sábado, 20 de outubro de 2007

Ventos de Experiência

É difícil fugir do passado quando este segue deixando uma trilha de saudade. Experiências vão e vêm. Mas sempre é gostoso relembrar momentos felizes. Quando eu passo pelo Parque do Povo sempre que venho da faculdade e vejo operários e máquinas pondo a baixo a estrutura do que foi a maior feira já realizada na cidade, é inevitável a lembrança dos dias que mergulhei em um universo de grandes possibilidades e descobri as oportunidades que a vida oferece a quem se arrisca em seu próprio negócio. E como eu fui parar na Feira do Empreendedor?

Tudo começou numa tarde de segunda-feira quando os bons ventos da vida sopravam para uma tenebrosa e esperada reunião no Sebrae. Era o início de um estágio de um mês para Saskia, Silmara, Clara, Edimílson e eu. Fomos apresentados a Erialdo Pereira, o grande jornalista do estado e detentor de uma sábia experiência. Também conhecemos os competentes Valter e Renata. Era nosso primeiro contato e o que fosse sair dali, a ansiedade e a expectativa nos olhares de cada um encobria qualquer apreensão ou insegurança. Finalmente soubemos nossa missão. O Sebrae estaria promovendo na cidade a Feira do Empreendedor e nossa missão era criar um boletim com casos de sucesso empreendedor de Campina e fazê-lo "girar" durante a feira. Uau! Que fantástico! Mas será que alguém sabe ao certo o significado da palavra "empreendedor"? Sabendo ou não entramos de cabeça nessa. Ou melhor, de imaginação.

Para nossa tarefa contamos com a orientação da professora Fátima Luna. E a saga em busca dos vencedores da cidade tomou fôlego no dia seguinte. Em uma mesa redonda uma chave da manga de Erialdo abriu a sessão. Foram muitas idéias, várias discussões, jogadas, “compra e venda” de pautas. E uma lista de 10 profissionais de sucesso da cidade se formou. Parte II: divisão das empresas, pauta, entrevista, texto. Eh, vamos à luta! Fiquei responsável por duas empresas. A escola de informática Infogenius e a agência de segurança eletrônica Insiel (os textos na íntegra estão nas postagens logo abaixo). Para minha sorte a empreendedora da Infogenius, Jeannine Figueiredo era um doce em pessoa e a entrevista transcorreu melhor que o esperado. Agora era hora de colocar a cabeça pra funcionar e criar um texto agradável da história de vida de sucesso da minha entrevistada. Logo as idéias se formaram e saiu a primeira versão do texto. Entretanto, como diz Erialdo, nosso primeiro texto nunca é o definitivo, sempre podemos aperfeiçoá-lo e melhorar. E assim refiz uma! Duas! Três vezes! E perdi as contas de quantas vezes o reli.

Alguns dias depois, com quase todos os textos prontos era hora de decidir o nome do “garoto” que levaria nossas histórias ao público. Mais uma vez em volta de uma mesa vários nomes surgiram. Ventos de sucesso; Atitude empreendedora; Empreendedorismo em pauta; Bons Fluidos. E ninguém poderia imaginar que o nome escolhido seria um tão simples e que resumia tudo que a feira representava. Foi assim que surgiu o Catavento. Com nome definido e textos acabados, era hora de partir para as fotos. Tareb foi o fotógrafo encarregado disso e saiu com Saskia, Silmara e Clara para fotografar os estabelecimentos. Para minha infelicidade, os donos da Infogenius estavam viajando e a tão fantasiada foto de Jeannine sentada no colo de Fábio entre os computadores só ficou na imaginação. Porém, a galera teve que escutar esse meu discurso até o último minuto da feira.

Ah, e a feira!! Ela chegou e foi embora mais rápido do que imaginei. Como dizia seu slogan “Bons Ventos para o seu Negócio”, os ventos sopraram rápido demais e levaram a feira para outros horizontes. Lá, no Parque do Povo, eu e Clara trabalhamos com a equipe de Kamille e Arthur para a TV Sebrae. Conhecemos o grande jornalista Amim e os repórteres Morib e Syusk. Aliás, ficávamos impressionados com a desenvoltura de Syusk durante as matérias. Nós simples estudantes imaginávamos quando seríamos capaz de tal profissionalismo. Ao mesmo tempo em que brincava, ela mostrava sua competência e responsabilidade. Enquanto isso, Silmara, Saskia e Edimílson corriam atrás de notícias para alimentar o site da feira. E cá entre nós, correr ali dentro era uma aventura a parte. Tantas empresas expondo, palestras, desfiles, comida. Nossa! Tinha de tudo ali dentro. Até prática de escotismo surgiu no Açude Novo. Tareb estava lá para não deixar de exercitar o clique do dedo e Saskia para viver a emoção da matéria. E emoção foi o que não faltou nesses quatro dias de feira.

É, mas a brisa passou. A correria se foi. Os colegas de trabalho voltaram a se espalhar. Mas novas amizades surgiram e continuaram. Por isso passar em frente ao Parque do Povo e olhar o fim de uma história é dolorido e prazeroso. Sentimos falta daqueles dias agitados e de todos que estiveram conosco. Embora também temos a certeza de ter feito algo útil, além da experiência profissional e de vida que adquirimos. Cada viga, lona e stand que se desmonta conta um detalhe daqueles dias. Histórias que só quem esteve lá pode contar. A última reunião com nossa equipe aconteceu há dois dias e o clima de despedida reinava sem cessar na sala. O bom de viver uma experiência é que sempre ficamos mais seguros e mais maduros de conhecimento. Sabemos onde podemos acertar e onde melhorar nas próximas oportunidades. Afinal, se hoje sabemos mais do que ontem, amanhã saberemos mais do que hoje e assim se constrói a história. Num é isso, Erialdo?


Unidos na Alegria e no Empreendedorismo

Festa, champagne, bolo e grinalda. Poderia ser a realização de mais uma festa de casamento, mas essa união na cidade de Patos tem um sabor especial. Os personagens desse evento são dois jovens que decidiram se unir tanto na vida conjugal como no mundo dos negócios. Era meados de 1994 quando a união entre Fábio e Jeannine Figueiredo, com apenas 21 e 18 anos, fez surgir a escola de informática Infogenius.

Jeannine trabalhava como recenseadora do IBGE e cursava Economia na Faculdades Integradas de Patos (FIP), mas teve que trancar a faculdade para se dedicar a esse novo investimento. Fábio, por outro lado, trabalhava na assistência técnica de uma concessionária em Patos. Em pouco mais de dois anos de namoro, eles tiveram a idéia de abrir um negócio juntos. Perceberam que havia uma grande necessidade de capacitar pessoas para trabalhar com a informática e resolveram investir no ramo. Sem grandes recursos, compraram alguns computadores, e entre enxovais e teclados conseguiram alugar um ponto em cima de uma loja de colchão.

De início eles contavam apenas com a participação de cinco professores e três secretárias. Uma das maiores dificuldades foi encontrar mão-de-obra qualificada. “Tivemos que fazer muito treinamento com professores em Recife e aproveitar alunos que já faziam curso superior, mas que não tinham experiência em sala de aula e os treinamos com profissionais pedagógicos”, comenta Jeannine.

Com idéias na cabeça e computadores na sala, só lhes faltavam os alunos. E estes não demoraram a chegar. Dois anos depois da inauguração, o número de alunos já superava a faixa dos mil. Havia a necessidade de aumentar a estrutura, os laboratórios e a biblioteca. Montaram então um laboratório temporário em outras cidades interioranas da Paraíba, como Solânea e Monteiro, e em Pernambuco, nas cidades de Pesqueira e Itambé. A partir do momento em que perceberam que a escola estava firmada no mercado começaram a expandir para cidades maiores.

Em setembro de 1998, Campina Grande recebeu sua sede da Infogenius que passou a ser a central, onde o casal também fixou moradia. Hoje além de Campina Grande, a Infogenius está presente em Patos, Guarabira, João Pessoa e Caicó. A capital paraibana comporta a maior unidade, que possui inclusive estacionamento próprio. São mais de 40 cursos nas áreas de informática de nível técnico e profissionalizante e de qualificação humana. E ao longo de quase 13 anos de mercado totalizam mais de 100 mil alunos formados.

Jeannine atribui o sucesso da Infogenius ao cuidado com o cliente e acredita que entre as maiores conquistas ao longo dos anos estão o reconhecimento dos cursos pelo MEC e a satisfação do público. “Hoje cerca de 80% dos alunos que chegam à nossa escola são oriundos de indicações de outros alunos e isso mostra que eles estão satisfeitos com o ensino”, enfatiza Jeannine.

No decorrer da trajetória, Fábio e Jeannine presenciaram muitas situações curiosas na escola: alunos ansiosos pelo primeiro contato com o computador; alunos que nunca souberam assinar o próprio nome, mas sabiam dominar o mouse. E em uma dessas situações eles conheceram um jovem deficiente visual que sonhava fazer um curso de informática. Isso os instigou a expandirem ainda mais as portas para todos os segmentos da sociedade. No segundo semestre de 2007, a Infogenius abre o primeiro curso para deficientes visuais do nordeste.

Com uma filha de nove anos e uma história contada através das teclas do computador, Fábio e Jeannine já conhecem a receita de uma vida de sucesso. Cúmplices no amor e nos negócios, eles provam que ousadia e autoconfiança ainda é o caminho que pode gerar bons frutos, é só estar aberto às novas possibilidades que a vida oferece.

"Compromisso é uma palavra que resume"

Filho de peixe, peixinho é. É assim que sempre se define a relação de semelhança entre pais e filhos, principalmente no tocante à carreira profissional. Mas um ousado empresário de Campina Grande resolveu quebrar esse famoso dito popular. Juan Pinheiro, de 30 anos, filho de advogado, enveredou-se pelo ramo da tecnologia eletrônica contra a vontade de seu pai e hoje é simplesmente o dono da Insiel Segurança Eletrônica, líder em inovações eletrônicas no estado da Paraíba e indicado pelo Guia do Usuário de Segurança com um top de reconhecimento nacional.

Juan Pinheiro concluiu seu curso de eletrônica e telecomunicações em 1995 e resolveu montar um negócio informal, sem foco ainda em segurança eletrônica. “No início era eu quem montava, empacotava e vendia os produtos, aí veio um assistente, dois e foi desenrolando. Não tenho vergonha de dizer que a gente começou mesmo como uma empresa fundo de quintal”, enfatiza Juan. A empresa funcionava a princípio dentro de um parque tecnológico como organização encubada, passou por um período de maturação e finalmente saiu do parque para virar empresa independente.

Essa mudança se deu em grande parte aos produtos desenvolvidos pela Insiel, como a central de alarme para residência, que na época ainda era muito escasso no mercado e hoje é um dos setores que mais crescem e aos clientes que começaram a surgir. Para Juan a falta de capital para investir e o próprio desconhecimento de organização de uma empresa foram as maiores dificuldades no início.

No entanto, da venda de um produto surgia a renda para a construção de outro. E assim a Insiel foi aos poucos conseguindo crescer e se destacar no mercado. Através de parcerias com outras organizações como a PB Tech e o Sebrae, a Insiel passou a se desenvolver e a se expandir com maior agilidade. Hoje ela atende em todo o nordeste e conta com filiais em João Pessoa, em Fortaleza no Ceará e em Salvador na Bahia, e ainda mais de 10 representantes, empregando cerca de 50 funcionários divididos nos departamentos de desenvolvimento, suporte técnico, financeiro, comercial, atendimento ao cliente, central 24 horas e atendimento online.

Recentemente, a Insiel desenvolveu um equipamento de rastreamento de pessoas que já está sendo utilizado nos presos do regime semi-aberto em Guarabira. “Com esse equipamento você pode saber se o preso está obedecendo as condições da liberdade dele de não sair do perímetro da cidade”, afirma Juan. A tornozeleira eletrônica, como ficou chamada, é uma versão de rastreamento específica para pessoas via satélite e possui uma bateria que não necessita de ligação externa. A referência da tornozeleira tornou-se padrão em outros tribunais de justiça e em outros estados, sendo a Insiel a única empresa com implantação prática desse equipamento no Brasil.

O empresário atribui o sucesso do negócio ao compromisso com o cliente. Pois ele garante que um freguês satisfeito é confiança garantida. “Nós não fazemos mídia, mas quem é cliente sabe dos nossos compromissos, e isso facilita muito a introdução de novos produtos no mercado”, avalia. Dentre as maiores conquistas, Juan destaca o espaço que foi alcançado pela Insiel ao longo dos anos. E uma prova disso é o prêmio Top de Reconhecimento do Guia do Usuário de Segurança do estado do Paraná que o avaliou em 1º lugar pelo desenvolvimento de um soft para a área de alarme entre várias empresas nacionais do ramo.

Por isso a Insiel não pára de inovar e agora já atende até o mercado odontológico, com a criação de uma microcamera em formato de escova que o dentista pode projetar a imagem da arcada dentária do paciente no computador. “Eu enxergo hoje como um novo começo em outro patamar, onde já temos a confiança dos clientes e a capacidade de expandir mais e mais”, conclui otimista o empresário.

sábado, 13 de outubro de 2007

Outros Valores

Uma exposição no shopping Iguatemi aqui em Campina Grande me chamou a atenção ontem. Ela mostra através da fotografia a histórica urbanística da cidade. São diversas fotos desde a década de 20 até a década de 50. A multidão que olhava admirada as fotos não imaginava as histórias que se escondiam por trás de cada flash. O autor da obra, Sóter Farias de Carvalho, se dedicou a fotografar a cidade no início ainda por hobby e depois se descobriu um amante da revelação. Foi cronista, repórter, vereador, mas apenas na fotografia encontrou sua vocação.

A história me fez lembrar dois fatos. O primeiro a determinação nos nossos objetivos. Sóter buscou sua identificação e mesmo com os trabalhos que exercia não abandonava sua paixão pela fotografia. O segundo foi a história da minha família, dos meus avós para ser mais exato. Os anos difíceis do início e meados do século passado. As histórias que meu avô contava e seu jeito de recordar as memórias me identificaram com Sóter. Acredito que ele conseguiu viver numa época em que os telégrafos dominavam e que não havia tanta preocupação com aquecimento global, radiação, agrotóxicos e efeito estufa. Uma época mais feliz, acredito.

Sou um amante do passado mesmo, das belas praças, dos bondes, da iluminação fraquinha das esquinas, das ruas estreitas. Não sei se estamos em uma época melhor ou pior no que chamam de desenvolvimento, mas sei que sinto falta de uma vida mais simples, onde o valor da felicidade estava mais precisamente nas pequenas coisas, na novidade de um singelo circo que chegava à cidade do que nos modelos mais sofisticados de vídeo games. Talvez o que nos reste sejam apenas as memórias. E que bom que existiram alguns Sóters para preservá-las e fazer-nos reviver ao menos no papel essa época tão sublime e efêmera.


sexta-feira, 12 de outubro de 2007

"Liberdade!" Que liberdade!?

Ontem assistindo ao Jornal da Globo vi um presidiário que ganhou alvará de soltura, mas que prefere permanecer na cadeia ao invés de usufruir sua liberdade. Parece contraditório. Quem em sã consciência pediria para não voltar às ruas? Mas aí é onde entra a lei que governa nosso carnavalesco país. O sistema penitenciário brasileiro nunca foi um dos melhores do mundo, se brincar está entre um dos piores. A precariedade do serviço é tão grande que não se restringe apenas às dependências dos prédios, mas principalmente ao presidiário enquanto cidadão após seu retorno à sociedade.

Não há a menor preocupação do poder legislativo e nem do próprio governo em reabilitar esse preso para voltar às ruas. Acabou seu período de cativeiro e rua. O que se pode esperar de um ex-presidiário à procura de emprego no país onde poucos dos engravatados conseguem? No mínimo ele voltará a cometer crimes e em pouco tempo estará de volta de onde saiu. E isso é um problema que vem de longe, da época da utópica Lei Áurea, que prometia a carta de alforria aos escravos quando sua "liberdade" já era algo evidente e os deixou à margem da sociedade, acentuando o caminho da desigualdade social no país.

O caso de Fabrício do Jornal da Globo é apenas o retrato de um país que parece ter parado no tempo desde então. Tantas mudanças tecnológicas, avanços comerciais e o serviço básico para a construção de uma sociedade mais civilizada ainda é motivo de piada. A direção da Apac, onde Fabrício está, disse que fará de tudo para que ele reencontre a felicidade aqui fora. Será que conseguem? Vamos esperar.


quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O PDF do PageMaker

Às vezes quando conseguimos ser bom em alguma coisa queremos que os quatro ventos do hemisfério tomem conhecimento, muito embora esses quatro ventos sejam apenas alguns poucos amigos e conhecidos. A primeira vez que bati os olhos no programa de diagramação de periódicos PageMaker eu não imaginava que conseguiria adquirir tanta afinidade com ele. Tenho que confessar que achei o programa legal e prático, mas jamais pensei em me tornar um fã, por assim dizer, do programa. E esse meu fanatismo foi resultado de elogios de trabalhos produzidos e confiança dos amigos e acima de tudo a minha, pois se eu não acreditasse em mim não conseguiria mesmo diagramar uma única página.

Aos poucos os resultados do meu trabalho começaram a se expandir pela faculdade e ganhei ao lado de outra colega Fernanda a oportunidade de diagramar um jornal comunitário idealizado pelo professor de Técnica de Entrevista e Reportagem. O Olhar Comunitário foi o reconhecimento da nossa capacidade como diagramadores, não que os outros alunos da turma fossem incapazes de tal fato, mas que dentre 22 nomes na sala de aula os nossos foram os citados.

É, isso mexe com o ego de qualquer um, mas talvez um 'expert' em PageMaker ficasse na sua e não resolvesse divulgar sua satisfação em uma comunidade virtual no maior site de relacionamentos da internet, o orkut. Dois dias depois do ponto final na diagramação do jornal comunitário surge a comunidade Só Dá "Eu" No PageMaker. Convencido, prepotente e egocêntrico foram algumas definições que ouvi de amigos na faculdade. Mas, pensei eu, existem tantas comunidades fúteis e sem conteúdo na internet que não haveria mal algum em alimentar essa demasiada altivez. Engano! Mal sabia eu onde acabara de me enfiar.

Já dizia meu avô, "aprenda de tudo um pouco na vida para usar do que precisar", mas eu esqueci de anotar que era preciso saber uma quantidade suficiente para poder usar. E algumas semanas depois de circulação da comunidade na internet, recebo um recado de uma garota chamada Lilian. Ela dizia estar com dificuldade em converter um arquivo de PageMaker para PDF e pedia minha ajuda encarecidamente, já que eu me dizia ser tão bom. Pronto!! Agora ajude a menina e mostre que você é capaz. !?%*$# Ai! Ai! Como se faz isso mesmo? Será que um especialista esqueceria algo tão simples assim? Lembro vagamente de ter convertido uma vez. Desculpas! Desculpas! Acho que é porque deve ter outro programa para isso. É, o Acrobat. Ih!! Adianta não, viu? Devia ter escutado o conselho do pessoal da faculdade. Bom, hora de estender a bandeira branca.

Me rendi e pedi ajuda a Kárem pelo bate-papo virtual. Piadinhas à parte. Eu merecia. Onde foi parar toda aquela presunção que de repente o deixou incapaz de resolver um simples probleminha? Pobre Lilian, não imaginava que o superdotado aqui ainda era um mero aprendiz e que seu problema era apenas um reflexo de uma pseudodominação que eu exercia sobre o programa. Tentativas aqui, tentativas ali. Kárem e eu ficamos numa investigação noite afora para tentar solucionar o aparente problema de Lilian, que na verdade era nosso também. Nada! Caramba! Como se modifica isso? Finalmente achei uma frecha no próprio tópico de ajuda do programa. Aliás, encontrei várias dicas de se converter, mas não conseguia nenhuma tentativa. Bom, minha parte eu tinha feito e quem tinha que converter o programa urgentemente era Lilian e não a gente. Enviei todas as dicas que encontrei para os recados dela no orkut. Deram três recados completos. Missão cumprida. Ou quase.

Toda a dificuldade que encontrei para solucionar esse problema mexeu com minha segurança e me fez analisar até onde sou mesmo "bom" na diagramação. A vida é cheia de novidades e vive nos surpreendendo. Talvez por isso tenha me dado essa rabanada para eu colocar a cabeça no lugar e entender que ninguém é melhor do que ninguém, no mínimo se destaca em algo e só. Na manhã seguinte recebi outro recado de Lilian agradecendo minha atenção e informando que havia conseguido a tão "difícil" conversão do arquivo para PDF. Bom, se foi com minha ajuda eu não sei, mas agora eu serei bem mais cauteloso quando lidar com assuntos que ainda não domino por completo. A comunidade continua lá, mas a responsabilidade da idéia que criei aumentou. E muito.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A cabeça na lua - Primeiro estágio

É comum ouvir de amigos, namorada e até de conhecidos que vivo no mundo da lua, não sei se isso tem a ver com meu jeito de ser ou se algumas vezes pareço mesmo um astronauta em órbita espacial. Bom, o que sei é que essa minha habilidade move freqüentemente a minha vida e me leva para horizontes jamais conhecidos. Era mais um dia de aula na universidade e tudo parecia seguir sua rotina corriqueira, acordei às 6h30, peguei o ônibus depois de uma espera infeliz e cheguei atrasado como sempre na faculdade. Lá, encontrei minha trupe e fiquei sabendo da inscrição para um estágio no jornal A União, acho que nem dei muita importância. Kárem, uma das minhas fiéis escudeiras disse que iria fazer o teste, Léa e Izabel disseram que também fariam, logo um contingente de alunos estavam dispostos a fazer, pensei então: "-ah, é importante, acho que vou fazer também, tenho que me esforçar pra ser um menino culto, e nessa altura da faculdade sem estágio o que vier é lucro". Então peguei a canetinha e me inscrevi junto dos meus amigos, com a cabeça mais em Antares do que na atitude que estava tomando.

Eis que o bendito dia chega e pra variar nem estava me dando conta que era o dia. Queria assistir aula de PageMaker quando de supetão a minha escudeira kárem me avisa do teste, Kárem, sempre ela. Entrei na sala e a primeira coisa que me veio à cabeça foi a torta de frango da lanchonete Sulavit no centro da cidade. Olhava em volta e via um bando de gaviões loucos para abocanhar o primeiro e único lugar do estágio, enquanto o pobre de mim não conseguia parar de pensar no meu estômago. Bom, pra embrulhar ainda mais o intestino, a prova era a produção de uma matéria sobre o preço do álcool. Ihh, álcool e frango, nem o suco de maracuya do Sulavit perdia. Bom, mas vamos lá!! Tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá!! Ufa! Tá tá tá tá!!! Uma hora e meia depois o filho nasce. Até que ficou legalzinho, talvez não digno de um primeiro lugar, mas na batalha.

Acho que o maior medo não foi fazer o teste e sim a dúvida: "serei capaz de exercer a função no jornal?". Sei que já estou no terceiro ano de jornalismo, mas as dúvidas e incertezas sobre o caminho e todo o processo de uma carreira de sucesso parecem aumentar ainda mais. A falta de um exercício prático dentro do campus e até mesmo de um jornal que circule entre nós é bastante angustiante, embora isso seja em parte culpa de nós alunos que não tomamos uma atitude e deixamos as coisas ao descaso. Bom, mas voltemos ao meu teste da União que vida política não combina comigo.

Pois é, o resultado saiu alguns dias depois. E como eu esperava não fui o escolhido, mas faltou pouco. Tudo bem, fica pra próxima. E que próxima!? Eu não esperava que ela fosse tão rápida assim. Mais uma vez assistindo aula do adorado PageMaker, a portadora de boas notícias, a professora Cássia entra e avisa que cinco alunos que fizeram o teste para o jornal A União foram reaproveitados para um outro estágio no Sebrae, ou seja, reciclaram os alunos numa nova seleção já que não teriam tempo de fazer outra. E adivinha quem estava no meio desses selecionados?! O cara de bobo aqui olhando para a meia da professora. "-Hã?" "-Eita, caiu a ficha? É você mesmo, cara, você foi escolhido" "Caramba, será que eu sei pra onde tô indo?"
Poderia não saber, mas em meio a tantas dúvidas eu tinha uma certeza, meu texto tinha ficado legal, então o que quer que eu fosse fazer, só faria o que estava ao meu alcance e afinal era hora de testar esse lado jornalístico escondido aqui dentro.

E assim fui eu para o meu primeiro estágio. E pensar que tudo isso começou quando fui levado pelos meus amigos a fazer um teste movido mais por um sentimento de culpa e inativez do que por vontade própria. É... eu e minha cabeça no mundo da lua. Mas aí eu me pergunto, se ela tivesse na Terra, em Júpiter ou em Saturno teria mudado alguma coisa? Talvez o preço do álcool e da gasolina do texto disparassem e enfrentasse turbulência no cinturão de asteróides. Mas isso não vem ao caso. Ah... e quanto ao estágio, isso já é capítulo de uma outra história.