quinta-feira, 23 de abril de 2009

Epifania

Legal você está aqui no Celeiro lendo esse texto, escutando a música de hoje, ou desligando esse som desagradável, rindo, refletindo ou ficando impaciente com o tamanho de cada parágrafo. Mas você só pode entrar no Celeiro, ler, escutar e sentir porque temos ao nosso favor, elementos como as mãos e os dedos que digitaram esse link, a visão que possibilitou a leitura, a audição que o fez escutar ou querer parar a música e a mente que libera as mais variadas sensações pelo corpo. Já parou pra pensar quanta coisa boa temos todos os dias ao nosso dispor e não nos damos conta?

Curiosamente, pude redescobrir esses valores ao acompanhar três programas de televisão essa semana. Em meio ao tema barulhento do Profissão Repórter da última terça-feira, redescobri através do silêncio do agricultor Wilson Alves, o valor de cada batida, de cada voz, de cada som que é capturado todos os dias pelos nossos ouvidos. Devido uma intoxicação com agrotóxicos há 9 anos, Wilson perdeu totalmente a sua audição e passou a fazer leitura labial pra conseguir entender as pessoas. Depois de todo esse tempo de silêncio total, um implante coclear traz o som de volta a sua vida.

O momento em que a fonoaudióloga gera os primeiros ruídos através do equipamento, parece que Wilson renasce. Ele fica literalmente abestalhado por estar ouvindo novamente. E quando ele passa então a escutar sua própria voz é um êxtase que eu não pude deixar de transcrever suas palavras: “Eu tô ouvindo! Nossa! Eu tô ouvindo a minha voz”, e cai na gargalhada. Um passeio pela rua e cada barulho era uma alegria nova. O vento batendo nas árvores, a buzina de uma bicicleta, um carro de som anunciando promoções, o trânsito, o canto dos pássaros. E eu cá na minha sala, deitado, assistindo tv, desfruto, como inúmeras pessoas, esse dom todos os dias sem precisar de equipamento nenhum, e não percebemos quão significativo ele nos é. Nos irritamos tanto com o barulho do trânsito diário, da música alta, dos cachorros latindo à meia-noite, mas que fantástico escutarmos tudo isso. E que gritem mais, façam fuzuê. Quero ouvi-los mais e mais.

Coincidentemente ou não, o SBT Repórter desta quarta-feira trouxe uma viagem pelo cérebro humano, acompanhando neurologistas nas cirurgias pelos cérebros dos pacientes. O caso mais intrigante foi da menina Elenice de 8 anos que sofria de ataques constantes de epilepsia e no intuito de parar os ataques faria uma cirurgia de retirada do lado direito do cérebro. Foram 4 horas só para chegar ao cérebro da menina, depois de passar pelo couro cabeludo, perfurar o crânio, a membrana interna e finalmente atingir o cérebro. E o mais impressionante é imaginar que essa cirurgia era feita há 30 anos com o paciente acordado.

Mais uma região delicada e tão fundamental à nossa vida. Pensar que cada pontinho daquela massa é responsável por inúmeras funções do nosso corpo é espetacular. Refletimos, nos movemos, guardamos lembranças, nos emocionamos tudo graças a essa engrenagem superprotegida do nosso corpo. Tão fundamental como aquela que faz pulsar o nosso sangue. No quadro Transplante, O Dom da Vida do Fantástico de domingo, foi mostrado o instante exato em que um coração transplantado começa a bater num outro peito. É incrível a capacidade que o homem tem de fazer aquele órgão vital continuar vivo o suficiente para salvar outras vidas. E a precisão de cada ponto, saber que aquela artéria se juntando àquela veia e isso àquilo vai fazer tudo funcionar de novo. Fosse eu entraria em pânico. “Ai, meu Deus, onde isso entra agora!?”. Por isso não sou médico. Ainda bem! E ainda bem que eles existem e são capazes de fazer.

Cada um com a sua função! Assim como o nosso organismo nos quais cada órgão tem o seu papel para fazer funcionar o todo, na sociedade cada um faz a sua parte. O médico opera, melhora a qualidade de vida de diversas pessoas, o repórter vai lá, colhe a informação, repassa a nós e instiga garotos como eu a escrever sobre essa fascinante engenhoca da vida. Ah, e como é bom poder raciocinar, enxergar, ouvir, sentir, respirar e continuar tendo um coração bombeando o sangue nas nossas veias e tocando sempre sua canção favorita: tum tum, tum tum, tum tum...

terça-feira, 7 de abril de 2009

24 anos

Hoje decidi agradecer! Vivemos pedindo e cobrando tanto. Resolvi parar um pouco e agradecer a tudo que já tive e àquilo que acredito torna o mundo mais divertido. Agradecer à Deus pelo universo. À evolução humana. À essa terra maravilhosa que nos faz respirar e se inspirar mais a cada dia. À família Rêgo por ter deixado Portugal e vindo tentar a vida no Rio Grande do Norte. Agradecer a Manoel José de Carvalho por ter fundado o município de São Miguel. A Mariana Ricardina do Rêgo por ter ao lado de Thomé Ribeiro Machado juntado meus bisavós José Vicente do Rêgo e Olímpia Maria da Anunciação que trouxeram pra mim uma das criaturas mais abençoadas deste mundo, minha linda avó Josefa de Souza Rêgo. Obrigado pelo imenso amor ao longo de tantos anos.

Quero agradecer também a Julio Ferreira de Oliveira e Maria Emília de Oliveira por darem vida a um homem de sabedoria e coragem intensas, Altino Ferreira de Oliveira. Obrigado vô pelo exemplo e pelo apoio! Obrigado Elisiário Dias e Augusta Honório Dias por darem vida a Seledon Dias da Cunha, muito obrigado, painho, pelas palavras que me guiou em alguns momentos de minha vida, e até pelas que não segui. Obrigado vovó e vovô mais uma vez por terem trazido tantas criaturas boas ao mundo, dentre elas, aquela a quem sou responsável por respirar agora. Obrigado, maminha, acima de tudo pela vida, mas também pelo amor incondicional, pelo apoio infinito, companheirismo, pelas festas de aniversário, pelos shows de dublagens, pela presença sempre constante. Obrigado por acreditar em mim e suportar todos os meus problemas.

Agradeço a tia Auxiliadora pela dedicação, pelos infinitos presentes, mas antes de tudo obrigado pelo amor e carinho tão transparente. Obrigado, Ingridy, por tantos anos compartilhados, pela dedicação, por dar colorido e tornar especiais muitos momentos de minha vida. Obrigado Pau dos Ferros por me proporcionar incontáveis histórias. Obrigado Educandário, Vastí, Thiago, Jordânia, Eliene, Sincos, tia Vilaneide, Assis, tio Dagmar, Avani, Andréa, Ana Carla, Vinícius, Larissa, Pollyana. Obrigado, Agda, por me apresentar ao ritmo da lambada e pelas memoráveis tardes de rebolado lá em vovó. Valeu mesmo! Obrigado Kaoma! Obrigado Claudivânia imensamente pela cumplicidade de uma irmã. Obrigado Globo pelo Xou da Xuxa! Arigatô Japão, pelos Flashman, Chageman, Jaspion e Cavaleiros do Zodíado. Obrigado, Ranyere, pelos incríveis anos de aventura. Obrigado King por todos os companheiros latidos.

Agradeço verdadeiramente a Cassiano Gabus Mendes por Que Rei Sou Eu?, a Whalter Negrão por Top Model, Benedito Ruy Barbosa por Pantanal, Renascer e O Rei do Gado, Ivani Ribeiro por A Viagem e Mulheres de Areia. Obrigado Glória Perez por O Clone e por seu exemplo de força de mãe. Obrigado doce Daniella Perez. Manoel Carlos, Por Amor e Mulheres Apaixonadas. Silvio de Abreu, A Próxima Vítima e Torre de Babel. Walcyr Carrasco por Xica da Silva. Obrigado Warner Bros por Smallville. Obrigado anos 60, 70, 80, 90, 2000. Obrigado movimento hippie! Obrigado grandes deuses do rock mundial, John Lennon, George Harrison, Paul McCartney e Ringo Starr, eternos Beatles. Obrigado Sandy e Junior, por embalar uma juventude de sonhos, alegrias e muita diversão. Obrigado Mamonas Assassinas por tentar buscar um mundo mais irreverente.

Ah, ainda tenho que agradecer a Natal, essa cidade encantadora por tudo que me proporcionou, pelas suas praias azuis que em algumas horas foram meu bálsamo nas dúvidas e incertezas da vida. Obrigado bairro de Lagoa Seca! Rua São João! Obrigado Cristina por sua fiel amizade e apoio em todas as horas. Obrigado Dona Severina por seus deliciosos cachorros-quentes. Obrigado Neide pelo português da vida e por confiar em mim e me encorajar na minha caminhada. Miss Lene e Sarah, muito obrigado pelos verdadeiros sorrisos de amizade. E Miss Lene, obrigado por me introduzir ao espiritismo. Ah, obrigado a Allan Kardec por conseguir espalhar pelo mundo os princípios de uma doutrina tão rica e concreta.

Como não poderia deixar de ser, obrigado apaixonante Campina Grande. Muito, mas muito obrigado mesmo por me oferecer o encontro com o quarteto mágico, Isabeli, Ana Célia, Kárem e Lea. Aprendi com vocês que o amor amigo existe. Obrigado Miss Coutinho por existir em minha vida. Obrigado também, Izabel, Vanessa, Silmara, Clara. Obrigado Sebrae! Obrigado Professor Custódio pelas experiências nas difusoras do Centenário, Liberdade e Conceição e a todos aqueles professores que deixaram um pouco de si.

E agora aquele agradecimento especial ao palco mais cheio de vida e de significado na minha história: obrigado teatro por existir! Obrigado Chico, Regina, Chalena, Guto, Emilia, Elio, Álvaro, Renato, Haendel por contribuírem seus vastos conhecimentos comigo. Valeu Yamamoto! E aqueles que se uniram a mim pelo palco, mas o coração agarrou pra si. Obrigado Luciene, Julio, Sami Izu, Ellen, Adriano, Maísa, Mônica, Tibério, Tupi, Mirian e Edinaldo. Rangers, estamos ligados pelo cordão da vida e esses laços não se perderão nem nessa e nem nas próximas existências. E pra finalizar, obrigado terra, ar, fogo, vida, pelos 24 anos de existência e história.