolvido é onde se esconde todo o segredo da trama. Levar um tabu como a clonagem humana para o universo islâmico foi uma grande jogada da autora. Criar o motivo inicial para se produzir o clone em torno da história de irmãos gêmeos foi outro grande insight. E por fim, implantar o embrião clonado de um branco em uma personagem negra, amarrou a novela que seu destino não seria outro senão o sucesso.
Com uma teia de acontecimentos formada em volta de seu tema central, só seria preciso um romance a Romeu e Julieta para apimentar ainda mais a história. Lucas e Jade conseguiram criar uma história de amor tão forte que deixou os mocinhos de Terra Nostra a ver navios. Era um romance puro, ingênuo, mas avassalador e invencível ao tempo. O Clone, entre tantos assuntos, tratou da posição do ser humano diante de suas escolhas na vida. Uma das mais belas cenas mostra esse conflito, quando Lucas se olha no espelho de sua casa, deprimido com o rumo de sua vida, clamando uma chance de refazer o passado, e então seu clone Leo entra, vinte anos mais jovem, e Lucas o vê através do espelho. Seria sua chance de refazer o passado? Se vê duas décadas mais jovem e visualizar os inúmeros destinos que sua vida poderia ter tomado, faria qualquer um tentar um recomeço.
E não há como falar em O Clone sem mencionar sua magnífica trilha sonora composta por Marcus Viana, o mesmo responsável pela trilha de Pantanal, dez anos antes. A música tema de Murilo Benício e Giovanna Antonelli ganhou até versão internacional na voz de Michael Bolton. Na abertura, a banda Sagrado Coração da Terra, criada pelo próprio Viana, brincava com o poder da criação do homem ao lado de um dos trabalhos mais bem elaborados de Hans Donner. Destaque também de Lenini, com o tema de Juca de Oliveira e seu cientista Albieri, o homem que ousou brilhantemente ter o mundo em suas mãos e acordou mortal. Clonagem humana, islamismo, fé, amor, perda, desencontros, sonhos. Por todos esses motivos e muito mais é que O Clone merece ser vista a partir do dia 10, porque antes de ser uma novela sobre o avanço da tecnologia, O Clone é uma novela humana, que trata do paradigma tecnológico com o olhar e a alma de um ser humano.
É indiscutível a repercussão da novela de Glória Perez, sem dúvida alguma seu melhor momento na televisão brasileira. Mas o que fez dessa telenovela, um grande êxito no mercado nacional e mundial? Com certeza a clonagem humana foi o carro-chefe da trama, porém, a autora soube jogar esse tema com uma perspicácia e sensibilidade impecáveis. Seria muito fácil pegar a ideia de se criar um clone e elaborar uma novela em cima disso. O tema em si já é instigante. Mas 'como' ele é desenvolvido é onde se esconde todo o segredo da trama. Levar um tabu como a clonagem humana para o universo islâmico foi uma grande jogada da autora. Criar o motivo inicial para se produzir o clone em torno da história de irmãos gêmeos foi outro grande insight. E por fim, implantar o embrião clonado de um branco em uma personagem negra, amarrou a novela que seu destino não seria outro senão o sucesso.
Com uma teia de acontecimentos formada em volta de seu tema central, só seria preciso um romance a Romeu e Julieta para apimentar ainda mais a história. Lucas e Jade conseguiram criar uma história de amor tão forte que deixou os mocinhos de Terra Nostra a ver navios. Era um romance puro, ingênuo, mas avassalador e invencível ao tempo. O Clone, entre tantos assuntos, tratou da posição do ser humano diante de suas escolhas na vida. Uma das mais belas cenas mostra esse conflito, quando Lucas se olha no espelho de sua casa, deprimido com o rumo de sua vida, clamando uma chance de refazer o passado, e então seu clone Leo entra, vinte anos mais jovem, e Lucas o vê através do espelho. Seria sua chance de refazer o passado? Se vê duas décadas mais jovem e visualizar os inúmeros destinos que sua vida poderia ter tomado, faria qualquer um tentar um recomeço.
E não há como falar em O Clone sem mencionar sua magnífica trilha sonora composta por Marcus Viana, o mesmo responsável pela trilha de Pantanal, dez anos antes. A música tema de Murilo Benício e Giovanna Antonelli ganhou até versão internacional na voz de Michael Bolton. Na abertura, a banda Sagrado Coração da Terra, criada pelo próprio Viana, brincava com o poder da criação do homem ao lado de um dos trabalhos mais bem elaborados de Hans Donner. Destaque também de Lenini, com o tema de Juca de Oliveira e seu cientista Albieri, o homem que ousou brilhantemente ter o mundo em suas mãos e acordou mortal. Clonagem humana, islamismo, fé, amor, perda, desencontros, sonhos. Por todos esses motivos e muito mais é que O Clone merece ser vista a partir do dia 10, porque antes de ser uma novela sobre o avanço da tecnologia, O Clone é uma novela humana, que trata do paradigma tecnológico com o olhar e a alma de um ser humano.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Quando o velho som de novo
E dei pra ouvir Elis Regina. Sabe quando somos crianças que sonhamos em ter um determinado brinquedo, ficamos amolecendo os corações dos nossos pais para ganhar aquele jogo, aquele boneco, numa fixação que só passa depois que temos o rebento em nossas mãos? E aí depois que temos perdemos o interesse em poucos dias. Pois é, comigo aconteceu o contrário. Em um amigo secreto não convencional, e o que eu chamo de não convencional? Aquele onde cada um leva um presente unissex de um valor padrão e lá na hora cada qual vai escolhendo o seu, até ninguém poder mais trocar, e você ficar na dúvida se levou a melhor ou se foi sorteado com um bichinho de pelúcia ou uma caixa de bombom da Bis. Então, entre o troca-troca de presentes, acabei ficando com uma caixa que parecia conter uma camisa masculina, apesar do peso e do critério unissex já acusar que não seria. E assim no meio de muito papel picado dentro da caixa, encontrei um cd de Elis Regina.
Amigo oculto não convencional é mesmo uma grande pegadinha. Eu havia comprado um cd de Ana Carolina pensando na minha amiga Luciene, que por sua vez, havia comprado o de Elis Regina pensando em outra amiga. Resultado: nem Luciene terminou com o cd de Ana Carolina, nem Suellen com o de Elis, que acabou caindo nas minhas mãos. Nunca fui chegado nas canções de Elis Regina, mas achei interessante ter ganhado um presente que eu não compraria pra mim. Agora teria a oportunidade de conhecer melhor as músicas dessa cantora tão aclamada pelo público. Fui pra casa, coloquei o cd pra tocar e juro que tentei gostar das composições, mas as melodias me soavam muito forçadas, desconexas. Salvo algumas que já conhecia, como Fascinação, Atrás da Porta e Como Nossos Pais, não consegui pegar gosto pelas demais. O cd ficou lá entre as pilhas de cds de segundo escalão, aqueles que deixo pra ouvir quando perco o interesse nos preferidos.
E ano vai, ano vem, pensei até em me desfazer daquele elemento, dá-lo de presente a quem realmente merecia. Afinal, Suellen faria mais uso dele do que eu. Mas era um presente, e de uma amiga que hoje mora lá no Amapá, entre os índios e a selva amazônica (brincadeirinha). Ainda vou aí, Lu! Então permaneci com ele. E essa semana, dois anos depois de ter ganho o cd, resolvi colocá-lo no som e pela primeira vez pude apreciá-lo de uma maneira diferente. Não sei exatamente o que se passou, mas comecei a gostar do que estava ouvindo. E de repente pensei: puxa, isso é bom, por que não vi antes? E a cada música ia descobrindo um novo gosto, um novo estilo. Sempre achei que quem escutava Elis eram pessoas de um gosto musical refinado. Será que eu amadureci a tal ponto?
Não posso garantir que fiquei mais culto por ouvir e gostar das músicas de Elis, mas alguma coisa mudou em mim nesses dois anos para que eu pudesse rever a minha opinião sobre suas músicas. Nem que tenha sido a paciência e a disponibilidade para apreciar um estilo diferente do que estava acostumado. Talvez no momento atual suas melodias consigam chegar até mim. Como há alguns anos, a imagem de jovens que tentam mudar o mundo e no fim, apesar de todos os esforços, permanecem iguais aos pais, chegou até mim em Como Nossos Pais. Agora, depois da fase de desinteresse do presente, cheguei ao período de êxtase e de curtir adoidado, contrariando a ordem natural da ansiedade ao desprendimento na infância. Só sei que há três dias o cd não sai do som e quem passa lá só me vê escutando Elis Regina.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Natal no mundo
Noite de Natal. Muitos se reúnem para a grande ceia de natal, mesa farta, perus, damascos e lentilhas. Trocas de presentes, beijinhos e amor para todos. É um retrato típico da época, e raro também no nosso país, e no mundo. E os que vão passar a noite de natal trabalhando, viajando, sozinhos em casa, em leitos de hospitais ou nas ruas, sem peru, presentes ou beijinhos? Minha amiga enfermeira Luciene vai passar o Natal de plantão no hospital. A família da lanchonete aqui em frente de casa vai cear servindo pastéis e sanduíches aos clientes, que também não estarão em casa numa mesa farta. E eu, bem, eu comprei uma pizza e comi com minha mãe, e agora estou escrevendo no Celeiro. Não foi um peru ou um pernil, não teve presente, beijinhos, mas estou em casa com a minha família, meu cachorro, com a barriga cheia e ainda ouvindo canções natalinas.Acreditamos que o Natal é um tempo de recolhimento, de doação, em que as pessoas se tornam mais altruístas, solidárias, e acreditamos tanto nisso que muitos criam um personagem nesse período, espalhando amor e sorrisos a quem passa. Todavia, de nada adiantará se não for de coração. Família inevitavelmente é lugar onde reina sentimentos de inveja, ressentimento, cobiça e muita pose. Reunir a família no Natal tem que ser um momento para tentar limpar essas manchas, do contrário o espírito natalino fica só na superficialidade dos cumprimentos e do mais caro presente.
Nesta noite na qual as cidades brilham mais, se fala mais de amor e perdão, desejo a todos aqueles que estão distantes de suas famílias, que não compartilham uma mesa com seus entes, aqueles internados em hospitais, solitários em celas superlotadas nos presídios, vagando pelas ruas, trabalhando, desde flanelinhas em busca de um trocado a médicos salvando vidas em clínicas e hospitais, a todos que perderam a fé no natal, desejo a todos esses um Natal recheado de paz, amor e felicidade no coração. Que os obstáculos que os impediram de estar em casa com os amigos e a família, não os impeçam de acolher em seu peito o verdadeiro sentido dessa data e encher seus corações do mais puro afeto em busca da nossa maior razão da existência, o amor.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
O paradoxo do desenvolvimento
Cidade de interior, tranquilidade, pessoas nas calçadas, passarinhos cantando, vacas sendo conduzidas pelas ruas, certo? Nem tanto. Na busca pela modernização, as cidades pequenas passam a copiar determinados padrões de cidades maiores. Umas das grandes características de uma cidade interiorana é o seu calçamento, ou seja toda a malha urbana em paralelepípedo, o que de certo modo, nos associa a uma realidade distante dos agitos das metrópoles. Antes de ontem mesmo me vangloriava das pedras simples da nossa rua e agradecia por não ser asfaltada como a rua de baixo. Pois só foi eu me admirar desse fato, que ontem três carros diferentes e um trator começaram um processo de despejo de betume pela rua, provocando a admiração de todos. Sem aviso prévio, nossa rua perdera seus característicos paralelepípedos e ganhara uma pista preta, que mais me lembrava a Avenida Floriano Peixoto em Campina Grande, do que uma cidadezinha pacata do interior.
Perturbando a calmaria de outrora, e a chuva que caía até anteontem, o barulho das máquinas e o cheiro forte do asfalto me gerou uma típica dor de cabeça. A presença de toda aquela parafernália e daqueles homens circulando pelas calçadas me incomodou. Ninguém me perguntou se eu queria aquele derivado de petróleo cobrindo os singelos paralelepípedos que tornavam nossa rua mais interiorana e simpática. De repente tomei as dores de todas aquelas pedrinhas, o que estariam pensando sendo substituídas assim como qualquer coisa? O ar que percorria entre seus espaços sendo sufocados pelo alcatrão e aquecendo o solo, tornando nossa rua mais quente, mais espessa, mais industrializada, menos cidadezinha. E nem estou falando do aquecimento global que toda aquela mistura espalhada pelas ruas está contribuindo. Por que será que as pessoas não entendem que tornar uma cidade de interior mais desenvolvida não é necessariamente implantar os mesmos padrões dos grandes centros, mas expandir o que o município tem de singular, sem perder nunca sua característica charmosa de uma cidade pequena.
O percurso da malha asfáltica seguiu desde a rua de baixo, indo em direção à igreja e se encontrando na pista seguinte que dá acesso aos municípios de Coronel João Pessoa e Venha-Ver. Era a emenda final para completar o percurso que segue desde a entrada da cidade no sentido de Pau dos Ferros. Assim quem passa pela cidade vindo de Pau dos Ferros a Coronel João Pessoa segue direto pelo asfalto. Tudo bem, ligação perfeita. Contudo, não seria mais interessante deixar os limites da cidade fora do percurso asfáltico? Afinal, o município não é apenas mais um pedaço da pista, é um lugar habitado, com suas peculiaridades. E esse é o intuito a quem entra, que diminua a velocidade e aprecie os detalhes da região. Quanto mais se cuida daquilo de que a cidade tem de característico, maior ela se torna, e quanto mais semelhante à rotina e aos agitos dos grandes centros urbanos, menor ela será.
Perturbando a calmaria de outrora, e a chuva que caía até anteontem, o barulho das máquinas e o cheiro forte do asfalto me gerou uma típica dor de cabeça. A presença de toda aquela parafernália e daqueles homens circulando pelas calçadas me incomodou. Ninguém me perguntou se eu queria aquele derivado de petróleo cobrindo os singelos paralelepípedos que tornavam nossa rua mais interiorana e simpática. De repente tomei as dores de todas aquelas pedrinhas, o que estariam pensando sendo substituídas assim como qualquer coisa? O ar que percorria entre seus espaços sendo sufocados pelo alcatrão e aquecendo o solo, tornando nossa rua mais quente, mais espessa, mais industrializada, menos cidadezinha. E nem estou falando do aquecimento global que toda aquela mistura espalhada pelas ruas está contribuindo. Por que será que as pessoas não entendem que tornar uma cidade de interior mais desenvolvida não é necessariamente implantar os mesmos padrões dos grandes centros, mas expandir o que o município tem de singular, sem perder nunca sua característica charmosa de uma cidade pequena.
O percurso da malha asfáltica seguiu desde a rua de baixo, indo em direção à igreja e se encontrando na pista seguinte que dá acesso aos municípios de Coronel João Pessoa e Venha-Ver. Era a emenda final para completar o percurso que segue desde a entrada da cidade no sentido de Pau dos Ferros. Assim quem passa pela cidade vindo de Pau dos Ferros a Coronel João Pessoa segue direto pelo asfalto. Tudo bem, ligação perfeita. Contudo, não seria mais interessante deixar os limites da cidade fora do percurso asfáltico? Afinal, o município não é apenas mais um pedaço da pista, é um lugar habitado, com suas peculiaridades. E esse é o intuito a quem entra, que diminua a velocidade e aprecie os detalhes da região. Quanto mais se cuida daquilo de que a cidade tem de característico, maior ela se torna, e quanto mais semelhante à rotina e aos agitos dos grandes centros urbanos, menor ela será.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Precipitações de uma manhã
O sol cede lugar às nuvens. Elas se aglomeram, escurecem o céu e se precipitam em forma de chuva. As águas caem lavando o solo, a vida, e revigorando o espaço, o ser... Acordei, abri a janela e me deparei com o céu nublado, o chão molhado e gotas ainda caindo no parapeito da janela. Um cheiro de renovação no ar, de esperança, de mudança, de vida. Chuva nem sempre é tão bem-vinda. Quando precisamos levantar cedo, ir a praia, fazer um churrasco no domingo, recensear de casa em casa... ela é um empecilho. Mas há dias em que as gotas d'água provocam sensações de puro bem-estar, e olhá-la pela janela, respirá-la, enche os nossos pulmões do ar da vida. Penso que essa chuva fininha que cai aqui fora seja uma precipitação do natal que se aproxima. Afinal ela e o natal soam a mim semelhante nessa manhã.
Chuva me lembra infância, tomando banho na rua com os amigos, e me lembra interior, meus avós, a roça de vovô, me lembra alegria, aconchego, inspiração para roteiros. Durante sua queda algumas situações param, pessoas se protegem nas entradas de lojas, nos pontos de ônibus, pedreiros largam seu trabalho, a vida cessa por alguns instantes, e apreciamos a água limpando as ruas, as construções. Quando ela passa, as poças no chão, as gotas que caem das árvores, as nuvens se dissipando, é um prelúdio de que alguma coisa foi mudada, revigorada. É hora de sair das lojas e voltar a caminhar, os pedreiros podem retomar seu trabalho, a vida vai aos poucos se encaminhando à sua rotina. Mas o ar, o perfume da terra molhada há pouco, permanece, e curiosamente nos dá mais gás do que os fortes raios de sol de outrora.
Chuva me lembra infância, tomando banho na rua com os amigos, e me lembra interior, meus avós, a roça de vovô, me lembra alegria, aconchego, inspiração para roteiros. Durante sua queda algumas situações param, pessoas se protegem nas entradas de lojas, nos pontos de ônibus, pedreiros largam seu trabalho, a vida cessa por alguns instantes, e apreciamos a água limpando as ruas, as construções. Quando ela passa, as poças no chão, as gotas que caem das árvores, as nuvens se dissipando, é um prelúdio de que alguma coisa foi mudada, revigorada. É hora de sair das lojas e voltar a caminhar, os pedreiros podem retomar seu trabalho, a vida vai aos poucos se encaminhando à sua rotina. Mas o ar, o perfume da terra molhada há pouco, permanece, e curiosamente nos dá mais gás do que os fortes raios de sol de outrora.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Menino reconhecido
Há pouco menos de um ano, eu não teria certeza se concluiria o meu curso de comunicação social. Longe da universidade desde 2008, estava empurrando a muralha da monografia com a barriga. A meta era sair das 10 páginas que fiz em um único feriado e que nunca foram revisadas por nenhum orientador. O tema entre espiritismo e telenovela me empolgava, mas não o suficiente para escrever mais umas 30 páginas. Um desafio maior ainda surgiu quando em março desse ano, Ana Célia e Kárem resolveram me chamar para integrar o time na produção de um videodocumentário. O objetivo era entregar o trabalho até o mês de julho a tempo de concluirmos o curso no meio do ano. Aceitei o desafio. Afinal filmar era bem melhor do que escrever páginas de um trabalho que já estava fadado ao fracasso antes mesmo de começar.
Um artista plástico autodidata da cidade de Sumé era o tema do nosso vídeo. Miguel Guilherme deixou uma incrível obra de toda sua história de pintor, escultor, músico, poeta e teatrólogo. Era sem dúvida nenhuma um grande artista. Mas com o tempo nas costas, só me preocupava em encontrar os entrevistados, filmar as obras, o seu museu, e correr de um lado ao outro, fotografando, produzindo ofícios e fazendo alguns contatos. Realmente foi um trabalho árduo, e eu tinha consciência que seria, se quiséssemos algo com o mínimo possível de qualidade, ou então seria muito fácil fazer qualquer coisa. Viajamos, lemos, nos aprofundamos a cada dia. Tentei brincar com o Premiere, mas ele não quis assunto comigo. Então parti para o Vegas. Noites de dor de cabeça e muito moto-táxi editando os 15 minutos do documentário.
Com o prazo esgotado, conseguimos apresentar o trabalho e garantimos não só a nota máxima, como a conclusão do curso superior. Aleluia! Mesmo não sendo a graduação dos sonhos, era gratificante saber que aqueles anos puxados à carroça deixariam algum mérito agora. Finalmente pude apreciar a obra de Miguel Guilherme sem me preocupar com tempo, câmera ou entrevistas. Agora simplesmente podia tomar consciência do grande gênio que a Paraíba possuiu. E Ana Célia foi mais adiante. Resolveu inscrever nosso vídeo no Fest Aruanda, o festival de cinema de João Pessoa. Inscrito no último dia, fiquei feliz em saber que ele havia sido selecionado. Só o fato de estar sendo exibido a pessoas de diversos estados já seria uma maneira de promover o acervo tão esquecido de Guilherme. Ganhar algum prêmio seria pedir até demais. Era só um vídeo de conclusão de curso. Todavia, o nosso videodocumentário Menino Artífice ganhou na categoria de melhor documentário paraibano e na votação do júri popular também. Posso pensar que fizemos um trabalho profissional o bastante para tal reconhecimento, mas acredito que dentre as falhas de iniciantes no universo audiovisual, o tema escolhido e sua relevância no cenário paraibano e nacional foi o grande destaque e o verdadeiro vencedor desse prêmio. Mais um reconhecimento pelo esforço e dedicação, Miguel.
Um artista plástico autodidata da cidade de Sumé era o tema do nosso vídeo. Miguel Guilherme deixou uma incrível obra de toda sua história de pintor, escultor, músico, poeta e teatrólogo. Era sem dúvida nenhuma um grande artista. Mas com o tempo nas costas, só me preocupava em encontrar os entrevistados, filmar as obras, o seu museu, e correr de um lado ao outro, fotografando, produzindo ofícios e fazendo alguns contatos. Realmente foi um trabalho árduo, e eu tinha consciência que seria, se quiséssemos algo com o mínimo possível de qualidade, ou então seria muito fácil fazer qualquer coisa. Viajamos, lemos, nos aprofundamos a cada dia. Tentei brincar com o Premiere, mas ele não quis assunto comigo. Então parti para o Vegas. Noites de dor de cabeça e muito moto-táxi editando os 15 minutos do documentário.
Com o prazo esgotado, conseguimos apresentar o trabalho e garantimos não só a nota máxima, como a conclusão do curso superior. Aleluia! Mesmo não sendo a graduação dos sonhos, era gratificante saber que aqueles anos puxados à carroça deixariam algum mérito agora. Finalmente pude apreciar a obra de Miguel Guilherme sem me preocupar com tempo, câmera ou entrevistas. Agora simplesmente podia tomar consciência do grande gênio que a Paraíba possuiu. E Ana Célia foi mais adiante. Resolveu inscrever nosso vídeo no Fest Aruanda, o festival de cinema de João Pessoa. Inscrito no último dia, fiquei feliz em saber que ele havia sido selecionado. Só o fato de estar sendo exibido a pessoas de diversos estados já seria uma maneira de promover o acervo tão esquecido de Guilherme. Ganhar algum prêmio seria pedir até demais. Era só um vídeo de conclusão de curso. Todavia, o nosso videodocumentário Menino Artífice ganhou na categoria de melhor documentário paraibano e na votação do júri popular também. Posso pensar que fizemos um trabalho profissional o bastante para tal reconhecimento, mas acredito que dentre as falhas de iniciantes no universo audiovisual, o tema escolhido e sua relevância no cenário paraibano e nacional foi o grande destaque e o verdadeiro vencedor desse prêmio. Mais um reconhecimento pelo esforço e dedicação, Miguel.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Vâmo pulá!
Confesso que foi um verdadeiro presente de natal que Junior me deu. Talvez merecido, depois de tantos anos de dedicação. Fiquei paralisado por alguns instantes, sem acreditar. Quando escrevi a postagem sobre o seriado Sandy e Junior não tinha a menor pretensão de que Sandy, Junior ou qualquer outro ator lesse. Na minha cabeça só minha mãe e mais uns três ou quatro amigos iriam ler, como de costume. Surpresa foi a minha quando percebi que milhares de pessoas estavam lendo e comentando suas impressões. Alguns anos atrás, eu teria feito qualquer coisa pra chegar perto de Sandy e Junior, ou mesmo lhes enviar uma linha de carta, só para saberem que existia. Mas eu era um pequeno grão de areia, como canta Sandy. E hoje, sem nenhum esforço, eu consegui chegar até Junior, a ponto dele se dar ao trabalho de fazer um comentário na sua página pessoal.
Fiquei maravilhado pelas mensagens que recebi de tantos fãs da dupla. Percebi que como eu, existem muitos pelo país, e até fora dele, que compartilham as mesmas sensações, pensam semelhante, colegas de chacotas por dividir um passado de dedicação tão intenso à dupla. Saber que consegui levar um pouquinho de felicidade, nostalgia ou mesmo a mais insignificante sensação a quem lia, foi gratificante. Li todos os comentários. Concordo com Giulianna quando disse que viver a realidade Sandy e Junior e ter seguido o seu padrão de comportamento, a sua inocência, a sua definição de família foi muito importante para nossa formação, ao passo que poderíamos ter vivido outra realidade e ter sim um motivo hoje de nos envergonhar. Minha amiga Kárem me lembrou hoje pelo msn, depois que eu dividi minha alegria com ela, do final da postagem "A arte do coração", quando falo que o nosso verdadeiro destino pode estar escondido no passado e que só precisamos ir lá buscá-lo. Vejam só o que aconteceu depois que eu fui ao meu passado e resgatei a minha paixão pelo seriado. Literalmente sinto uma sensação louca de pular.
P.S.: Acabei de descobrir que a atriz Fernanda Paes Leme também leu.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
A arte do coração
Não é novidade pra ninguém que tenho um passado Imortal recheado de fantasias juvenis, Música e Paixão. Não é novidade também que já fui de Splish Splash a Dig Dig Joy e Vâmo Pulá com grande ímpeto. Cantei, vibrei, sonhei, desejei e vivi Dias e Noites de intensa dedicação. Sandy e Junior fizeram minha infância e adolescência mais divertida, acredito. Muitos me condenam hoje por isso. Como o cara gosta de Beatles e de Sandy e Junior? É muita discordância, não? Penso que cada fase de nossa vida é cercada de descobertas, de momentos únicos, e cada uma delas serve de alicerce para sermos o que somos hoje. Sandy e Junior contribuíram com uma fase de minha vida bem antes de While My Guitar Gently Weeps ou Strawberry Fields Forever. Foram importantes na construção de um garoto que queria subir no palco, escrever e interpretar. Hoje, ambos, Beatles e Sandy e Junior não existem mais. Não, como banda e dupla. Paul McCartney, Ringo Starr, Sandy Leah e Junior Lima seguem suas vidas separadamente. O sonho acabou, já dizia John Lennon. O que sobra são coletâneas de cds, dvds, canções e lembranças perdidas na nossa memória.
Talvez a grande diferença entre The Beatles e Sandy e Junior na minha vida seja o fato de que enquanto ainda vivo hoje os Beatles como um verdadeiro beatlemaníaco, Sandy e Junior só existem no meu passado. Não Dá Pra Não Pensar em toda relevância da dupla na minha caminhada, contudo, não teria mais o mesmo pique de 10 anos atrás. Já vinha perdendo o entusiasmo de outrora em seus últimos discos. Parece realmente que o Inesquecível fanatismo havia cedido lugar e cravado seu espaço nas páginas da memória Samuel. Mas vez por outra é bom recordar situações, estações, lendas... É sempre gratificante viajar nas nossas recordações e nos permitir viver a saudade. Nos faz bem. Foi isso que aconteceu quando o novo canal de assinatura da Globosat, Viva, anunciou o retorno do seriado Sandy e Junior, que esteve no ar de 1999 a 2003 nas tardes de domingo da Rede Globo.
Naquela época eu estava em pleno apogeu do meu fanatismo pela dupla. Ao longo dos quatro anos do programa, colecionei 20 fitas VHS gravando os episódios. Me Apaixonei pelas histórias, pelos personagens, pelo colégio CEMA, pela professora Elvira, pela cantineira Irene, Etc... E Tal. Tinha um carinho muito grande pela série, e ainda tenho. Outro dia tive a oportunidade de rever alguns episódios pelo YouTube - já que meu videocassete não funciona mais, as fitas estão se estragando e eu não tenho TV por assinatura - e foi maravilhoso rever as intrigas, as paixões, os objetivos e lutas da turminha do Centro Educacional Mário de Andrade. Era como se com Gustavo, Patty, Clara, Boca, eu voltasse a ser o mesmo Samuel de 14, 15 e 16 anos e tivesse os mesmos desejos de volta, querendo estudar numa escola como a deles ou até estudar com eles, participar de um episódio, escrever outro... Nossa! Quanta Ilusão!
De alguma maneira maluca, o seriado me conectava a um ideal de vida, seja estudando em um Liceu, tendo amigos unidos, atuando ou escrevendo. Gostava da sensação que os episódios me provocavam. Sensações que talvez nem os próprios atores compartilhassem. Me sentia um Super-Herói. Sei que Sandy e Junior hoje não mantêm o carinho pela série, que eu e tantos outros fãs mantemos. Foi apenas mais um trabalho, e Junior chegou a afirmar, em entrevista a Marília Gabriela, que sente vergonha em se ver no início da adolescência. Mas quem se importa? Só queríamos o conjunto de histórias com a maior dupla pop brasileira até então. Nomes como Mariana Ximenes, Paulo Vilhena, Fernanda Paes Leme, Marcos Mion e Daniele Suzuki foram revelados no programa. No Fundo do Coração eu gostaria de ter toda a série em dvd, e através dela, nadar novamente pelos meus sonhos, rever os conceitos, bagunçar meus planos, afinal, somos sensíveis às emoções e estamos sujeitos à mudança. Quem garante que o nosso verdadeiro destino não está perdido em algum momento do passado, e só precisamos ir lá resgatá-lo? É só estar aberto e entender os mecanismos que compõem A Arte do Coração.
Talvez a grande diferença entre The Beatles e Sandy e Junior na minha vida seja o fato de que enquanto ainda vivo hoje os Beatles como um verdadeiro beatlemaníaco, Sandy e Junior só existem no meu passado. Não Dá Pra Não Pensar em toda relevância da dupla na minha caminhada, contudo, não teria mais o mesmo pique de 10 anos atrás. Já vinha perdendo o entusiasmo de outrora em seus últimos discos. Parece realmente que o Inesquecível fanatismo havia cedido lugar e cravado seu espaço nas páginas da memória Samuel. Mas vez por outra é bom recordar situações, estações, lendas... É sempre gratificante viajar nas nossas recordações e nos permitir viver a saudade. Nos faz bem. Foi isso que aconteceu quando o novo canal de assinatura da Globosat, Viva, anunciou o retorno do seriado Sandy e Junior, que esteve no ar de 1999 a 2003 nas tardes de domingo da Rede Globo.
Naquela época eu estava em pleno apogeu do meu fanatismo pela dupla. Ao longo dos quatro anos do programa, colecionei 20 fitas VHS gravando os episódios. Me Apaixonei pelas histórias, pelos personagens, pelo colégio CEMA, pela professora Elvira, pela cantineira Irene, Etc... E Tal. Tinha um carinho muito grande pela série, e ainda tenho. Outro dia tive a oportunidade de rever alguns episódios pelo YouTube - já que meu videocassete não funciona mais, as fitas estão se estragando e eu não tenho TV por assinatura - e foi maravilhoso rever as intrigas, as paixões, os objetivos e lutas da turminha do Centro Educacional Mário de Andrade. Era como se com Gustavo, Patty, Clara, Boca, eu voltasse a ser o mesmo Samuel de 14, 15 e 16 anos e tivesse os mesmos desejos de volta, querendo estudar numa escola como a deles ou até estudar com eles, participar de um episódio, escrever outro... Nossa! Quanta Ilusão!
De alguma maneira maluca, o seriado me conectava a um ideal de vida, seja estudando em um Liceu, tendo amigos unidos, atuando ou escrevendo. Gostava da sensação que os episódios me provocavam. Sensações que talvez nem os próprios atores compartilhassem. Me sentia um Super-Herói. Sei que Sandy e Junior hoje não mantêm o carinho pela série, que eu e tantos outros fãs mantemos. Foi apenas mais um trabalho, e Junior chegou a afirmar, em entrevista a Marília Gabriela, que sente vergonha em se ver no início da adolescência. Mas quem se importa? Só queríamos o conjunto de histórias com a maior dupla pop brasileira até então. Nomes como Mariana Ximenes, Paulo Vilhena, Fernanda Paes Leme, Marcos Mion e Daniele Suzuki foram revelados no programa. No Fundo do Coração eu gostaria de ter toda a série em dvd, e através dela, nadar novamente pelos meus sonhos, rever os conceitos, bagunçar meus planos, afinal, somos sensíveis às emoções e estamos sujeitos à mudança. Quem garante que o nosso verdadeiro destino não está perdido em algum momento do passado, e só precisamos ir lá resgatá-lo? É só estar aberto e entender os mecanismos que compõem A Arte do Coração.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Sobre mar
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Um olhar pra dentro
Dezembro chegou e com ele as luzes, o colorido, as árvores, os panetones. Natal é sempre um tempo de paz, de amor, de muito brilho e alegria. Não importa o que você fez durante o ano, se redima no natal e terá a chance de corrigir os erros no próximo. De longe, é a minha época mais esperada do ano. Gosto de sentir a energia que só o mês de dezembro consegue transmitir. É o momento de se avaliar, de fechar uma etapa e se preparar para outra. Amigos se reúnem, trocam presentes, a família fica mais próxima. Tudo tem um sabor ainda mais especial. Parece que os milagres ficam mais suscetíveis a acontecer.
Em 2010, eu me permiti voltar a viver. Produzi um vídeodocumentário com Ana Célia e Kárem e concluí meu curso superior definitivamente. Entrei na montagem de um novo espetáculo teatral. A Cia. Atores da Maria voltou a trabalhar e me permitiu conhecer um outro campo dirigindo ao lado de Júlio. Conheci Sumé e a obra de um grande artista chamado Miguel Guilherme. Ganhei 11 novos quilos e perdi 8 pelo caminho. Percorri diversas casas e conheci inúmeras famílias no desafio de um recenseador. Passei a integrar um núcleo de pesquisa em teatro. Ganhei prêmio de melhor ator e melhor esquete com Nayara e Suellen. Rompi um namoro de 8 anos. Vi uma amiga ir pra longe. Conheci pessoas novas. Me livrei dos antidepressivos. E entrei na finasterida. Voltei a escrever roteiros. Tirei DRT de ator. Descobri uma esofagite. Dei um passo adiante na religião que pretendo seguir.
Pode não ter sido um grande ano, mas obtive algumas conquistas, passei por outras experiências, e sempre saímos de tudo um pouco mais consciente de nós mesmos. Penso que nesse ano eu me voltei a mim. Tentei ser sincero aos meus valores e àquilo que realmente acredito. Talvez seja um recomeço, depois de tanto me achar e me perder em objetivos e sonhos confusos. Talvez me escutar de verdade seja o verdadeiro caminho da felicidade, independente de quem vá se beneficiar ou não dele. Eu só preciso confiar no que sinto e definitivamente não ter medo de ser feliz. Quem sabe essa descoberta já não é o milagre que o natal antecipadamente operou em mim?
Em 2010, eu me permiti voltar a viver. Produzi um vídeodocumentário com Ana Célia e Kárem e concluí meu curso superior definitivamente. Entrei na montagem de um novo espetáculo teatral. A Cia. Atores da Maria voltou a trabalhar e me permitiu conhecer um outro campo dirigindo ao lado de Júlio. Conheci Sumé e a obra de um grande artista chamado Miguel Guilherme. Ganhei 11 novos quilos e perdi 8 pelo caminho. Percorri diversas casas e conheci inúmeras famílias no desafio de um recenseador. Passei a integrar um núcleo de pesquisa em teatro. Ganhei prêmio de melhor ator e melhor esquete com Nayara e Suellen. Rompi um namoro de 8 anos. Vi uma amiga ir pra longe. Conheci pessoas novas. Me livrei dos antidepressivos. E entrei na finasterida. Voltei a escrever roteiros. Tirei DRT de ator. Descobri uma esofagite. Dei um passo adiante na religião que pretendo seguir.
Pode não ter sido um grande ano, mas obtive algumas conquistas, passei por outras experiências, e sempre saímos de tudo um pouco mais consciente de nós mesmos. Penso que nesse ano eu me voltei a mim. Tentei ser sincero aos meus valores e àquilo que realmente acredito. Talvez seja um recomeço, depois de tanto me achar e me perder em objetivos e sonhos confusos. Talvez me escutar de verdade seja o verdadeiro caminho da felicidade, independente de quem vá se beneficiar ou não dele. Eu só preciso confiar no que sinto e definitivamente não ter medo de ser feliz. Quem sabe essa descoberta já não é o milagre que o natal antecipadamente operou em mim?
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